sexta-feira, 30 de março de 2007

Púlpito ou Divã?

Meus queridos irmãos, nunca se pregou tanto sobre culpa, auto-ajuda, comportamento (do ponto de vista psicológico) como hoje. O púlpito se transformou em um verdadeiro divã, onde o pregador é o Psicólogo e os ouvintes são os pacientes.

É comum ouvirmos: “você deve liberar o perdão!”, “você deve ministrar graça na vida das pessoas!”; não que isso em si não seja verdade; o fato é que falar de pecado hoje, se tornou démodé. As pessoas querem ouvir sobre suas emoções, sobre seus conflitos, dúvidas, anseios e dificuldades emocionais. E os pregadores, no intuito de não perderem sua “audiência”, estão cada vez mais atraídos pela nova forma de abordagem. O texto bíblico é apenas um pretexto para suas mensagens de auto-ajuda. O perdão ao próximo é tão enfatizado, que podemos até fazer uma análise de suas pregações. É até possível perguntar: será que o pregador tem algum problema nessa área? Como o nosso papel não é analisar ninguém, devemos apenas passar essas mensagens pelo crivo da Escritura; são bíblicas? Será que estão coerentes e sendo verdadeiras com o ensino bíblico? Muitas dificuldades seriam resolvidas se nossas igrejas começassem a indagar sobre este assunto, se nossos membros fossem como os crentes de Beréia Atos 17:11 : “Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim.”

Vejam que importante passagem! Eles examinavam para ver se de fato era mesmo como o Apóstolo estava falando! Paulo não era só um Pastor ele era também um Apóstolo. Ele poderia achar uma afronta que seus ensinos fossem confrontados, mas, ao contrário, ele elogia aqueles irmãos pelo zelo e pela verificação da Palavra: “... para ver se as coisas eram, de fato, assim.”

Quero, contudo, ressaltar, que o pregar sobre perdão não é antibíblico. A Palavra de Deus tem muitos ensinos que nos ajudam a enfrentar a vida e suas dificuldades. Mas, a ênfase em determinado ensino em detrimento de outro é infidelidade ao ensino geral das Escrituras. Jesus Cristo nunca negociou Seu ensino. Vejam o que Ele diz em Jo 6. 26: “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes.”

Jesus Cristo faz um discurso duro para aquelas pessoas que só queriam o alimento “físico, material” e não o alimento espiritual. Levando-se em consideração as devidas proporções, talvez essas pessoas sejam, nos tempos de hoje, aquelas que querem satisfazer suas necessidades através do Evangelho e da igreja. Esse discurso também pode ser usado em relação às pessoas que fazem da igreja um instrumento de auto-ajuda, ao invés de pregar o Senhorio de Cristo e de dizer que a maior ferida que uma pessoa pode ter, não é a ferida emocional, não é a ferida da fome, não é a ferida da culpa (no sentido do remorso), mas sim, a ferida da alma! A ferida aberta que o pecado traz e que só Jesus Cristo pode sarar de vez! Na realidade, não é só uma ferida, é um corpo “morto em seus delitos e pecados”. Como Lázaro, se faz necessário que Jesus Cristo chame o “morto” para fora de seu túmulo, ressuscitando-o dentre os mortos: João 11:43 : “E, tendo dito isto, clamou em alta voz: Lázaro, vem para fora!”.

