sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Onde você passará o réveillon?

Reveillon - Queima de fogos em Copacabana - Rio de Janeiro
Foto: Rio Convention & Visitors Bureau

Onde você passará o réveillon?

Essa pergunta é feita com freqüência nesses dias que antecedem o fim de ano: onde passaremos o réveillon? A palavra réveillon é derivada da palavra francesa réveiller, que significa despertar. Portanto, a pergunta ao pé da letra seria: onde você despertará?

A comemoração desse dia remonta a tradição romana que “tem origem num decreto do governador romano Júlio César. Ele fixou o 1º de janeiro como o Dia do Ano-Novo, em 46 a.C. Os romanos dedicavam esse dia a Jano, o deus dos portões. O mês de Janeiro deriva do nome de Jano, que tinha duas faces: uma voltada para frente e a outra para trás”.[1]

Hoje essa data é marcada por simbolismos e superstições: usar o branco, por exemplo, como o símbolo da paz. Contudo, se isso desse certo, era só pedir para todos os exércitos do mundo vestirem-se de branco para se ter a paz mundial. Todos os anos, as pessoas se vestem de branco e proclamam a paz, regadas a champanhe. Mas, no dia seguinte ou até na própria noite, já se pode perceber que isso não é eficaz.

Abram de Graaf fala com propriedade sobre a situação desse mundo caótico e que desconhece a paz: “Assim é a situação no mundo, irmãos. A paz do mundo é uma mentira. O mundo fala sobre paz, mas planeja maldade; não há justiça e por causa disso não há paz neste mundo, e nunca haverá, se depender do homem. Nem no mundo, nem nas igrejas, nem nas casas. A verdadeira paz não vem do homem, a história do mundo já provou isso; a verdadeira paz vem do Senhor”.[2]

No réveillon, além de proclamarem a paz e fazerem e praticarem vários tipos de atos místicos e sem sentido, as pessoas fazem projetos que nunca irão cumprir: mudança de comportamento, parar de fumar ou de beber, emagrecer etc. É o ano da mudança!

Querido, não tenhamos a ilusão de que as coisas mudarão apenas porque o ano é novo, pois se você continuar o mesmo, o ano será velho.

Acredito que a pergunta para esse fim de ano é essa: como você passará o ano novo? Poderíamos ser mais precisos: você despertará no ano novo? Se você já é cristão, será que se despertará para uma vida de santidade e trabalho? Será mais ativo na igreja e fora dela ou continuará dormindo?

Se você não é crente, a pergunta é essa: você sabe onde despertará? Parece uma pergunta apelativa, mas, pense comigo, assim como os anos passam e os dias correm, nossas vidas estão se esvaindo por entre nossos dedos. Não temos controle do tempo, portanto, melhor que saber sobre onde passaremos o réveillon, é saber se despertaremos bem: céu ou inferno.

Faça um ano diferente, sem mentiras para si mesmo: desperte desse sono mórbido.

“Mas todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo que se manifesta é luz. Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor” (Ef 5. 13-17).

Rev. Ricardo Rios Melo

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

“Deixa a vida me levar”


“Deixa a vida me levar”

Esse é o refrão de uma música famosa do cantor e compositor Zeca Pagodinho. Como é de costume no Brasil, o ilustre artista retrata parte de sua vida e maneira de viver. Ele diz: “Eu já passei por quase tudo nessa vida; em matéria de guarida, espero ainda a minha vez. Confesso que sou de origem pobre, mas meu coração é nobre. Foi assim que Deus me fez... E deixa a vida me levar, (Vida leva eu!), Deixa a vida me levar, (Vida leva eu!) Deixa a vida me levar (Vida leva eu!). Sou feliz e agradeço Por tudo que Deus me deu... Só posso levantar as mãos pro céu Agradecer e ser fiel Ao destino que Deus me deu Se não tenho tudo que preciso com o que tenho, vivo De mansinho lá vou eu... Se a coisa não sai do jeito que eu quero, também não me desespero, o negócio é deixar rolar; e aos trancos e barrancos Lá vou eu! E sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu... Deixa a vida me levar (.repete o refrão)”.

Essa música é bastante interessante. Ela retrata a crença popular brasileira de origem Católica Apostólica Romana. Contudo, como é comum no Brasil, aceita-se partes do dogma e nega-se aquilo que confronta a própria experiência do indivíduo.

Na música de Zeca Pagodinho, ao mesmo tempo em que se credita a Deus o destino vivido, há um conflito, acredito que sem intenção, com a forma deísta de pensar.

Os deístas acreditavam que se poderia chegar a conhecer a Deus pela razão e não era necessário abraçar igreja ou religião alguma para se chegar a Deus. Também acreditavam que Deus não intervém e, muito menos, dirige a história humana. Cada homem decide seu caminho por intermédio de sua razão. Filósofos famosos, como Voltaire (1694-1778), acreditavam nessa corrente.

