sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O preconceito do preconceito


O preconceito do preconceito
Rev. Ricardo Rios Melo
A idade moderna passou. Nós somos agora pós-modernos, mesmo que não entendamos o que seja isso. A geração X foi embora e estamos na geração Y.  Para que entendamos isso, vejamos a definição de Fernando Viana:

Pessoas que tem a habilidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo: falar ao telefone, escrever e-mails, baixar músicas e filmes na internet, conversar com várias pessoas nos programas de bate papo, ler jornais nos sites e ao mesmo tempo escrever um relatório sobre um projeto de trabalho. Este grupo é chamado por “Geração Y”, ou seja, são pessoas que nasceram no final da década de 70 até o início da década de 90, que têm idade entre 16 e 29 anos e, portanto, estão ligados à internet desde que nasceram e que, muitas vezes, possuem habilidades tecnológicas que superam às das gerações anteriores. Essa geração foi precedida por duas gerações de características bastante diferenciadas: a geração que foi chamada de “Baby Boomers” constituída por indivíduos que nasceram entre 1946 e 1965 e a “Geração X” constituída por indivíduos que nasceram entre 1966 e 1975 (...)[1]

A geração pós-moderna e a geração Y “assovia e chupa cana ao mesmo tempo”; talvez nem entendam esse adágio popular já que estão em outra esfera do tempo.
É uma geração que advoga o pluralismo, o discurso politicamente correto e, sobretudo, a quebra do preconceito. Entretanto, o que é um preconceito?
A definição do Aurélio é a seguinte: [De pre- + conceito.] S. m. 1. Conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos; idéia preconcebida.  2. Julgamento ou opinião formada sem se levar em conta o fato que os conteste; prejuízo.  3. P. ext. Superstição, crendice; prejuízo.  4. P. ext. Suspeita, intolerância, ódio irracional ou aversão a outras raças, credos, religiões etc.
A quarta significação relatada é a pior de todas, pois é “intolerância, ódio irracional ou aversão as outras raças, credos, religiões”. Esse tipo de preconceito poderia ser resumido como um ódio gratuito.
Inicialmente, gostaria de falar da etimologia da palavra preconceito. Ela é formada do prefixo pré que vem do latim prae o qual significa: anteriormente. A palavra conceito, oriunda do latim conceptu significa, dentre outras coisas, ação de formular uma idéia por meio de palavras; definição, caracterização, pensamento, idéia, opinião. 
A palavra na raiz, (pré + conceito =) preconceito, poderia significar uma opinião ou pensamento prévio sobre alguma coisa. Nesse sentido, todas as pessoas são preconceituosas, pois temos nossos juízos prévios sobre tudo e todos.
Para se estabelecer que o preconceito é ruim, precisamos ter um preconceito ou um juízo preconcebido sobre ele. Talvez esse preconceito tenha surgido em nossas mentes sem maiores aprofundamentos sobre o assunto, pois, via de regra, não nos aprofundamos sobre tudo, mas temos um juízo sobre tudo. Isso significa que temos um preconceito sobre quase todas as coisas relacionadas à vida, já que no mundo tão diverso e amplo não sabemos tudo de tudo, mas, pouco de pouco. Assim, somos altamente preconceituosos.
Portanto, quando alguém me chama de preconceituoso, pergunto sobre que prisma ou significação ele fala. Se ele disser que tenho um pré-julgamento sobre algo, está corretíssimo, pois ele mesmo precisou do preconceito dele para julgar se eu era preconceituoso. Mas, o que tem ocorrido em nossos tenebrosos dias é que quando não aceitamos alguma coisa ou não pensamos como a ditadura da maioria, somos tidos como preconceituosos dentro da quarta significação que lhes falei: ódio ao outro, perseguição. Isso é uma falácia e ditadura comportamental, pois quer impossibilitar que você pense diferente. Isso é estranho, pois, no mundo da pós-modernidade e da geração Y, em que a diversidade é ovacionada, porque não tenho direito de pensar diferente dos outros, entendeu? Exemplo: eu não fumo e acredito que o cigarro faz mal à saúde. Esse preconceito pode até ter sido elaborado por médicos e profissionais da saúde por longa pesquisa, todavia, eu, reles mortal, apenas aceitei o que disseram, ou seja, não me aprofundei: juízo breve sobre algo: preconceito. Contudo, como esse preconceito foi estabelecido pela maioria, isso se torna politicamente correto. Portanto, o problema não está no preconceito em si, mas na decisão comportamental da maioria ou da minoria que governa os pensamentos pós-modernos.
Dentro desse exemplo do tabagismo, eu não posso ser considerado preconceituoso no sentido do ódio ao tabagista, pois eu não sou intolerante com ele, desde que ele não fume no mesmo ambiente em que estou. Se isso acontecer, eu tenho o voto da maioria para ser intolerante com ele e mandá-lo se retirar do ambiente ou apagar o cigarro.
Percebemos com essa ilustração que o problema não é o preconceito, mas o preconceito do preconceito. Todo preconceito é um pós-conceito. Ele se baseia em pós-conceitos superficiais ou não.
O discurso moderno contra o preconceito é mais um preconceito, visto que é oriundo de julgamentos prévios leves ou profundos. Vejamos outro exemplo: suponhamos que você queira criar seu filho dentro do padrão da família nuclear, a antiga família padrão. A nova geração que vivemos não aceita a velha geração, ou seja, tem preconceito. Você será chamado de careta e preconceituoso, pois você quer que sua filha case-se com um homem e constitua uma família padrão. Certamente sofrerá retaliação, insultos verbais, intolerância.
Se você se der o trabalho de buscar na internet sobre o movimento pedófilo, certamente encontrará na Wikipédia:

O activismo pedófilo[1] é hoje um movimento de importância marginal, que esteve mais em voga entre as décadas de 1950 e 1990, e atualmente é mantido exclusivamente por websites. Segundo um de seus defensores, Frits Bernard, o movimento advoga a aceitação social da atração sexual ou romântica de adultos com crianças, e consequentes actividades sexuais, pretendendo, para esse fim, provocar mudanças sociais e judiciais como a mudança da idade de consentimento para idades mais infantis e a não categorização da pedofilia como doença mental [1]. Outro de seus defensores, Tom O'Carroll, escreveu um livro ( Paedophilia: The Radical Case. Peter Owen, London, 1980.) em defesa da pedofilia, agora esgotado. Mais tarde O'Carroll foi preso e condenado na Grã-Bretanha por "conspiração para corromper a moral pública" e, posteriormente, foi também condenado à prisão por produzir pornografia infantil. Os objectivos desse movimento são repudiados pela opinião pública e pelo Código Civil e, na prática, a idade em que esta crítica se aplica varia de país para país [carece de fontes No Brasil é absoluta (juris et de jure) a presunção de violência em qualquer tipo de sexo praticado com menores de 14 anos. Em Portugal pelo sistema judicial actual a idade passa para 16 anos.[carece de fontes
Atualmente, a pedofilia é unanimemente considerada uma doença mental por toda a comunidade científica institucionalizada e os actos ligados à pedofilia são considerados como crime na quase totalidade do mundo, existindo considerável consenso de que a aproximação sexual entre adultos e crianças é abusiva e vitimizante [1]. 
O movimento é também chamado por alguns de Childlove Movement[2][3], embora outros disputem essa equivalência. O termo female Childlove refere-se ao relacionamento entre mulheres adultas e crianças (de qualquer sexo).[2]

Sou contra a pedofilia e posso muito bem ser classificado de preconceituoso dentro da ditadura da liberdade moderna. Sabe o que isso significa? Se a minoria dominante ou a maioria dominante prejulgar que a pedofilia é correta, nós que somos da geração ultrapassada seremos considerados preconceituosos e sofreremos o preconceito.
Para terminar, gostaria de citar o conceituado colunista da Veja Reinaldo Azevedo:


Não há um só país de maioria cristã, e já há muitos anos, que persiga outras religiões. Ao contrário: elas são protegidas. Praticamente todos os casos de perseguição a minorias religiosas têm como protagonistas correntes do islamismo — ou governos mesmo. Não obstante, são políticos de países cristãos — e Barack Obama é o melhor mau exemplo disto — que vivem declarando, como se pedissem desculpas, que o Ocidente nada tem contra o Islã etc. e tal. Ora, é claro que não! Por isso os islâmicos estão em toda parte. Os cristãos, eles sim, são perseguidos — aliás, é hoje a religião mais perseguida da Terra, inclusive por certo laicismo que certamente considera Bento 16 uma figura menos aceitável do que, sei lá, o aiatolá Khamenei…
O pastor iraniano Yousef Nadarkhani foi preso em 2009, acusado de “apostasia” — renunciou ao islamismo—, e foi condenado à morte. Deram-lhe, segundo a aplicação da sharia, três chances de renunciar à sua fé, de renunciar a Jesus Cristo. Ele já se recusou a fazê-lo duas vezes — a segunda aconteceu hoje. Amanhã é sua última chance. Se insistir em se declarar cristão, a sentença de morte estará confirmada. Seria a primeira execução por apostasia no país desde 1990. Grupos cristãos mundo afora se mobilizam em favor de sua libertação. A chamada “grande imprensa”, a nossa inclusive, não dá a mínima. Um país islâmico eventualmente matar um cristão só por ele ser cristão não é notícia. Se a polícia pedir um documento a um islâmico num país ocidental, isso logo vira exemplo de “preconceito” e “perseguição religiosa”.[3]

No mundo da tolerância, os cristãos são perseguidos, humilhados e levados a morte. Alguns poderiam argumentar sobre o passado truculento de alguns movimentos históricos do cristianismo e dizer “bem feito!” Contudo, sem querer nos desculparmos por isso, a história não poupa credo e nem descrença.
No mundo pós-moderno, o preconceito no sentido do ódio e perseguição deveria ter sido supostamente extinto. Será que foi?
Nós cristãos não deveríamos nos assustar com a intolerância dos tolerantes, pois a Bíblia nos adverte: “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 3.12).
O preconceito hoje é contra tudo aquilo que se chama de moral e bons costumes!

Deus nos abençoe e nos fortaleça nesse mundo preconceituoso.
Rev. Ricardo Rios Melo




sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O resto da minha vida


O resto da minha vida
rev. Ricardo Rios Melo

Século XXI: pessoas apressadas para não perder o dia. Depois da revolução do telefone e da tecnologia, o homem contemporâneo trabalha muito mais que as 8h pretendidas. O avanço da globalização e as maravilhas da internet facilitaram a vida do homem, mas também não os deixaram mais em paz. Redes sociais, email-s, SMS etc. fizeram do homem pós-moderno um escravo da tecnologia. Estamos o tempo todo conectados! Até as amizades viraram virtuais. Como resultado disso tudo, corremos, corremos e nunca chegamos à reta final. Há uma sensação de vazio! Nunca se termina o trabalho, pois sempre terá continuidade amanhã ou em segundos.
A vida pós-moderna levou o homem a um individualismo e a uma vida solitária em conjunto. Vivemos em grupos, contudo nossas ligações ficaram cada vez mais restritas a interesses egoísticos, hedônicos e fugazes.  Glilles Lipovetsky aduz:


Houve uma transformação do público que se deve ao fato de que o hedonismo, que na virada do século passado era o apanágio de um reduzido número de artistas antiburgueses, tornou-se o valor central de nossa cultura, em conseqüência do consumo de massa: (...) É então que entramos na cultura pós-moderna, categoria que designa para D. Bell o momento em que a vanguarda não mais suscita indignação, em que as pesquisas inovadoras são legítimas, em que o prazer e o estímulo dos sentidos se tornam os valores dominantes na vida comum. Neste sentido, o pós-modernismo aparece como a democratização do hedonismo, a consagração generalizada do Novo, o triunfo do “antimoral e do antiinstitucionalismo” e o fim do divórcio entre os valores da esfera artística e os do cotidiano.[1]