Quando a Palavra de Deus é pregada com fidelidade, feridas são fechadas para sempre, mortos voltam a viver e a auto-ajuda é trocada pela constante operação do Espírito Santo de Deus que age graciosamente na vida do pecador. Não há traumas! Não há problemas emocionais que não possam ser resolvidos pelo sangue de Jesus Cristo na cruz do calvário. Mudar essa perspectiva é mudar completamente a mensagem purificadora e regeneradora do Evangelho; é transformá-lo em mais uma disciplina ou mais uma moda passageira: “ingerindo doses maciças do dogma da psicologia, adotando a ‘sabedoria’ secular e tentando santificá-la, chamando-a de cristã. Os valores mais fundamentais do evangelismo, portanto, estão sendo redefinidos. ‘Saúde mental e emocional’ é a nova moda. Não se trata de um conceito bíblico, embora muitos pareçam equalizá-lo com a integridade espiritual. O pecado recebe o nome de doença, e forma que as pessoas acham que precisam de terapia e não de arrependimento. O pecado habitual recebe o nome de vício ou de comportamento compulsivo, e muitos presumem que a solução está no cuidado médico e não na correção moral. As terapias humanas são abraçadas com avidez pelos espiritualmente fracos, aqueles que são superficiais ou ignorantes no tocante à verdade bíblica e que não estão dispostos a aceitar o caminho do sofrimento que conduz à maturidade espiritual e a uma comunhão mais profunda com Deus. O infeliz efeito disso é que as pessoas permanecem imaturas, ficam presas a uma dependência auto-imposta, a algum método pseudo-cristão ou ao psicocharlatanismo que, em última análise, asfixia o crescimento genuíno.”[1]

Se negarmos o ensino verdadeiro das Escrituras, estaremos negando o poder que Deus tem de curar seus filhos; estaremos equiparando a Bíblia com outro livro qualquer; estaremos negociando o ensino do Evangelho em prol do antropocentrismo e da terapia secular (que a cada dia que passa tem colhido seus amargos frutos). A própria sociedade diz que seus problemas são gerados por sentimentos egoístas e megalomaníacos. Na realidade, esses problemas são resultado de uma sociedade que cada vez mais corre para perdição e distanciamento de Deus, que procura achar respostas para a decadência cada vez mais latente e agonizante. Uma sociedade fracassada, onde os conceitos morais, éticos e familiares estão quase que totalmente distorcidos; onde o desfecho podemos presumir em curto prazo. Onde estão as técnicas e soluções do homem moderno? Onde está a solução para crise mundial? Essas respostas não são encontradas pelo o homem moderno, mas, mesmo assim, a igreja tenta imitá-los trazendo o fracasso do mundo para dentro dela e tentando trocar a única verdade que é a Palavra de Deus pelo secularismo moribundo e fadado ao fracasso.

A igreja tenta negociar seu ensino para atrair ou segurar seus membros opondo-se ao Supremo Pastor, o nosso Paradigma, o nosso maior exemplo, o nosso Senhor Jesus Cristo que disse àqueles discípulos que reclamavam de Seu duro discurso - Jo 6. 60 – 69: “ Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? Mas Jesus, sabendo por si mesmo que eles murmuravam a respeito de suas palavras, interpelou-os: Isto vos escandaliza? Que será, pois, se virdes o Filho do Homem subir para o lugar onde primeiro estava? O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. Contudo, há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair. E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido. À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele. Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus.” (grifos meus).

Vejam! Jesus não negociou Seu ensino em prol da adesão de seus discípulos. Ao contrário, Ele deu uma resposta dura para eles. Em outras palavras, podemos dizer que Ele disse que só poderiam ser seus discípulos se tivessem dispostos a cumprir as exigências de seu ensino: “Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando? (Lucas 6:46). Os discípulos deveriam estar dispostos a abandonarem sua vida e seguir a Cristo considerando todas as outras coisas como ”refugo” em comparação ao amor de Jesus; deveriam reconhecer o Senhorio de Cristo, isto é, reconhecer o governo de Jesus sobre a vida deles. Não bastava andar com Jesus, não bastava ouvir as palavras de Jesus, não bastava participar do grupo dos discípulos. Era preciso mais. Eles deveriam abandonar o que eles achavam de mais sublime em prol de uma verdadeira vida cristã; “Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.” Lucas 9:23.

O Evangelho de Cristo não é mais uma terapia em um mundo “paranóico”. O Evangelho do nosso Senhor é “vida dentre os mortos”. Só podem ser discípulos de Cristo aqueles que, no final, mesmo a despeito de sua vontade tomam as palavras de Pedro para si e dizem: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna.”

