quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O Tempo: Jóia Preciosa

O Tempo: Jóia Preciosa

Rev. Ricardo Rios Melo

A ceia está posta à mesa. Os convivas chegaram e as fragrâncias dos perfumes se confundem em meio ao salão. Os sorrisos e o brilho estampado nos rostos revelam uma grande expectativa. O esvoaçar dos vestidos e as roupas ajustadas e com brilhos, muitas de cor branca, revelam crenças, esperanças e costumes. As horas passam e os minutos são contatos como nunca antes fora. De repente, alguém pede atenção de todos e em coro começam a contar: dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um! Concomitantemente ao som de um estouro de um champanhe e de fogos aos céus, ouve-se: Feliz ano novo! Os cumprimentos se intensificam em abraços e, por telefone, se fala com aqueles que estão distantes, desejando-lhes um feliz ano novo! Ao som de “adeus ano velho, feliz ano novo, que tudo se realize, no ano que vai nascer. Muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender”, as esperanças são renovadas no infante ano. Essa história se repete ano após ano. As pessoas criam uma expectativa exacerbada sobre o ano que se inicia, como se tudo fosse mudar: não terão mais dívidas; a paz mundial existirá; terão paz na família e os sonhos e projetos se realizarão.

A comemoração do ano novo é praticada em diversos países. Alguns dizem que começou por volta do ano 2000 a.C., na Babilônia, quando acontecia o equinócio. Diz-se ainda que foram os romanos que criaram uma data especial para esse fim, por volta do ano 753 a.C. Na ocasião, comemorava-se o ano vindouro no dia 1º de março. Contudo, com a mudança para o calendário gregoriano, o dia passou a ser 1º de janeiro. Os judeus comemoram entre setembro e outubro. Os chineses comemoram essa data no final de janeiro e bem no início de fevereiro. A eles, os chineses, são creditados a idéia de soltar fogos e de shows pirotécnicos. Ao que parece, a queima de fogos foi introduzida como um ritual para afastar maus espíritos.

É notório que ao final de cada ano as pessoas projetam planos e buscam resolver algumas situações pendentes. Como cristãos, nós não temos nenhum pensamento ingênuo sobre o ano novo, pois se as pessoas são as mesmas, provavelmente o novo ano não mudará nada. É como as dietas de segundas-feiras; todas começarão nesse dia, mas nunca começam, pois a disposição para começar a dieta pertence ao indivíduo. A esperança depositada em um dia novo é vazia se não é acompanhada de uma mudança radical do indivíduo. Se alguém quer fazer um regime, por exemplo, não importa o dia, importa a disposição para aderir à dieta. O mesmo acontece com o ano novo. Se você não mudar seus pensamentos e atitudes, comemorar todos os dias o ano novo não fará diferença, pois você continuará sendo velho; velho nos pensamentos e atitudes.

Os cristãos, mesmo que não tenham um pensamento místico sobre o ano vindouro, podem aprender muito com a passagem de ano. Podemos aprender que o tempo é algo precioso e que, a cada nascer do sol, uma porção do tempo se vai. E o que você fez com ele, o tempo, é que faz toda a diferença. Todos nós vivemos em um mesmo espaço e tempo. Não importa o calendário que sigamos, estamos sujeitos ao espaço e ao tempo. O ano novo mostra que se passou 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46,04 segundos de sua vida. Isso deve lhe fazer refletir sobre o aproveitamento do seu tempo.

Você, no final desse ano, não se vestirá de branco, pois Jesus já lhe deu vestes brancas: “Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos” (Ap 7.9) Sua vida deve refletir essa pureza que Jesus lhe concedeu na Cruz. Você não soltará fogos de artifícios para expulsar os maus fluidos e iluminar os céus, pois sua vida já reflete a glória de Deus que brilha mais do que qualquer estrela. Jesus, que é a luz do mundo, lhe disse: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte” (Mt 5:14). Não precisará de sal grosso para qualquer tipo de descarrego, pois Jesus se tornou maldição por nós: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro)” (Gl 3.13). Você não precisará de um ano novo para renovar suas esperanças, pois as coisas velhas já passaram desde que se converteu a Cristo: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Co 5.17). Por isso, tudo para você é novo e você segue para o alvo: (...) mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3. 13,14).