A música do compositor brasileiro Zeca Pagodinho certamente não teve a intenção de nos criar esse dilema. O fato é que todos nós somos influenciados por algum pensamento ou por vários pensamentos ao longo de nossa história. Nós somos seres de uma época e cultura que interagem passiva e ativamente com o meio. Portanto, é impossível alguém ter um pensamento só seu. É mais provável que ele não saiba quem foi que o influenciou. Até os opositores de um pensamento tomam por base o pensamento que existe para se oporem.

Poderíamos pensar nessa música por outro ângulo. Seria ela determinista? “Só posso levantar as mãos pro céu Agradecer e ser fiel Ao destino que Deus me deu”. Bom, essa parte da música parece bastante fatalista e devota ao mesmo tempo. Ela diz que o destino foi Deus quem Deus e que ele (o compositor) deve ser fiel ao destino dado.

O determinismo crê que todos os eventos, vontades, acontecimentos são determinados, ou melhor, causados por leis mecânicas. Kant foi o mais moderno filósofo a usar essa terminologia. Ele não pretendia estabelecer uma ordem finalística. Não é um busca da resposta final, mas da causa; da origem que determinou o fenômeno. Tecnicamente falando, seria “1º ação condicionante ou necessitante de uma causa ou de um grupo de causas; 2º a doutrina que reconhece a universalidade do principio causal e portanto admite também a determinação necessária das ações humanas a partir de seus motivos.”[1]

Já o fatalismo crê que, mesmo que se evite a causa, não se poderá mudar o fim da história. No fatalismo, temos que aceitar os fatos como eles são e de maneira resignada. Dentro dessa perspectiva, poderíamos classificar parte da música supracitada como sendo fatalista. O compositor diz que deve apenas levantar as mãos para o céu e agradecer o destino que Deus lhe deu.

Concluamos esta despretensiosa avaliação crítica da música. O autor nos leva a inferir que ele crê em um Deus que determinou todas as coisas boas e más da vida dele, por isso se a vida está levando-o para determinada situação, a única coisa que ele deve fazer é agradecer pelos acontecimentos e as coisas boas e más que Deus lhe concedeu.

O autor acredita na bondade do seu coração “meu coração é nobre”. Fala sobre “os trancos e barrancos” que enfrenta na vida e canta “deixa a vida me levar, vida leva eu!”.

Querido, você pode ter achado uma bobagem fazer essa avaliação tão filosófica de uma canção popular. É claro que os compositores populares não estão pensando nas pressuposições filosóficas de sua pena. Nem tão pouco pretendem imprimir de maneira intencional comportamentos e estruturas de pensamento. Todavia, é isso que acontece.

Todos nós somos influenciados por algum tipo de pensamento e de comportamento. O problema é que poucas pessoas sabem disso. Estamos o tempo todo influenciado o meio e sendo influenciados pelo meio: família, sociedade, amigos, parentes, jornais, filmes, novelas etc.

O cristianismo não é determinista, pois acredita que Deus é quem governa o mundo. O determinismo fala que são as causas naturais que determinam a ação. O cristianismo diz que Deus governa o mundo que criou. Ele não intervém na história, ele é Senhor da história.

O cristianismo também não é fatalista. Segundo Bavinck, “A postura Cristã para com a ordem da criação nunca é um fatalismo; a astrologia é superstição vergonhosa. A providência de Deus não anula as causas secundárias ou a responsabilidade humana. O governo aponta para a meta final da providência: a perfeição do governo majestoso do Rei. Ainda que seja correto em certas ocasiões falar em “permissão” divina, esta não deve ser interpretada de tal maneira que negue a soberania ativa de Deus sobre o pecado e o juízo”.[2]

Bom queridos, todos nós somos influenciados por algum pensamento. Resta saber de você como tem vivido sua vida: deixando a vida te levar ou depositando sua vida na soberana vontade de Deus?

Você é um deísta, fatalista ou crê na divina providência?

Queridos, não deixem a vida te levar! Saibam a origem dos pensamentos que você pensa que são seus.

“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28).

Rev. Ricardo Rios Melo





[1] ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia, 4ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000, p. 245.

sábado, 28 de novembro de 2009

“Vidas Secas”

Cena do filme Vidas Secas (1963), dirigido por Nelson Pereira dos Santos

“Vidas Secas”

Esse nome é derivado da obra literária de Graciliano Ramos (1892-1953), romance que conta a saga de Fabiano e sua família para sobreviver em meio à seca do sertão e da desigualdade do Brasil e, principalmente, da carga sofrida pelo nordeste brasileiro.

Fabiano e sua família: Sinhá Vitória, o menino mais velho, o menino mais novo e a cachorra Baleia; esses são os personagens principais de uma história de injustiça social. Eles passam tamanha fome e miséria, que precisam sacrificar o papagaio de estimação para se alimentar.

