sábado, 28 de abril de 2012

Igreja missionária, o que é isso?


Igreja missionária, o que é isso?

Fala-se muito em ser uma igreja missionária. Muitos dizem que para isso deve-se investir muito em missões transculturais. Se fizermos uma enquete na igreja sobre o que é uma igreja missionária, certamente alguém falará que a igreja precisa sustentar missionários espalhados pelos quatro cantos da terra. Contudo, será que essas definições são necessariamente a essência de uma igreja missionária? Gostaria de arrazoar com vocês sobre esse tema: o que é uma igreja missionária? O que ela precisa fazer para ser considerada missionária?
Em primeiro lugar, devemos entender que a palavra missões é um advento novo. Ela surge da compreensão da atitude evangelística apostólica no livro de Atos e dos Evangelhos. A expressão Missão não é encontrada no Novo Testamento, ela faz parte da compreensão do envio dos discípulos para testemunharem de Cristo, do tão conhecido Ide (em outra tradução: indo) de Jesus (Mt 28.19). 
Sendo assim, a igreja é chamada por Jesus para fazer discípulos de todas as nações. Dentro dessa característica, a Igreja estaria enquadrada primariamente em uma agência discipuladora.  A didaskalia é um dos objetivos da igreja.
O teólogo Carl J. Bosma nos alerta para a ênfase no ir e fazer discípulos; a ênfase é dupla: envio = missão + ensino = fazer discípulo. A ideia é que há uma ênfase dupla que não deve ser desassociada sob o risco da desobediência da ordem de Jesus. É preciso mudar a concepção propagada pela igreja hodierna ao enfatizar apenas um aspecto do texto: “Esta importante mudança mostra a centralidade do discipulado no Evangelho de Mateus e significa, em primeiro lugar, que, assim como os onze foram discipulados por Jesus, eles também devem apresentar outros ao Mestre (Mt 23.8,10). Uma vez que esse mandamento abrangente foi dirigido aos discípulos, e não aos apóstolos, requer-se de cada discípulo de Jesus que duplique a si mesmo. Trata-se de um processo dinâmico que implica em multiplicação”. (Carl J. Bosma, http://www.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/revista/Fides_v14_n1_artigo- 1.pdf.).
Ser uma igreja missionária não significa apenas enviar pessoas, mas, sobretudo, prepará-las para que elas possam preparar outras.
Deve-se desconfiar de toda e qualquer igreja que fale de missões onde não há ensino da Palavra e a própria conscientização de que ela é uma agência missionária no lugar onde reside. É incompreensível uma igreja ser missionária sem que evangelize o seu próprio bairro. Aliás, a igreja é feita de pessoas, portanto é incoerente se falar de missões transculturais ou locais sem entender que somos missionários no próprio bairro onde moramos e onde a igreja está situada. Nos dizeres de Bosma, somos “multiplicadores”.
Portanto, cabem algumas perguntas:
1.      O que significa fazer missões?
2.      Eu sou missionário? Como bem falava os antigos, “se você não é missionário, você é campo missionário”;
3.      Já que sou missionário, o que devo fazer? Ensinar: “ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28.20);
4.      Entender que o meu chamado de vir a Cristo implica ir e fazer discípulos! Dificilmente uma pessoa que não evangelize se preocupará em enviar outras.  
Queridos, uma igreja missionária é, antes de tudo, formada por membros missionários; discípulos que fazem discípulos e os envia para fazer mais e mais discípulos para multiplicar o Reino.
“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” Mt 28.19,20 .

Rev. Ricardo Rios Melo




2 comentários:

Sociedad de Amigos de las Misiones Mundiales disse...

Muito bom! bastante esclarecedor. Missoes nao é um programa, um departamento, um ministerio, um serviço social, etc....

Rev. Ricardo Rios Melo disse...

Obrigado irmão! Deus abençoe!