Após ter refletido no que não fará nesse fim de ano, você deverá refletir sobre o que fazer. A Bíblia fornece conceitos imprescindíveis à nossa vida. O texto de Efésios 5.16 chama-nos atenção para remirmos o tempo: “remindo o tempo, porque os dias são maus”. Esse texto é precedido da seguinte exortação: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios” (Ef 5.15). A idéia do texto é dizer que os néscios desperdiçam seu tempo com seus prazeres carnais e pecaminosos, enquanto os sábios devem remir seu tempo. Os sábios compram o tempo; andam na luz e aproveitam melhor o tempo porque os dias são maus. “Nenhum de nós pode esticar o tempo. As pessoas sábias, porém, o empregam com o maior proveito possível. Sabem que o tempo está passando, e também que os dias são maus. Deste modo, agarram cada oportunidade fugaz enquanto ainda podem. Uma vez tendo passado, até as pessoas sábias não podem reavê-la. Alguém colocou um anúncio, certa vez, da seguinte forma: ‘PERDIDAS, ontem, nalgum lugar entre o nascer e o pôr do sol, duas horas de ouro, cada uma cravejada com sessenta minutos de diamante. Nenhuma recompensa é oferecida, pois foram-se para sempre’” (John Stott, A Mensagem de Efésios, 6ª ed. São Paulo, 2001, p. 151).

O tempo é uma jóia preciosa! Por isso, nesse ano reflita sobre sua vida e aproveite melhor seu tempo. Glorifique a Deus com o seu tempo! Tenha tempo para Deus, pois já pensou se Deus não tivesse tempo para você? Muitas pessoas se esquecem que o Criador do tempo pode chamá-lo a Sua presença a qualquer instante. Ele cobrará cada milésimo de segundo que lhe deu! O que você tem feito com o seu tempo? Tem dedicado a Deus? Será que você está muito ocupado para Deus? Muitas vezes as pessoas só dão o que sobra para Deus. Por exemplo, se for o dízimo, só o entregam depois que sobra alguma coisa. Se for uma oferta, só se sobrar e olhe lá! E o tempo? O tempo é a sobra da sobra. A desculpa é a qualidade do tempo! Vá para sua empresa, diga a seu chefe que você trabalhará 30 minutos por dia, pois o importante é a qualidade do tempo! O que ele lhe dirá?

Pois é, muitas vezes estamos ocupados demais para ouvirmos a voz de Deus nos cultos, na escola dominical, nos estudos de doutrina e nas reuniões de casa em casa, pois a desculpa é: o importante é a qualidade do tempo. Percebem? A questão não é de qualidade de tempo. A questão é que estão ocupados demais para ler a Bíblia, orar, cultuar. O trabalho está acima de Deus, a faculdade está acima de Deus, os encontros em família estão acima de Deus; aniversários, festas, cursos de pós-graduação, cansaço, projetos pessoais, qualquer coisa é desculpa para dizer: não tenho tempo!!!

Caríssimos, não estou dizendo que você levará sua cama para a igreja e mudará seu endereço para lá, não! Contudo, conquanto toda e qualquer atividade que façamos deva glorificar a Deus, temos que compreender que as reuniões solenes (Hb 10.25) e os meios de graça são imprescindíveis para o crescimento espiritual. Tudo isso passará! Mas, tudo o que você faz tem conseqüências eternas. O sábio Salomão disse: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu” (Ec 3.1). Dedique toda sua vida, atividade e pensamento a Deus. Mas, separe um tempo especial para pensar, louvar, ouvir exclusivamente a Deus, porque “preciosas são as horas na presença de Jesus”. Lembre-se "As quatro coisas que não voltam para trás: A pedra atirada, a palavra dita, a ocasião perdida e o tempo passado." Jeremy Taylor disse uma vez: “Deus deu ao homem um tempo curto aqui na terra; não obstante, é deste curto período que depende a eternidade”.

“Deus não se curvou à nossa pressa nervosa, nem adotou os métodos de nossa era mecânica. O homem que deseja conhecer a Deus precisa dedicar-lhe tempo” (A. W. Tozer).


“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Sl 90.12).


Feliz ano novo!


Rev. Ricardo Rios Melo.

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