segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A Banalização do Sexo



É fato que as pessoas vivem em um mundo totalmente diferente - diferente da época de meus avós e de muita gente que viveu o período da ditadura militar e da censura no Brasil. Quem imaginaria pessoas nuas e seminuas na televisão? Quem imaginaria que uma pessoa dançaria praticamente nua na avenida e teria cobertura da mídia? Quem poderia sequer pensar em discutir sua intimidade sexual ao vivo, em um canal televisivo, tendo milhares de telespectadores?

Recentemente, lá estava eu mudando de canal, quando me deparei com uma pessoa apresentando um programa com a participação do público. Para meu espanto, era um programa sobre sexo. Isso mesmo, sexo! Não era sobre sexualidade do ponto de vista técnico, era um programa onde as pessoas falavam de suas experiências sexuais antigas e novas. Nesse canal, falava-se sobre traições, aberrações, desvios e tudo que se possa denominar de pornográfico e de desvio de conduta. Entretanto, não agüentei por muito tempo e tive de usar meu direito de desligar a alucinante e alienável televisão.

Essa desagradável experiência levou-me a pensar sobre a sociedade moderna e o uso de seu corpo e de sua pseudoliberdade. Certa feita, uma pessoa em uma roda de colegas despejou sua intimidade. Disse que tivera um relacionamento com outra pessoa que acabara de conhecer e disparou: “o corpo pede”.

O corpo pede? É certo que por causa da constituição biológica, o ser humano sente necessidade de relacionar-se, mas isso não significa que temos que tratar do sexo como um animal que busca outro. Esse tipo de comportamento animalesco tem tomado forma robusta em nossa sociedade. A aproximação entre o homem e o animal tem levado o ser humano a viver pelos seus instintos. Os BBB’S da vida nos mostram como o sexo se tornou banal e plural para as pessoas. É comum se discutir sexualidade e até fazer sexo debaixo dos edredons sob os olhos de milhares de telespectadores. A Internet é outro mecanismo que facilita a utilização da pornografia. Ninguém está livre da banalização do sexo. No próprio carnaval (festa da carne), é comum ouvirmos histórias e relatos de pessoas que encontraram (ou conhecem pessoas que viram) gente tendo relacionamento sexual em plena rua.

Esse tipo de conduta sexual permeou a igreja. A virgindade hoje em dia é coisa de “puritano” ou de fanático. Muitos jovens cristãos estão se casando pela primeira vez, mas já tiveram uma ou outra experiência sexual. Graças a Deus, existem ainda jovens que não dobraram os joelhos ao sexo banal. Contudo, se pesquisarmos em diversas denominações, perceberemos que esse tipo de discurso pró-virgindade virou discurso de carola. Os pastores prediletos desses jovens são os que dizem que “tudo vale por amor”. Limite e espera? Nem pensar! Nesses “pastores” da mídia, é possível encontrarmos a defesa do sexo livre e diverso do criado por Deus; Peter Jones salienta: “quando o sexo homem-mulher deixa de ser o padrão, e quando o sexo é separado de sua essência – sua função criada para o casamento e procriação – o único padrão que resta são os desejos instáveis de cada pessoa. E o sexo pós-moderno é exatamente isto – a expressão de várias formas de gratificação e fantasia, mas com uma terrível perda de identidade” (Peter Jones, O Deus do Sexo, São Paulo, Cultura Cristã, 2007, p. 27, 28).

Sabemos que esse tipo de comportamento na própria é igreja pode ser fruto de uma ausência de debate sexual na igreja. A Bíblia nos oferece diversos textos que falam de sexo; não o banal. Vejamos a advertência de Jones: “talvez a pregação contemporânea – num sentido exagerado de puritanismo – muitas vezes omita o elemento sexual do evangelho. Num mundo pagão isso não mais funcionará. Não podemos nos dar ao luxo de pregar um evangelho amputado que só fala de salvação pessoal (Jesus me arrebatará daqui para uma mansão assexual no céu’) ou um ‘evangelho ‘ sentimentalizado e amorfo de liberalismo teológico que permite bispos homossexuais. O Cristianismo não é uma religião sem sexo ou de ‘crentes’ que fazem o que bem entende com sua sexualidade. Os gnósticos tentaram isso e fracassaram. A Bíblia comprova que essa mensagem é falsa. Todo ser humano na terra é um ser sexual, e o ensino da Bíblia sobre a sexualidade dentro do contexto da criação tem de ser anunciado como parte essencial das boas notícias. A reconciliação com Deus torna possível os relacionamentos interpessoais e o sexo bom” (Peter Jones, O Deus do Sexo, São Paulo, Cultura Cristã, 2007). Vejam alguns textos que falam sobre o relacionamento sexual: livro de Cantares; 1 Co 7; Gn 1. 26-28. Sobre virgindade, temos além de outros textos, um que fala de maneira inequívoca: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros” (Hb 13.4).

Que Deus preserve a igreja e a faça viver pelos Seus princípios!

Rev. Ricardo Rios Melo.

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