Essa realidade romanceada tem sido contada de maneira vívida pela humanidade. Desde o início, o homem tem vivido uma vida seca. O momento que secou a fonte de água que mata a sede foi no dia em que o homem se rebelou contra seu criador. Repare o texto: “Ela produzirá também cardos (espinhos) e abrolhos (espinhos), e tu comerás a erva do campo” (Gn 3.18). Após a queda do homem, a terra sofreu também pelo pecado do homem que antes deveria cuidar dela: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra” (Gn 1.26). Esse domínio era cultivo e governo. O homem deveria cultivar a terra e dominá-la, contudo, não era um domínio despótico e irresponsável. O homem é colocado como vice-regente de toda criação. O cuidado dele estava debaixo do cuidado divino.

A harmonia desse cuidado foi quebrada pelo pecado e pela maldade que entra no homem e que se multiplica: “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração”; (Gn 6.5). Em Gênesis 9.2, o texto acrescenta as palavras: pavor (terror) e medo (terror): “Pavor e medo de vós virão sobre todos os animais da terra e sobre todas as aves dos céus; tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar nas vossas mãos serão entregues”. Vejamos que o texto fala de maneira clara que os animais terão medo do homem; ficarão aterrorizados com o homem. Apavorados e aterrados pelos seus cuidadores.

É isso que o pecado faz. Ele muda a ordem natural que Deus fez. Deus colocou o homem como Seu mordomo. Ele deveria cuidar, cultivar e reger de maneira santa toda a criação. Mas, com a entrada do pecado no coração humano, tudo é modificado para pior.

O livro de Graciliano Ramos fala de desigualdades no Brasil de 1938. De lá para cá, muita coisa mudou e até melhorou, contudo a desigualdade, não só no Brasil, ainda persiste. Pessoas, ainda hoje, passam fome em um mundo tão avançado tecnologicamente. Nesse Brasil varonil, ainda há injustiça social. No mundo todo, no ano de 2008, pelas estimativas das Nações Unidas, cerca de 963 milhões de pessoas passaram fome todos os dias.[1]

A história de Fabiano, sua família e seu cachorro está longe de ser um romance. É um retrato da seca que o homem vive. Não uma seca da terra onde pisamos, mais uma seca da terra do coração.

As injustiças sociais não são um retrato apenas de políticas públicas, pois essas políticas são elaboradas por homens. Se esses homens estiverem com seus corações secos, não produzirão frutos. Continuarão a legislarem em causa própria e a Fome Zero será apenas um bonito slogan.

“De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?” (Tg 4.1). Guerras, contendas, fomes, miséria, injustiças, desigualdades, egoísmo, avareza; tudo isso procede do coração do homem em seca.

Amado, a substância água poderá matar a sede do corpo, mas só Jesus sacia a sede da alma: “Afirmou-lhe Jesus: Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” Jo (4.13, 14).

Não tenha uma vida seca! Venha a Jesus! Pois Ele garante, “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” (Jo 7.38).

Em Cristo,

Rev. Ricardo Rios Melo

sábado, 24 de outubro de 2009

Fiel em Portugal ao vivo pela net

Conferência de Portugal
Conferência de Portugal

A Editora Fiel traz a você a oportunidade de acompanhar na integra e ao vivo as palestras da 9ª Conferência Fiel em Portugal.

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A sutileza do engano

A sutileza do engano

Como é interessante percebermos que o engano é sutil; ele vem de mansinho e consome nossas vidas aos poucos. É na sutileza da mentira que as pessoas caem. Ninguém cairia em uma mentira se ela fosse algo incoerente com a realidade. Por isso, para que uma mentira seja aceita, ela precisa ser bem próxima da verdade; precisa ser uma distorção da verdade para que possa enganar.

Existem vários enganos em nossos dias. Um desses enganos é pensarmos que viveremos para sempre nessa terra de pecado. Viveremos nessa terra, sim! Mas, ela será restaurada (Rm 8.20,21).

Deus nos promete tesouros. Contudo, esses tesouros são os dos céus. Nossa maior riqueza na terra não vale um tostão em relação aos tesouros dos céus: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam” (Mt 6. 19,20).

Muitos estão buscando os bens da terra e vivendo como se não houvesse o dia do juízo. Combatemos muito o evangelho da prosperidade, mas muitos protestantes tradicionais vivem para seu próprio desfrute. Não pensam no próximo e menos ainda em Deus.

Hoje, para termos uma idéia, em determinadas igrejas, precisamos quase que implorar para alguém trabalhar na igreja. As pessoas estão tão ocupadas com pós-graduações, mestrados, doutorados, pós-doutorados, viagens, passeios, trabalho etc., que não têm tempo nem de se dedicarem à igreja e, menos ainda, às devocionais diárias em suas casas. Todas essas coisas são lícitas, desde que Deus esteja em primeiro lugar.

