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Os escolhedores de cabeça

Os escolhedores de cabeça Por Rev. Ricardo Rios Melo   Em minha infância, eu me lembro de ter assistido filmes e desenhos do Scooby-Doo onde uma tribo assustadora e grotesca tinha o poder de encolher cabeças. Estudos atuais já detectaram esse método e descobriram o segredo dessa tribo:   Os Encolhedores de Cabeça eram assim conhecidos justamente por causa prática do ritual e do conhecimento da técnica [para encolher as cabeças], mantida em segredo por incontáveis gerações; eles pertenciam a uma tribo denominada Shuar ou Shuaras [e suavam; ô, como suavam para encolher aquelas cabeças!]. Os Suharas são um grupo étnico [biótipo, cultura, dialeto próprios] que habita uma região da floresta fronteiriça entre o Peru e o Equador. O ritual era praticado como uma forma de justiça aplicada aos inimigos. Os nativos acreditavam que aquele processo era necessário para anular o poder do Espírito daqueles mortos de retornarem em busca de vingança. Ou seja, era uma for...

No corredor da morte

No corredor da morte  por Rev. Ricardo Rios Melo O que você faria se fosse sentenciado à morte? O que você pensaria? O que você mudaria em sua vida? E se você tivesse uma chance de viver? Pois é, muitas pessoas apenas param para pensar na vida quando estão em um leito de hospital ou quando a morte é iminente. Pensamentos existenciais normalmente são descartados: “quem sou eu?”, “O que estou fazendo nesse mundo?” “Para onde vou?”, “Qual a finalidade da vida?”, “Minha vida valeu a pena?” Infelizmente, a vida agitada e corrida da pós-modernidade tem fabricado robôs humanos que deixaram de fazer perguntas que nortearam muitos antepassados. Isso lembra um filme excelente de Charles Chaplin: “Tempos Modernos”, onde Carlitos faz a célebre cena de um operário vítima do automatismo industrial. Um filme que nos ensina como falar verdades brincando, como o próprio Chaplin dizia: “ Se tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades teria ouvido verdades que teimo ...

Antes que o galo cante

Antes que o galo cante  O que é o homem? Essa pergunta permeia os livros de filosofia, história, antropologia, psicologia, teologia, biologia, sociologia etc. Que ser tão magnífico e ao mesmo tempo tão complexo e frágil; capaz das maiores proezas e das maiores barbáries. O salmista, no salmo 8, faz uma pergunta magnífica quando compara a criação de Deus com a criação do homem: “ Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste , que é o homem, que dele te lembres e o filho do homem, que o visites? ” ( Sl 8 .3, 4 ). Pascal, acertadamente, fala que “ a simples comparação entre nós e o infinito nos abate ” ( PASCAL, Bleise.  Pascal – Vida e Obra - Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1999, p. 47).  Somos abatidos pelo simples fato de sermos humanos; criaturas limitadas contemplando o ilimitado universo e nos debruçando no inesgotável conhecimento. O finito olhando atônito para o infinito. Como se a finitude não b...

“O varal da vizinha”

“O varal da vizinha”   Começo esse arrazoado com uma ilustração muita conhecida e propagada em vários sites da internet. Segue a história: “ Na primeira manhã de um casal em sua nova casa, durante o café, a mulher reparou através da janela uma vizinha que pendurava seus lençóis em um varal. Ela, então, comentou com o marido: - Mas que lençóis sujos ela está pendurando no varal! Provavelmente ela está precisando de um sabão novo.  Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas! O marido observou calado. Alguns dias depois, novamente durante o café da manhã, a vizinha pendurava seus lençóis no varal. A mulher então comenta com o marido: - Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas! E assim, a cada dois ou três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas roupas no varal. Passado um mês, a mulher surpreendeu-se ao ver o...

Minha casa minha vida

Minha casa minha vida Rev. Ricardo Rios Melo       Essa frase é muito popular no Brasil e virou um programa de governo. No bojo dessa ideia, temos uma sacada política em reconhecer que a aquisição de uma casa representa, subjetivamente, a conquista do seu espaço e de sua individualidade. A conquista da casa é a certeza de que você terá um lugar para recostar sua cabeça. Um endereço para voltar. Um lugar para dizer que é seu e que te pertence.   Que emoção deve ter uma pessoa ao receber as chaves de sua moradia própria! A alegria e satisfação da conquista. Os obstáculos transpostos. Deve, com razão, passar um filme na cabeça com os piores e os melhores momentos: lutas, dificuldades e, finalmente, a tão esperada vitória! Quando alguém está muito distante de seu país e de sua família, a primeira coisa que diz ao chegar ao lar é: que bom estar em casa! A ideia de casa como pertencimento, local específico, habitação é muito comum em nosso lingu...