sábado, 29 de dezembro de 2012

O ano novo e a materialização da fé

O ano novo e a materialização da fé
Ano novo chegando. Novas perspectivas, promessas, projetos, sonhos, dietas, quebra de vícios e a velha canção: “adeus ano velho, feliz ano novo, (...) muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender”. Vindas da cosmovisão do homem caído e destituído da glória de Deus, não há novidade nessas esperanças terrenas. Aliás, essas esperanças em si mesmas não são problemáticas.
O que tem demandado atenção é o que as pessoas que se autodenominam cristãs têm creditado como esperança de ano novo. Recentemente, em uma rádio dita evangélica, escutei a seguinte entrevista: “- O que você conseguiu?” (pergunta o locutor). “- Eu nunca tive um carro e consegui nessa campanha” (fala o entrevistado). A programação continuou e as pessoas começaram a dizer que não tinham casa e conseguiram-na, não tinham uma empresa e conseguiram-na etc.
Esse tipo de programa confronta, de maneira muito clara, a “programação” apostólica, pois os discípulos tinham tudo e Jesus disse que eles iriam perder tudo nessa vida para ganhar na vida vindoura: “E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe ou mulher, ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais e herdará a vida eterna” (Mt 19:29). Na vida eterna!
Jesus confronta o jovem rico dizendo a ele para doar tudo e receber um tesouro que está nos céus: “Ouvindo-o Jesus, disse-lhe: Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me” ( Lc 18.22 ).
A Bíblia fala de recompensas celestiais, eternas, enquanto muitos procuram bênçãos terrenas.  Enquanto a Palavra de Deus fala de Novos Céus e Nova terra, as pessoas estão querendo transformar, já no presente, esse mundo caído em um paraíso antropocêntrico: mansões, casas, carros, dinheiro etc.
No Evangelho de João, Jesus fala sobre a Sua ressurreição e aparecimento aos discípulos: “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram” (Jo 20.29). 
Nitidamente, o Evangelho autêntico privilegia a fé que crê apesar das aparências. Contudo, um novo evangelho tem sido pregado, o evangelho que prima pela aparência, pelos sinais, prodígios. O “evangelho” contemporâneo tem enfatizado as sensações, sentimentos e os sentidos humanos: audição, visão, olfato, tátil – é a sinestesia da fé! Uma fé que precisa ser provada pelo Criador dela. A fé contemporânea tenta colocar Deus em cheque: “Mostre poder, maravilhas, riquezas ao seu povo!”. Entretanto, Jesus disse: “Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas. E, deixando-os, retirou-se” (Mt 16.4). 
Talvez esse contraste, que ora apresentamos, seja chover no molhado, pois é muito claro o distanciamento desse tipo de mensagem hodierna do Evangelho de Jesus. O evangelho pregado por alguns pregadores modernos é um evangelho capitalista selvagem.
Entretanto, onde ficam as igrejas históricas nisso tudo? Onde ficam os crentes herdeiros da reforma protestante? Onde você fica nisso tudo? Caro irmão, amigo, se você apenas projetou para o próximo ano a compra de um carro novo, casa, troca de emprego, viagens etc., você não é tão diferente das pessoas que fazem correntes de fé e que tentam acorrentar Deus em seus desejos mundanos: “pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres” (Tg 4.3). Talvez você seja diferente na forma, mas não na essência.
Ah, queridos! Que bom será se pudermos falar, nesse ano, ao sermos perguntados sobre o que ganhamos nesse ano, que aumentamos a fé; humilhamos nosso orgulho; estamos mais comprometidos com Deus e com a igreja local; doamos mais nossa vida e bens para o próximo e ao serviço a Deus; glorificamos a Deus nos sofrimentos pelo seu nome; temos guardado a fé que foi entregue de uma vez só aos santos. Temos acumulado autonegação e fitado os olhos em Cristo. Temos pensado nas coisas lá do alto! Estamos prontos, Senhor, para sua volta! Estamos prontos para sermos levados! Temos amado mais a Deus e ao próximo!
Não se esqueçam da mulher de Ló! Não se deixem enganar pelas festas e pelas guloseimas do mundo, pois nos tempos de Noé eles comiam, bebiam e se davam em casamento! (Mt 24.37,38). Lembrem-se de que os gentios é que buscam comida, roupa, riquezas do mundo. “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal” (Mt 6. 31-34).
Lembremo-nos sempre que a fé é racional e, por muitas vezes, suprarracional. Ela perpassa toda a nossa vida e faz parte do nosso ser, pois ela modifica a nossa percepção, a nossa cosmovisão. Portanto ela é real. Mas, como disse o apóstolo Paulo, ela não é de todos! “Finalmente, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague e seja glorificada, como também está acontecendo entre vós; e para que sejamos livres dos homens perversos e maus; porque a fé não é de todos(2 Ts 3.1, 2).
Feliz ano novo! Bons projetos!
Rev. Ricardo Rios Melo








2 comentários:

Leandro Andrade disse...

Parabens meu irmão, muito bom esse texto.

Rev. Ricardo Rios Melo disse...

obrigado Leandro! abraços!