O diabo plantou uma mentira no crente moderno: de que nós é que conseguimos as coisas. Muitos pensam que o fato de se dedicarem todo o tempo ao trabalho vai fazê-los conseguir galgar sucesso profissional. É verdade que precisamos estudar e nos aprimorar em nossas profissões. É verdade que Deus não honra o preguiçoso, contudo devemos ter cuidado de não creditarmos a nós o nosso sucesso profissional. Contudo, você me dirá: “eu não faço isso!” Bem, viver sem tempo para Deus no dia-a-dia e na igreja é afirmar que Ele não é importante para o nosso sucesso. Quando Martinho Lutero tinha muito trabalho para fazer em um dia, diz os biógrafos dele, ele acordava mais cedo para orar, pois o diabo teria mais tempo para tentá-lo. E você? Como você administra seu tempo? Se Deus, por um segundo, pudesse deixar de cuidar de nós, o que aconteceria com nossas vidas?

O engano e o enganador são ardilosos. Eles começaram a dizer a você que não há problema faltar um, dois, três, quatro domingos ou mais. Aliás, diz o enganado, “eu sou o templo do Espírito e não preciso ser crente só na igreja”. Tolo! Esse engano já foi desmascarado em Hebreus 10.25: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima”. Quantos já caíram nesse engodo! Pensaram que eram fortes sozinhos! E, quando caíram, já não tinham ninguém ao lado para dar a mão, pois estavam sozinhos. É verdade que a salvação é individual, mas a “igreja é a Escola da santidade”.

Spurgeon nos alerta: “Deveríamos ter as nossas igrejas muito ocupadas para Deus. Qual a utilidade de uma igreja que se reúne unicamente para ouvir sermões, tal como uma família se reúne para tomar as suas refeições? Qual o proveito, digo eu, se ela não realiza trabalho algum? Não é triste que haja tantos crentes indolentes no trabalho do Senhor, ainda que nos seus próprios trabalhos sejam bastante zelosos? É por causa da ociosidade dos crentes que se houve falar tanto da necessidade de entretenimentos e de toda a espécie de disparates. Se eles estivessem trabalhando para o Senhor Jesus não ouviríamos falar disto. Uma boa mulher perguntou a uma dona-de-casa: ‘como você se diverte?’, ao que a outra respondeu: ‘Bem, tenho muitos filhos e, por isso, tenho muito que fazer’. ‘Sim’, disse a outra, ‘vejo isso. Observo que há muito que fazer em sua casa; mas como você nunca faz, estou curiosa para descobrir o que você faz para se divertir’. Há muita coisa a ser feita por uma igreja cristã. Dentro do próprio templo, na vizinhança, pelo pobres, pelo mundo descrente, etc. se entendermos bem isso, as nossas mentes ficarão ocupadas, assim como os nossos corações, as nossas mãos e as nossas línguas, e desta maneira não haverá necessidade de diversões. Se deixarmos que ociosidade penetre, bem como o espírito que dirige pessoas preguiçosas, sentiremos imediatamente um desejo de divertimento. E que divertimentos! Se a religião em si não é uma farsa para certas congregações, pelo menos a tendência é de parecer em maior número para assistir uma farsa qualquer do que para orar. Não posso compreender isso. O homem que tem grande amor por Jesus tem pouca necessidade de se divertir. Nem sequer tem tempo para ninharias. Para ele, mais importante é salvar almas, anunciar a verdade e alargar o reino do seu Senhor. (...) Irmãos, carecemos de igrejas que produzam santos: homens de fé poderosa e oração persistente, homens de vidas santas, homens cheios do Espírito Santo” (Charles H. Spurgeon, A Maior Luta do Mundo, São Paulo, FIEL, 1995, 53,54).

Não podemos acreditar que Spurgeon ou qualquer servo de Deus seja contra a diversão, não! O que devemos ter em mente é que até a nossa diversão deve passar pela pergunta: glorifica a Deus? Eu estou deixando de fazer a obra do Senhor para me divertir? Perguntas difíceis, não acha? Imagine Paulo dizendo para o Senhor que não poderia ir ao culto da noite porque tinha jogo de futebol para assistir. Imaginou? Spurgeon condena o entretenimento na igreja como modelo de atração dos crentes. Os crentes devem ser atraídos pela voz do bom Pastor! E não por firulas pragmáticas.

Jogar bola ou fazer qualquer outra atividade de diversão lícita para Senhor não é pecado! O problema é colocá-las à frente de Deus: Então, aproximando-se dele um escriba, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores. Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. E outro dos discípulos lhe disse: Senhor, permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Replicou-lhe, porém, Jesus: Segue-me, e deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos” (Mt 8.19-22).