O fato é que o homem pós-moderno vive em função de seu prazer e, muitas vezes, esse prazer individual fere o prazer individual do outro. A idéia hedonista e epicurista voltou com força total: o homem busca o prazer como principal objetivo humano (Hedonismo) e evita o sofrimento a qualquer preço. Apesar de Epicuro de Samos (IV a.C) buscar o prazer moderado, a sua idéia, mesmo que um pouco distorcida atualmente, pode ser muito bem o retrato hodierno: a busca do prazer e a fuga do sofrimento. Para isso, o homem busca viver sozinho e, ao mesmo tempo, se depara com a necessidade de viver em sociedade:

Precisamos também observar o fato, absolutamente não trivial, de que nosso solitário moderno é habitante de uma metrópole. Como observou G. Simmel num texto de 1902, a vida nas grandes cidades sujeita o indivíduo a uma quantidade enorme de estímulos, desconhecida nas sociedades tradicionais. Para sobreviver psiquicamente, o homem metropolitano precisa desenvolver uma atitude de reserva, de indiferença e recusa ao envolvimento emocional com aquilo que lhe é externo: uma atitude blasé[2]. Essa atitude confere ao indivíduo um alto grau de liberdade e anonimato que leva, por um lado, a uma percepção da própria subjetividade como altamente pessoal, como razão direta do grande número de diferentes círculos sociais entre os quais ele transita, sem aderir completamente a nenhum. Mas por outro lado a atitude blasé, adaptação necessária a uma estrutura de extrema impessoalidade como a metrópole, tem como preço a solidão, cujo sentimento é maior devido à proximidade física com outros milhões de indivíduos.[3]

É necessário viver em sociedade. Entretanto, a forma como eu vivo em sociedade é que pode ser solitária, hedônica, narcisista. Eu posso me relacionar com o outro de maneira superficial, egoísta – apenas porque o outro é importante para o EU. Eu me satisfaço no outro e o outro me satisfaz.
Nesse “novo” mundo não há lugar para espiritualidade, mas sim, para uma espécie de “espiritualismo” individual. A idéia de que o crescimento espiritual se faz individualmente. Eu tenho que respeitar o outro para que ele respeite minha maneira de pensar e de agir. Não é um respeito por concordância ou por amor, mas por conveniência. Não existe interesse por Verdade Absoluta, pois ela impede que eu tenha a minha própria verdade e satisfação própria. Gene Veith aborda essa questão:

Quando não existem verdades absolutas, o intelecto dá lugar à vontade. Critérios estéticos substituem critérios racionais. Ouçam o modo como as pessoas falam de religião: “Realmente gosta daquela igreja”, é o que dizem. Concordar com aquela igreja ou crer nos seus ensinos pouco entra no caso. As pessoas discutem pontos de fé nesses mesmos termos. “Realmente gosto daquele trecho bíblico que diz ‘Deus é amor’.” Tudo bem e amém. Há muito que apreciar no Cristianismo – o amor de Deus para conosco, Cristo ter levado os nossos pecados, sua graça e seu auxilio.
Mas então começamos a ouvir sobre aquilo de que não gostam. “Não gosto da idéia do inferno”. Certamente é uma reação apropriada – quem haveria mesmo de “gostar do Inferno? Mas nossa aversão natural para com essa doutrina não vem ao caso, naturalmente. A questão não é se gostamos dela, mas se existe um lugar assim.[4]