Que o Senhor nos abençoe e nos leve a cada dia a uma vida de santidade e de busca incessante da Sua Palavra; que abandonemos nossas invenções e busquemos a única solução para o pecador: a Palavra de Deus ministrada com fidelidade e simplicidade mostrando que o “Evangelho é loucura para os que se perdem, mas salvação para os que crêem” e que não devemos negociar a verdadeira pregação, sob o risco de estarmos corrompendo e corroborando para o distanciamento da verdadeira mensagem da cruz.
Que Deus nos auxilie e nos livre de “uma vez tendo pregado, não sejamos nós mesmos reprovados”.

Que os crentes de hoje não pensem que são diferentes daqueles que andavam com Cristo, daqueles que sofreram as perseguições após a morte de Jesus. Todos somos sujeitos aos mesmos problemas e tentações. Busquemos os exemplos da Bíblia e recorramos a Ela a cada dia, pois “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra. (2 Timóteo 3:16 –17).

Que Deus nos abençoe;
Amém!
Rev. Ricardo Rios Melo


[1] John F. Macarthur, Jr. Nossa Suficiência em Cristo, São José dos Campos, SP, Editora Fiel, 1995; p. 55.

Se existisse o Se?

Quem nunca se entristeceu com uma alternativa errada na vida? Quem nunca titubeou diante da bifurcação de um caminho? Quem nunca olhou para trás e disse: “se eu não tivesse feito isso? Se eu não tivesse agido assim? Esse tema parece tão inquietante para o homem que até uma propaganda recente do G1, canal de notícias da Globo.com, lançou esse tema aterrador nas consciências de seus telespectadores: “se o homem soubesse que iria chover, não se molharia. Se ele soubesse que haveria guerras, ele não teria inventado a pólvora...ele sofreria menos...”

O Se tem acompanhado as mentes humanas desde a sua gênese. Certamente, muitas pessoas se martirizam mais pelo Se do que pelo que fizeram. A possibilidade de se pensar no Se e a impossibilidade do Se existir como opção real fazem com que muitos sejam ansiosos e frustrados.

O Se tem muito mais a ver com o remorso do que com o arrependimento. Percebam que as pessoas que se concentram no Se geralmente se entristecem pelo não feito, mas muitas vezes não mudam de atitude. O arrependimento é a conscientização do erro cometido e a mudança de atitude ante os fatos ocorridos. O arrependido tenta nunca mais cometer o mesmo erro. A pessoa que é condoída pelo remorso apenas se martiriza, se entristece, mas nunca deixa de cometer novamente os mesmos erros. Se olharmos o exemplo de Judas que cometeu suicídio, veremos que a atitude dele é mais um remorso do que um arrependimento. Se ele tivesse se arrependido, teria mudando o rumo de sua vida e não cometeria tal desatino. Mas, novamente vemos a possibilidade impossível desse Se.

O Se é tão curioso que algumas pessoas depreendem outro Se do Se. Quando pensam no Se, dizem: “mas Se isso acontecesse, poderia ser que outra coisa acontecesse e Se acontecesse isso...”.

A verdade é que o único que pode saber do Se é Deus. Um texto que demonstra esse conhecimento de Deus é o texto de Mt 11.21: “Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza” (grifos meu). Jesus demonstra claramente que conhece a possibilidade, pois o próprio Deus que decretou a história é o mantenedor e condutor da mesma.

Essa doutrina é encontrada na teologia dentro do estudo do Ser de Deus no que tange ao aspecto do conhecimento de Deus. Ele conhece as possibilidades. Ele conhece o que poderia ter acontecido. Explicando o texto de Mt 11.21, Heber Carlos de Campos diz: “Deus conhece o que hipoteticamente teria acontecido, se... Essa partícula ‘se’ indica que Deus saberia o que aconteceria mesmo sob outras circunstâncias. Esse conhecimento é também chamado de ‘conhecimento das coisas possíveis’. (...) Jesus sabia o que aconteceria naquelas cidades gentílicas se os milagres acontecessem lá. Era algo perfeitamente possível, mas não aconteceu porque não foi o propósito divino, mas Deus tem conhecimento da possibilidade” (Heber Carlos de Campos, O Ser de Deus e os Seus Atributos, São Paulo, CEP, 1999, p. 217,218).