No evangelho de Lucas, Deus nos adverte de maneira severa: Ele, porém, respondeu: Certo homem deu uma grande ceia e convidou muitos. À hora da ceia, enviou o seu servo para avisar aos convidados: Vinde, porque tudo já está preparado. Não obstante, todos, à uma, começaram a escusar-se. Disse o primeiro: Comprei um campo e preciso ir vê-lo; rogo-te que me tenhas por escusado. Outro disse: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te que me tenhas por escusado. E outro disse: Casei-me e, por isso, não posso ir. Voltando o servo, tudo contou ao seu senhor. Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. Depois, lhe disse o servo: Senhor, feito está como mandaste, e ainda há lugar. Respondeu-lhe o senhor: Sai pelos caminhos e atalhos e obriga a todos a entrar, para que fique cheia a minha casa. Porque vos declaro que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia” (Lc 14. 16-24).

Deus não chama desocupados. Porém, os que estão ocupados para ele poderão amargar a rejeição eterna: Porque vos declaro que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia” (Lc 14.24).

“É melhor coxear pelo caminho do que avançar a grandes passos fora dele. Pois quem coxea no caminho, ainda que avance pouco, atem-se à meta, enquanto quem vai fora dele, quanto mais corre, mais se afasta." [Agostinho de Hipona ]

Rev. Ricardo Rios Melo

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Importa padecer – uma breve visão da morte para os crentes