Diante desse quadro, cabem-nos algumas perguntas: 1) O que fazermos do resto de nossas vidas? 2) Onde passaremos o resto de nossas vidas? 3) Com quem estaremos no resto de nossas vidas?  
Antes que você responda essas perguntas, vamos arrazoar sobre a seguinte questão: como nos relacionamos com o mundo e com as pessoas? Se você se relaciona como foi descrito até o momento, meus pêsames: você é uma pessoa pós-moderna. Isso significa que você está só em meio à multidão. Também se depreende que você está vazio e sem objetivos concretos - você está correndo atrás do vento: “Melhor é um punhado de descanso do que ambas as mãos cheias de trabalho e correr atrás do vento (Ec 4.6). “Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol” (Ec 2.11).
Se você é pós-moderno, tem se dedicado demasiadamente àquilo que não lhe trará bem final, pois o resto de sua vida será o resto de suas forças. O trabalho já sugou tudo que você tinha de melhor; corroeu suas forças, e você, o que recebeu em troca? Eu lhe respondo: não viu seus filhos crescerem; não deu atenção a sua família; não curtiu seu tão precioso dinheiro; não tem amigos, mas parceiros de interesse; adquiriu doenças, fadigas e agora quer curtir sua aposentadoria, o resto de sua vida, virou realmente resto! É claro que você deve ter tido prazeres momentâneos, entretanto não valem uma vida desperdiçada.
Salomão, o homem mais sábio segundo a Bíblia, chegou à triste conclusão de que no mundo não há nada que mereça nossa entrega total, pois tudo não passa de vaidade e correr atrás do vento: “Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento” (Ec 1.14). 
Entretanto, muitos de nós não aprendemos com a sabedoria de Salomão. Estamos aderidos, colados em um mundo que é apenas passageiro.
Paulo faz uma constatação impressionante e realista: “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens” 1 Co 15.19.
Querido, como você se dedica e ao que dedica sua vida hoje determinam como será o resto de sua vida. Portanto, cuidado com suas escolhas! Elas têm drásticas conseqüências.
Acredito que o homem pós-moderno vive como se não houvesse a eternidade. Seu lema atual e praticante é Carpe Diem (colha o dia), “deixa a vida me levar”.
Mas, deixe-me falar mais uma coisa. O pior disso tudo é que tem pessoas que se dizem cristãs com o comportamento pós-moderno: dedicando sua vida e toda sua força naquilo que desvanece. Muitos se relacionam com a igreja por interesse. Se relacionam com o próximo por interesse. Tentam, como se isso fosse possível, se relacionar com Deus por interesse. Relacionam-se de maneira pós-moderna: hedônica. Eles são “crentes” que, em vez de estarem cheios do Espírito Santo, estão cheios do vazio pós-moderno.
Se realmente somos crentes, precisamos concluir como Paulo: Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (Fp 3.8).

Deus nos faça homens e mulheres que glorifiquem Seu precioso nome a despeito das eras e épocas.

Rev. Ricardo Rios Melo.






[1] Lipovetsky, Gilles. A Era do Vazio: ensaios sobre o individualismo contemporâneo. Barueri, SP, Manole, 2005, p. 83.
[2] Segundo o Aurélio: Palavra francesa que significa homem entediado de tudo, ou na realidade, ou por afetação. Diz-se do ar, do procedimento, do comportamento, etc. que revelam tédio, indiferença.    
[3] CASTRO, Celso. Homo solitarius: notas sobre a gênese da solidão moderna. Interseções- R.de Est. Interdisciplinares, Rio de Janeiro, v.3 , nº 1, p.79-90 , jan./jun.2001. http://cpdoc.fgv.br/producao_intelectual/arq/461.pdf - acesso em 23 de setembro de 2011 – (pg 7 e 8 do arquivo em PDF).
[4] Gene Edward Veith, Jr. Tempos Modernos – uma avaliação do pensamento e da cultura da nossa época. São Paulo-SP, Cultura Cristã, 1999, p. 187. 