Sabedores que o Se só é possível a Deus conhecer e que nós somos limitados em nosso espaço e tempo não podendo voltar o relógio do tempo e consertar ou achar que se está consertando algo, podemos aduzir desse tema algumas considerações:
  1. Não andemos ansiosos de coisa alguma (Mt 5.25). Basta a cada dia seu próprio mal (Mt 6. 34). Nenhuma de nossas preocupações mudará nosso curso. Não devemos nos inquietar com as possibilidades, devemos fazer escolhas, em tempo, pelo que o Senhor nos conduz na Palavra e no discernir do Espírito. Essas escolhas em Deus nos trarão tranqüilidade e não pensaremos no Se. Contudo, se você tomou um rumo errado em um momento de sua vida, arrependa-se! Mude de atitude em relação aos fatos e não tenha apenas um remorso que só lhe trará angústia. A angústia do arrependimento leva ao perdão de Deus e a paz no coração e na mente, pois sabemos que se pecarmos, temos um advogado junto ao Pai: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 Jo 2:1); o arrependimento leva à mudança de atitude e ao perdão de Deus. O remorso leva a autocomiseração e à estagnação das atitudes, que certamente voltarão a acontecer;
  2. Outra coisa que podemos considerar é que Deus sabe o Se e que algumas dessas possibilidades que denominamos de Se Ele nos revela nas Escrituras e diz a você que ainda não mudou de atitude em relação á sua rebeldia diante de Deus e sua desobediência: “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem” (Jo 10.9). Existe uma possibilidade agora! O Se se apresenta para você da seguinte forma: “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo 3. 36). Se Você crer, tem a vida eterna hoje e agora; Se você não crer, não verá a vida e está e estará para sempre debaixo da ira divina.

    Deus nos Abençoe e nos faça descansar em suas seguras mãos!

    Rev. Ricardo Rios Melo

quinta-feira, 22 de março de 2007

O Culto da Personalidade

O culto da personalidade

Queridos, é só ligar a televisão, abrir as revistas, olhar em torno da cidade com seus milhares de outdoors que perceberemos o culto às celebridades e da personalidade. É tão interessante quando paramos atentamente para analisarmos esse fenômeno. Se você tiver tempo para perder assistindo os programas de auditório, perceberá como as celebridades de determinada área são solicitadas como autoridade em assuntos que não conhecem ou que não dominam. Mas, por serem “ídolos”, têm o peso de sua opinião quase que como uma verdade inquestionável. As pessoas aplaudem e imitam seus pensamentos todas as vezes que essas personalidades dão seu parecer em determinado assunto.

Recentemente, em uma entrevista, o ator José Wilker, após ter interpretado JK, disse que muitas pessoas querem sua opinião sobre política, mas, que apesar de ter feito um personagem político, ele não é especialista no assunto. Esse episódio retrata com clareza duas coisas: 1. o profissionalismo desse ator, que sabiamente se isentou de opinar com uma autoridade que não tem. Isso não quer dizer que ele não tenha consciência política, e sim, que a solicitação das pessoas a ele era descabida; 2. a necessidade do homem em construir ídolos, seja no BBB, na música, cinema, literatura e, infelizmente, na igreja. Os seres humanos têm a infeliz propensão ao culto da personalidade.

Façamos uma viagem histórica ao Novo testamento e vejamos o que as pessoas que estavam em Listra fizeram após Paulo ter curado um paralítico de nascença: “Quando as multidões viram o que Paulo fizera, gritaram em língua licaônica, dizendo: Os deuses, em forma de homens, baixaram até nós. A Barnabé chamavam Júpiter, e a Paulo, Mercúrio, porque era este o principal portador da palavra. O sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da cidade, trazendo para junto das portas touros e grinaldas, queria sacrificar juntamente com as multidões. Porém, ouvindo isto, os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgando as suas vestes, saltaram para o meio da multidão, clamando: Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles; o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos; contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria. Dizendo isto, foi ainda com dificuldade que impediram as multidões de lhes oferecerem sacrifícios” (At 14.11-18). Após a cura, Paulo fez questão de salientar que ela provinha de Deus. Contudo, nada disso adiantou, foi com muita dificuldade que eles impediram que os habitantes fizessem sacrifícios a Paulo e Barnabé.