Importa padecer – uma breve visão da morte para os crentes
“pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome”. Atos 9.16
Existe um chiste que diz: “todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer”. Essa piadinha mostra algo implícito nas pessoas: o apego à vida. Se pensarmos que o apego à vida é natural, e o é de fato, perceberemos que se alguém falar com você que quer morrer, você dirá: “essa pessoa está sofrendo de depressão” ou de algum distúrbio, pois todos querem viver.
A morte é desastrosa na história humana e, segundo Gênesis, passou a existir após o pecado de Adão. Por isso, o apego a vida é natural. Não era para morremos. Não é da natureza original do homem morrer, pois, na gênese humana, Deus nos criou para vivermos eternamente. Contudo, a natureza caída do homem passou a conviver com a morte. Nesse caso, se pensarmos em natural, poder-se-ia dizer que o homem natural, como descreve a Bíblia, já convive com a morte desde o seu nascimento. Ele nasce sabendo que vai morrer. Existe um consenso que diz: “a coisa mais certa da vida é a morte”.
Saber que a morte é algo certo não significa dizer que o homem perdeu o senso eterno, ou senso de eternidade, a sensação de que a morte é algo trágico, desnecessário, angustiante e até mesmo evitável. Não fosse assim, por que avançar tanto na medicina? Não seria a medicina uma tentativa de eternizar o homem? Se aceitássemos a morte como inevitável e necessária, não investiríamos tanto para alcançar a longevidade da vida.
A medicina é algo fantástico. Os avanços na biologia, genética, nas ciências que cuidam do corpo humano em geral, são magníficos. Isso tudo é bom e deve continuar. Mas, não seriam esses estudos uma tentativa de imortalizar o homem? Se aceitássemos tão prontamente a morte, não era mais fácil deixar as pessoas morrerem?
Bom, não é isso que acontece. Não deixamos as pessoas morrerem, pois nós mesmos não queremos morrer. Lutamos desesperadamente para nos mantermos vivos eternamente.
A visão cética do mundo diz que viraremos adubo e se utiliza da máxima: “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” de Antoine Lavoisier. A própria concepção materialista científica, usada primariamente por Gottfried Wilhelm Von Leibniz (apesar de religioso e acreditar na espiritualidade), reduz, em seus conceitos científicos, tudo à matéria, culminando em um reducionismo. Reducionismo esse que foi esboçado desde a filosofia pré-socrática e que não se coaduna com a própria ontologia humana. A história derruba a tese que enxerga o homem da mesma forma como enxerga um adubo e que o reduz a simples matéria.
Talvez essa afirmação seja dura contra os que enxergam a morte como algo da natureza e, portanto, vêem o ciclo da vida e morte como um processo natural, permanente e, portanto, inevitável. Entretanto, é a conclusão lógica. Se entendermos o homem como mais um componente da natureza, não contemplaremos toda complexidade do ser humano; inclusive, sua luta por viver.
Talvez a tese de Charles Darwin pudesse responder à questão da luta pela vida ou apego à vida como um processo natural da luta da sobrevivência da espécie que precisa modificar o meio e a si próprio para adaptar-se e garantir a vida. Entretanto, essa tese não foi suficiente para confortar o coração de Darwin no leito de sua morte. Alguns dizem que uma cristã por nome Lady Hope esteve no leito de morte do evolucionista e testemunhou sua reconciliação com Jesus. Bom, se isso é verdade? Muitos acham improvável, outros acham impossível. Há quem diga que é apenas uma lenda criada pelos criacionistas. O fato é que Darwin era filho de protestantes e estudou teologia, portanto não seria loucura afirmar isso. Conquanto isso seja verdadeiro, não anula sua teoria para seus seguidores e, muito menos, para nós cristãos que a rejeitamos. Se Darwin se converteu, ou não, não importa para o debate da origem da vida. O que importa é que se alguém morre acreditando em sua teoria, morre sabendo que virará adubo. Tudo que a pessoa tenha feito no mundo não servirá para nada. Sua existência é comparada a uma folha que murcha e cai. Sua existência é sem sentido. Nascemos, crescemos, procriamos e morremos para adubar a terra e manter o tal do ciclo da vida.
Como confortaríamos alguém que perdeu um ente querido: “não se preocupe, agora ele já está em estado de decomposição e servirá para nutrir as plantas e árvores que estão acima dele” ou “isso faz parte da evolução”. Percebem que tristeza?
Outro fato que devemos levantar é que os conceitos morais e a forma como vivemos no presente dependem muito de como enxergamos a morte e a vida. Vejamos o caso da violência: quanto menos medo da morte as pessoas têm, mais violentas elas se tornam, pois não têm o que perder. Aliás, essa a é frase que os assassinos e ladrões usam muito: “não tenho nada a perder”.
Alguém poderá objetar essa idéia e dizer que muitos ateus dão mais exemplos de vida moral e correta do que alguns que professam ser cristãos. É verdade! Acontece essa lástima há muito. Contudo, viver uma vida moral baseada em princípios evolucionistas e ateus é completamente antagônico e muito mais coerente com o capitalismo selvagem e com o egoísmo, pois a idéia da evolução é: “que vença o mais forte”.
A idéia de casamento ocidental e de fidelidade é claramente cristã. Mesmo que entremos em discussões antropológicas, veremos que não há sentido na fidelidade se formos pelo viés da zoologia, pelo menos em alguns estudos que identificam que a fidelidade entre alguns animais é momentânea e apenas para procriação. Alguns estudiosos chegam a falar de uma Promiscuidade Primitiva e em uma sociedade matriarcal, onde só poderíamos saber a filiação de alguém por intermédio da mãe, ou seja, não se poderia identificar o pai.
“A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”, de Friedrich Engels, diz que a família é uma criação capitalista para manter o capital concentrado e a propriedade. Sendo assim, não há sentido em termos família, não acham?
Viver sem uma boa perspectiva da vida e da morte é fatal para a esperança em uma sociedade melhor. O apóstolo Paulo resume essa idéia da seguinte forma em 1 Co 15, 14, 17-19, 32: “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé; (...) E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. (...) Se, como homem, lutei em Éfeso com feras, que me aproveita isso? Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos, que amanhã morreremos”. Paulo é coerente, pois, sem Cristo e a garantia de ressurreição, não há sentido em viver retamente.
O que fez Paulo e os apóstolos padecerem pelo nome de Cristo, sofrerem perseguições e enfrentarem os tribunais e as dores não foi a certeza da morte, mas certeza da vida eterna e da ressurreição.
Quando Cristo chamou Paulo para padecer, Paulo sabia que sofreria, mas só o fato da certeza da vida eterna fez com que qualquer dor parecesse nada em comparação à sublime glória a ser revelada em Cristo. “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1 Co 15.55).
Quando entendemos que a morte é uma punição e que em Cristo temos absolvição de nossos pecados e o livramento da morte, ela já não é significativa para nós, pois ela representa que: 1) no tempo presente, devemos viver para agradar a Deus; 2) os sofrimentos são passageiros e incomparáveis com a vida eterna; 3) a morte, no presente, para os crentes, é o Pai chamando seus filhos para descansarem do labor terreno; 4) os que estão em Cristo não morrem, mas vivem eternamente; 5) consolamos os nossos queridos com a certeza de que os que morrem em Cristo estão bem melhor do que nós: “Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (Fp 1:23). Portanto, nossos amados que partiram nos deixaram saudades e uma dor que só o Espírito pode consolar, contudo, longe estão dos sofrimentos e de serem considerados coitados e infelizes, pois estão nos braços do Pai que nos ama mais do que qualquer amor que sequer imaginemos. Afinal “Preciosa é aos olhos do SENHOR a morte dos seus santos”. (Sl 116.15) .
A morte nos ensina mais uma coisa, que não era para ela existir. Ela sempre aponta para o início e não para fim. Ao olharmos a morte de alguém, devemos lembrar que é na gênese humana que ela acontece. E na desobediência do homem que ela passa a existir e, portanto, é um instrumento de punição que também terá um fim: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Ap 21.4).
Queridos, padecer no tempo, por mais doloroso que seja, não pode ser comparado com a vida eterna em Cristo. “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8.18).
Maranata, vem Senhor Jesus!
Rev. Ricardo Rios Melo

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Conferência ao Vivo
Conferência ao Vivo


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*Horário de Brasília.