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Andarilhos da fé


Andarilhos da fé
Por. Rev. Ricardo Rios Melo

No dia 24 de agosto de 2011, a Isto É publicou a seguinte matéria: “O Novo retrato da Fé no Brasil”.  O artigo traz a triste constatação do avanço da secularização na igreja: “Esse fenômeno, conhecido como secularização, revelou o enfraquecimento da transmissão das tradições, implicou a proliferação de igrejas e fez nascer a migração religiosa, uma prática presente até mesmo entre os que se dizem sem religião” (Isto É , 24 de agosto de 2011, p. 60). 
Dentro da matéria, há a afirmação de que esses evangélicos não praticantes provavelmente estão experimentando outras crenças. Diz a revista que os neopentecostais “trocam de igreja como quem descarta uma roupa velha: porque ela não serve mais”. O artigo foi fundamentado em pesquisas do Orçamento Familiar (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), onde também se constatou “que evangélicos de origem que não mantêm vínculos com a crença saltaram, em seis anos, de insignificantes 0,7% para 2,9%. Em números absolutos, são quatro milhões de brasileiros nessa condição”.
Essa matéria representa bem o cenário que presenciamos nas igrejas locais. As pessoas estão se relacionando com a igreja em um nível de consumo. Se o produto ou o serviço não satisfaz, eles resolvem procurar outra loja.  O articulista argumenta que os neopentecostais trocam de igreja como trocam de roupa; eu acredito que os tradicionais fazem a mesma coisa. Não se tem mais a idéia de pertencimento. Vestir a camisa de uma igreja parece, na cultura pós-moderna, um partidarismo. Para os pós-crentes a idéia é de movimento. Nada de vínculo! Sem grandes responsabilidades e sem ingerências. Se o pastor apertar, eles escorregam como sabonete.
Há um clientelismo por parte dos novos “fiéis” que acaba forçando algumas denominações a modificarem totalmente o seu discurso e sua prática para atender à nova demanda: “Os vínculos são mais frouxos, o que exige das instituições maior oferta de sentido para o fiel aderir a elas e permanecer. É tempo de mobilidade religiosa e pouca permanência” (Isto é, p. 61). Oferta de sentido? A única oferta que faz sentido no Evangelho é o Cristo que se ofereceu na Cruz pelo Seu povo (Mt 1.21).
Além desse novo perfil evangélico descomprometido, existem aqueles que se consideram os mais espirituais de todos e que acham que podem ser considerados crentes sem igreja.  Em Mateus capítulo 18, Jesus diz que edificará sua igreja: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Em Atos, Lucas mostra o crescimento e desenvolvimento da igreja como também a promoção de liderança local: “E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido” (At 14.23). Cristo morre por Sua Igreja: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” (At 20.28). A palavra igreja, no Novo Testamento, ocorre cerca de 75 vezes.
Acredito que a revista levanta algo danoso que tem acometido a igreja: secularização. A secularização é o processo da corrosão da fé pelos valores do mundo. Secularização é o arrefecimento da ação da igreja nas instituições humanas. É o desaparecimento da influência da igreja no âmbito secular. É o acomodamento da igreja ao mundo com seus costumes pagãos e idiossincráticos” (http://arrazoar.blogspot.com/search?q=seculariza%C3%A7%C3%A3o).
Não existe crente sem igreja! Não existe crente não praticante! Se não pratica, não é crente: Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? (Tg 2. 14). Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé” (Tg 2.18).
A fé cristã apregoa uma mudança essencial! É uma fé intrínseca que reflete extrinsecamente em todos os pormenores de nossa vida: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Co 5.17).  Quando uma pessoa se relaciona religiosamente com a igreja, ela apenas aderiu à uma ideologia ou a um clube de interesses. O verdadeiro envolvimento com Cristo envolve morte do eu e de suas demandas de desejo; envolve a cruz (!), a autonegação: “Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24), “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2.20).
A religiosidade moderna atende os interesses egoístas e narcísicos do homem moderno. Fé cristã envolve abnegação, entrega e envolvimento profundo, verdadeiro. Ser crente é ter compromisso! “Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp 1.21). Qualquer outra coisa que não esteja dentro dessa definição de autonegação e morte do eu não é cristianismo; não pode ser chamado de Evangelho. Portanto, existem muitos evangélicos que não conhecem o Evangelho.

Deus nos abençoe!
Rev. Ricardo Rios Melo



Uma igreja relevante

Uma igreja relevante Há muito se fala de que a igreja precisa ser relevante. Arautos da Teologia da Missão Integral dizem que a igreja...