Na Igreja, infelizmente, corremos esse risco. Muitas vezes, confundimos respeito com idolatria. A igreja de Corinto aderiu tanto ao culto da personalidade que não aceitava o apostolado de Paulo. Era uma igreja dividida em partidos que refletiam a falta de maturidade e centralidade de Cristo. Isso era tão forte que Paulo teve que escrever que todos são servos do Senhor e que o responsável pelo crescimento da Igreja é Deus (1 Co 3.1 -5).

Fico muito preocupado com o secularismo que desce à igreja como uma avalanche. Devemos entender que somos servos do Altíssimo e não senhores. Quando nos identificamos como calvinistas, estamos dizendo, na realidade, que reconhecemos que grande parte da interpretação que Calvino fez está de acordo com as Escrituras, como bem frisou Spurgeon : “Somente usamos o termo ‘calvinismo’ por uma questão de brevidade. A doutrina conhecida como ‘calvinismo’ não teve origem em Calvino; acreditamos que ela se originou como o grande Fundador de toda verdade . [...] Estaríamos dispostos a chama-las por qualquer outra designação se pudéssemos achar uma que fosse melhor compreendida e que, em sua totalidade, estivesse de acordo com os fatos” (C. H. Spurgeon, Verdades Chamadas Calvinistas, São Paulo, PES, ?, p. 1). Nunca devemos confundir que a nossa identidade é cristã – somos cristãos, filhos de Deus e seguidores de Cristo.

Calvino pode ser um bom exemplo; algum puritano pode ser um bom exemplo, ou até mesmo os homens bíblicos como Paulo. Entretanto, jamais devemos tê-los como objetivo a serem alcançados. Não! Somos imitadores de Paulo como ele é de Cristo (1 Co 11.1). E devemos entender que Elias era homem como nós, sujeito aos mesmos sentimentos (Tg. 5.17).

Queridos, quando não buscamos as fontes históricas, corremos o risco de sermos alienados ou manipulados pelas correntes marxistas ou até pseudocristãs. Muitas pessoas, por exemplo, falam de Lutero sem conhecerem sua obra. Lutero nutria um “profundo desgosto pelo fato de os primeiros protestantes, na Inglaterra e na França, assim como na Alemanha, terem sido chamados de ‘luteranos’: ‘A primeira coisa que peço que as pessoas não façam uso de meu nome e não se chamem luteranas, mas cristãs. Que é Lutero? O ensino não é meu. Nem fui crucificado por ninguém. [...] Como eu, miserável saco fétido de larvas que sou, cheguei ao ponto em que as pessoas chamam os filhos de Cristo por meu perverso nome?’. Essa renúncia, escrita em 1522, não era o protesto de uma falsa humildade, mas sim, um real esforço de reduzir um ‘culto da personalidade’, já em surgimento, e dirigir a atenção à fonte do pensamento do reformador. ‘O ensino não é meu.’ Compreender o que Lutero quis dizer com essa afirmação é apreender o impulso central de sua teologia da Reforma” (Timothy George, Teologia dos Reformadores, São Paulo, Vida Nova, 1994, p. 55).

Nenhum reformador que se preze poderia concordar com o culto da personalidade, até mesmo Calvino, que morreu sem ter nada materialmente substancial; algo, no mínimo, estranho para quem foi denominado injustamente de “pai do capitalismo”. “Quando o fim estava bem próximo, os ministros de Genebra aglomeram-se em sua casa para ouvir sua mensagem de despedida. Ele relembrou o curso turbulento de sua carreira e tentou colocar sua própria vida em perspectiva: ‘[...] A respeito de minha doutrina, ensinei fielmente e Deus me deu a graça de escrever. Fiz isso do modo mais possível e nunca corrompi uma só passagem das Escrituras, nem conscientemente as distorci. Quando fui tentado a requintes, resisti à intenção e sempre estudei a simplicidade. Nunca escrevi nada com ódio de alguém, mas sempre coloquei diante de mim o que julguei ser a glória de Deus’” (Timothy George, Teologia dos Reformadores, São Paulo, Vida Nova, 1994, p. 245,246). O nosso alvo é sermos santos como Jesus “porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pe 1.16) .