Horários 25ª Conerência



sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Entre os cravos e a pompa

Entre os cravos e a pompa

Há um cheiro de morte no ar. As luzes já não são tão luminosas assim. O sol é arrefecido por nuvens escuras e o silêncio mórbido e agonizante só é rompido por um brado: “(...) Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46).

Esse brado não é feito a qualquer um, é dirigido ao Seu Pai. Sua vida nunca foi fácil. Em seu nascimento, foi acolhido pela desprovida e singela manjedoura. Seus pais terrenos não foram reis ou gente muito poderosa. Foi perseguido pelo ódio dos homens antes mesmo de nascer, mas foi os braços de sua mãe que o fizeram aquecer.

A infância não o presenteou com as regalias dos bem afortunados, mas, com uma vida simples. Contudo, nem os mais sábios de sua época puderam negar a sapiência de suas palavras; tiveram que ouvir um menino que fala como mestre, pois o era de fato.

Feito homem, e homem feito, não usou de seu direito, pois “antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana” (Fp 2.7). Foi levado ao deserto. Tentado pelo tentador.

Sua vida foi marcada pelo amor. Sua paga? Foram os pregos. Seu salário? A rejeição de muitos. Seu reconhecimento? Foi ser trocado por um ladrão. Enxugou as lágrimas de muitos; consolou, amou os seus até o fim e por eles se entregou. Pois, apesar de parecer frágil e desamparado, só ele tinha autoridade de entregar sua vida nas mãos dos seus algozes: “Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai” (Jo 10.18).

Seus detratores, carrascos, pensaram que tinham o poder de ceifar sua vida e estavam “matando” o autor da vida. Feriram seu corpo. Esbofetearam seu rosto. Cuspiram. Açoitaram-no com chicotes. Repartiram suas vestes. Blasfemas ouviu: “Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se. É rei de Israel! Desça da cruz, e creremos nele” (Mt 27.42).

Aos seus discípulos, ele determinou que fossem simples como Ele e não carregassem nem alforje: “Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre nos vossos cintos; nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de sandálias, nem de bordão; porque digno é o trabalhador do seu alimento”. Deveriam buscar a frugalidade e confiar na provisão divina: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam” (Mt 6.19-20).

Hoje, ah, hoje! Os seus autodenominados discípulos já trocaram Sua glória eterna por trinta moedas de prata (Mt 27.3-11). A benção eterna foi trocada por um prato de lentilha. Ao invés de carregarem a cruz, como ele disse: “Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24), querem carregar a sacola das moedas e buscam o próprio ventre.

Jesus falava de renuncia e entrou na cidade em um jumentinho. Hoje seus “discípulos” andam em jatinhos e carregam fortunas em suas “sacolas”.

Jesus dizia para não amarmos o mundo e as coisas do mundo: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1 Jo 15-17). Hoje, os novos discípulos de Jesus acumulam riquezas, pecados, concupiscências e buscam cada vez mais conforto na terra para viverem melhor nesse mundo perdido.

Enquanto os discípulos da época de Jesus anelavam por Sua vinda e O esperavam com alegre expectativa: “Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente, venho sem demora. Amém! Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20), os atuais discípulos não querem que Ele venha e acabe com sua “mordomia”.

Paulo achou incomparável morrer e estar com Cristo: “Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (Fp 1.23). Hoje, os novos discípulos querem viver eternamente na terra e se fartar da comida do Egito.

Os apóstolos sofreram pelo nome de Jesus. Hoje os novos discípulos pregam vitórias financeiras e terrenas; regalias na terra. Procuram a auto-estima ao invés da imagem de Deus e a mente de Cristo. Procuram pretensos direitos junto ao Pai. A graça de Deus, para esses novos discípulos, não basta.

Entre os cravos da cruz, a coroa de espinho e a vida de sofrimento e autonegação, os novos discípulos escolheram a pompa do mundo, coroa de ouro, camas fofas e vida mansa e sem compromisso.

A despeito dos novos discípulos viverem suas vidas sem atentarem para a eternidade, a advertência continua e será sempre atual: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mc 8.36).

“Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna” (Jo 12.25).

“Quem quiser preservar a sua vida perdê-la-á; e quem a perder de fato a salvará” (Lc 17:33).

E você, o que tem em suas mãos, os cravos e as marcas da cruz e de sua autonegação ou a marca fatal do mundo? Estamos entre dois opostos irreconciliáveis: ou amamos o Cristo da Cruz ou seremos iludidos pela pompa passageira do mundo. Você poderá dizer: “Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te” (Lc 12.19). Mas, terá que se preparar para ouvir de Deus: “Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus” (Lc 12.20, 21).

Que Deus craveje seu coração!

Rev. Ricardo Rios Melo

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

NEM SIM, NEM NÃO: TALVEZ

Política Brasileira

NEM SIM, NEM NÃO: TALVEZ **

Ives Gandra da Silva Martins (*)

Discute-se, na Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, a ermissão ou não da entrada da Venezuela no MERCOSUL. Se a Venezuela for admitida, poderá impugnar qualquer deliberação da União Aduaneira, no que diz respeito ao próprio MERCOSUL, assim como impugnar acordos com terceiros países de qualquer uma das nações signatárias. Aliada do Irã, poderia, por exemplo, se já fizesse parte do MERCOSUL, opor-se, mediante o direito de veto (falta de consenso), ao acordo que o Brasil está firmando com Israel.

Na audiência pública da qual o Ministro Celso Lafer e eu fomos convidados a participar, ambos mostramos a necessidade de maior aprofundamento no conhecimento da realidade venezuelana atual, antes de o Senado Federal avalizar a entrada daquele país no bloco.

Apresentei, pessoalmente, questões de natureza econômica, política, jurídica e técnica. Economicamente, reconheço que os superávits da balança comercial com a Venezuela, em face do acordo que temos até 2011, são expressivos. São superávits que foram obtidos, sem necessidade de a Venezuela ingressar no MERCOSUL. E são superávits inferiores àqueles que conseguiram os Estados Unidos, objeto principal das críticas de Chávez, e Colômbia, país não dos mais simpáticos para o líder bolivariano. O argumento, portanto, carece de relevância, principalmente levando-se em consideração que a Confederação Nacional da Indústria e a Fecomercio de São Paulo vêem, ainda, com muitas restrições, o ingresso imediato da Venezuela, enquanto a instabilidade emocional do presidente Chávez continuar a repercutir na expropriação de empresas e críticas à economia de mercado. Os principais interessados no comércio externo são muito menos propensos ao imediato ingresso venezuelano do que os que argumentam com dados econômicos para justificá-lo.

Politicamente, a Venezuela é uma democracia formal, com cinco poderes, dos quais só dois são considerados relevantes: o popular e o executivo. O poder popular é normalmente convocado PELO EXECUTIVO e não pelo LEGISLATIVO, ou seja, sempre que o presidente deseja. A perseguição aos políticos que derrotaram Chávez em eleições regionais, a limitação do direito a comícios nos mesmos locais em que Chávez os fez e a perseguição aos meios de comunicação – que a principal entidade internacional da imprensa condena – estão a demonstrar, que, para uma real democracia, há uma longa caminhada a ser empreendida por aquele país.

Ora, o MERCOSUL apenas admite democracias reais como seus membros, tal como ocorre, aliás, na União Européia. Ora, o presidente Chávez, que declara ser a democracia cubana mais perfeita que a americana, está longe de compreender o que é uma democracia.

Do ponto de vista jurídico, se a Venezuela entrar no bloco, não só terá direito a opor-se ao consenso, podendo paralisar o MERCOSUL, como, o que é pior, a interferir nas relações bilaterais ou plurilaterais do Brasil condicionadas ao MERCOSUL, o que representará para o País uma preocupação a mais, dentre aquelas que já tem com os outros países do pacto de Assunção.

Por fim, do ponto de vista técnico, a Venezuela não concordou ainda com 169 das 783 normas que regem o espaço do Cone Sul, condição prévia para sua adesão, nem definiu a lista de produtos para a adoção da tarifa externa comum, como também não se manifestou sobre o cronograma de liberalização do comércio entre Brasil e Venezuela. Tampouco definiu as condições para não se opor a que o Brasil negocie com terceiros países. Em outras palavras, nada obstante ter havido algum avanço na reunião de Salvador do mês de Maio, entre o Presidente Lula e Chávez, os cronogramas dos grupos de trabalho criados desde 2005 não foram cumpridos até agora, exclusivamente por culpa da Venezuela. O argumento de que a Argentina e o Uruguai concordaram com a integração imediata, num momento em que Chávez estava fornecendo dinheiro à Argentina e energia ao Uruguai, não deve servir de parâmetro para o Brasil.

No dia de nossa audiência, após as manifestações dos Senadores Fernando Collor, Mozarildo Cavalcanti, Rosalba Ciarlini, Arthur Virgílio, Eduardo Azeredo e outros, o Senado Federal pareceu não ser contra o ingresso, mas entender que só poderá decidir, após a resposta de todos os requisitos técnicos, que desde 2005 a Venezuela não complementa. Por esta razão, minha posição naquela audiência de 09 de junho foi de que o Senado não deve dizer nem “sim”, nem “não”, mas “talvez”, deixando para apresentar seu veredicto final a partir do exame de todos estes elementos, que deverão ser enviados para sua análise em futuro não determinado.

(*) Professor Emérito da Universidade Mackenzie (São Paulo), autor de valiosos estudos jurídicos e de obras literárias de reconhecido valor o Dr. Ives Gandra é membro destacado da Academia Paulista de Letras

(**) Esse artigo foi retirado http://revistalusofonia.wordpress.com/2009/08/17/nem-sim-nem-nao-talvez/ acesso em 10/09/2009

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