Deus nos abençoe!
Rev. Ricardo Rios Melo.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Maioridade ou Maior Dignidade?

Maioridade ou maior dignidade?

Creio que uma coisa não exclui a outra. A discussão da maioridade penal no país vem maquiar e camuflar problemas reais da sociedade que já não agüenta mais tanta hipocrisia. Talvez seja bom responsabilizar um jovem de 16 anos que não pode sofrer a pena de gente grande, mas pode matar gente grande e pequena. Talvez não seja bom, pois estaríamos apenas combatendo o resultado do problema e não a causa. Ou quem sabe poderíamos fazer as duas coisas? Sinceramente, não sei dizer se diminuir a idade penal irá adiantar alguma coisa, mas, certamente, para os pais de João Hélio, o menino que foi arrastado por quarteirões no Rio de Janeiro, essa medida poderá, ao menos, dar uma sensação de justiça em um país marcado pela impunidade.

Enquanto o Senado discute a maioridade, o povo sofre a maior violência. Dia a dia, as pessoas têm sido violentadas em todas as esferas e, principalmente, em sua dignidade. Será que se tivéssemos empregos, bons salários, saúde de qualidade, boa alimentação e principalmente educação, estaríamos discutindo o que fazer com os jovens infratores? Os sociólogos diriam que sim, mas a Bíblia diz que, de dentro do homem, procede todo mau desígnio (Mc 7.21). Contudo, é claro que saber que o homem sem Deus é governado pelos seus instintos e pela maldade que habita em seu ser não exime os governos de darem ao povo uma vida digna. Não esperemos o paraíso aqui e agora! Não obstante, temos que reivindicar os direitos que são garantidos pela nossa Constituição.

Discutir maioridade é importante sim. Mas, o que devemos fazer é discutir a moralidade de nossa época. Em um país em que a população não acredita em seus governantes, pois a classe política, fazendo sempre as devidas exceções, é uma das propulsoras da impunidade e do dinheiro fácil sem escrúpulos, como reivindicar retidão e justiça? Deus acusa o povo em Oséias (Os 4.9) de ser igual aos sacerdotes, ou seja, o exemplo começa de cima!

Um dos adolescentes envolvidos no caso de João Hélio, segundo relatos da imprensa, era de família boa e com recursos necessários para dar-lhe uma boa educação. Entretanto, nada disso adiantou, pois o menino que até igreja evangélica freqüentava, não titubeou em participar de assaltos e desse crime cruel.

Ah, queridos! Talvez não tenhamos condições de resgatar a sociedade em geral, pois sabemos que só Deus pode fazer isso, mas, no mínimo, podemos pedir maior dignidade. Podemos apelar para aqueles que ainda possuem em seu íntimo a semente da moralidade que Deus colocou no coração do homem (Rm 2.14) por dias mais belos e noites mais seguras. Podemos, no mínimo, pedir aos governantes que deixem nossos filhos crescerem sem nos preocuparmos com balas perdidas e com as sinaleiras e a tão comum violência que invade nossas casas e devassa nossas vidas! É claro que todas as coisas estão debaixo do controle soberano de Deus e, por isso, a primeira medida é orarmos a Ele. Entretanto, não há maioridade ou menoridade que possa acalentar o coração de um pai que tem que juntar os pedaços de seu filho para enterrá-lo. Juntamente com João Hélio, certamente, aqueles jovens assassinos mataram os pais daquele menino! E o pior disso tudo é que ninguém pode se sentir seguro. Ontem foi João Hélio, hoje poderá ser qualquer um de nós!

Oremos para que Deus nos proteja desse mundo violento, onde o homem mal constantemente maquina contra os Seus filhos e contra todos os homens. “Livra-me, SENHOR, do homem perverso, guarda-me do homem violento” (Sl 140.1).

Rev. Ricardo Rios Melo.

Uma igreja relevante

Uma igreja relevante Há muito se fala de que a igreja precisa ser relevante. Arautos da Teologia da Missão Integral dizem que a igreja...