segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Balanço do Carnaval

Balanço do Carnaval

Queridos e amados irmãos, mais um Carnaval chegou e com ele muitas coisas também chegaram: a fantasia de felicidade de muitos que depositam suas expectativas nesse feriado. Parece loucura, mas muitos “foliões” colocam a expectativa da alegria nesses dias. Eles ficam o ano todo esperando esse momento para soltar, dizem eles, as “energias negativas” adquiridas. Muitos casamentos foram desfeitos. Não dá para contabilizar, mas é certo que muitos maridos e esposas nessa época se separam por infidelidade. Muitas doenças se propagam: apesar da campanha do governo pelo uso do preservativo que inibe a doença e incentiva a promiscuidade, muita gente que não usa o preservativo, por estar tão bêbado ou por confiar no parceiro, contrai doenças incuráveis. O índice de gravidez indesejada provavelmente aumenta: apesar de certas campanhas indevidas para o uso da pílula do dia seguinte, muitas não se utilizarão dela. O índice de acidentes na estrada, por causa da bebida, também é alto: mortes, brigas e prisões, coisas que não são muito divulgadas pela mídia, para não afastar os turistas.

O Carnaval passa e com ele se renovou a velha tática romana do “pão e circo”, pois nesse período, aumentou a gasolina, o pobre continua mais pobre, a insegurança dos cidadãos que ficam cada vez mais presos, enquanto os bandidos ficam soltos. Tudo continua a mesma coisa, pois a “alegria” do carnaval é passageira e os prazeres do carnaval são momentâneos e alienadores.

O Carnaval é uma festa pagã em que os pagãos pagam para ouvir músicas que quase sempre não dizem nada ou que têm duplo sentido. Pagam para dançar coreografias sensuais que mexem com a libido. Essa festa cada vez mais representa a bacchanália em que os camponeses homenageavam o deus Baco com muita bebida e orgias sexuais, para comemorar a colheita na Roma pré-cristã. Se vocês acham que estou exagerando, façam uma pesquisa e verão que a nudez aumentou. Nesse período, as mulheres disputam quem vai sair na próxima revista masculina e os jovens fazem conta de com quantas pessoas eles “ficaram”. No exterior, a imagem de um Brasil cheio de mulatas desnudas só estimula o turismo sexual e a crença de que o Brasil é um país de terceiro mundo e não civilizado.

Enfim, Carnaval – a festa da carne (alguns discordam dessa etimologia), a festa do pecado – deixa um saldo negativo na espiritualidade que já era de zero para aqueles que não são Cristãos, que atentam contra as consciências e que arrastam alguns cristãos que estão fracos na fé. Representa nada mais, nada menos que o afastamento do homem de Deus. Carnaval: 100% de pecado, 0% de espiritualidade, 100% de desilusão e ilusão.

Para quem se retirou, literalmente, e pôde passar momentos com os irmãos em acampamentos e passeios, ou até em casa, o saldo é positivo, pois estreitamos a comunhão com os irmãos e fomos edificados mais com a Palavra de Deus. Aprendemos também que a “alegria” do mundo não se pode comparar com a alegria que vem de Deus, pois a alegria de Cristo é indizível.

Se você quer saber o que incomoda muita gente é o fato de que os crentes não precisam de bebida para ficarem alegres, não precisam “ficar” para se satisfazerem, pois a castidade pré-nupcial e o casamento já satisfazem o crente. A fidelidade ao namoro e ao casamento também, pois assim os cristãos estão sendo fieis ao próprio Deus e amando ao irmão e também não provoca ninguém com a sensualidade para não defraudarem o irmão.

Queridos, o balanço do Carnaval pela igreja deve ser esse: se você se comprometer mais com Deus nesse período e avaliar o Carnaval como abominação a Deus, você estará com seu saldo positivo, mas se você cair na bacchanália, certamente você agradará o deus Baco, ou melhor você agradará a satanás.

Essa pastoral tem o intuito de lhe dizer que não precisamos da festa da carne: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer” (Gl 5.16,17) e mais à frente o texto diz: “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5.19-21), pois somos espirituais e a nossa alegria não se resume a poucos dias e não precisa ser movida a música e a bebida e outras coisas, pois temos a paz e alegria que excede todo entendimento (Jo 14.27): “e os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna (Gl 5.24 – 6.1).

Deus nos livre da carne e nos liberte cada vez mais de seus efeitos!

Rev. Ricardo Rios Melo

sábado, 16 de janeiro de 2010

Paul Washer - A Ira de Deus

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Paul Washer - Os Falsos Mestres

Spurgeon | Sofrendo para Servir - Mark Driscoll

C. H. SPURGEON - AVALIE O PREÇO - REFLEXÃO

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Onde você passará o réveillon?

Reveillon - Queima de fogos em Copacabana - Rio de Janeiro
Foto: Rio Convention & Visitors Bureau

Onde você passará o réveillon?

Essa pergunta é feita com freqüência nesses dias que antecedem o fim de ano: onde passaremos o réveillon? A palavra réveillon é derivada da palavra francesa réveiller, que significa despertar. Portanto, a pergunta ao pé da letra seria: onde você despertará?

A comemoração desse dia remonta a tradição romana que “tem origem num decreto do governador romano Júlio César. Ele fixou o 1º de janeiro como o Dia do Ano-Novo, em 46 a.C. Os romanos dedicavam esse dia a Jano, o deus dos portões. O mês de Janeiro deriva do nome de Jano, que tinha duas faces: uma voltada para frente e a outra para trás”.[1]

Hoje essa data é marcada por simbolismos e superstições: usar o branco, por exemplo, como o símbolo da paz. Contudo, se isso desse certo, era só pedir para todos os exércitos do mundo vestirem-se de branco para se ter a paz mundial. Todos os anos, as pessoas se vestem de branco e proclamam a paz, regadas a champanhe. Mas, no dia seguinte ou até na própria noite, já se pode perceber que isso não é eficaz.

Abram de Graaf fala com propriedade sobre a situação desse mundo caótico e que desconhece a paz: “Assim é a situação no mundo, irmãos. A paz do mundo é uma mentira. O mundo fala sobre paz, mas planeja maldade; não há justiça e por causa disso não há paz neste mundo, e nunca haverá, se depender do homem. Nem no mundo, nem nas igrejas, nem nas casas. A verdadeira paz não vem do homem, a história do mundo já provou isso; a verdadeira paz vem do Senhor”.[2]

No réveillon, além de proclamarem a paz e fazerem e praticarem vários tipos de atos místicos e sem sentido, as pessoas fazem projetos que nunca irão cumprir: mudança de comportamento, parar de fumar ou de beber, emagrecer etc. É o ano da mudança!

Querido, não tenhamos a ilusão de que as coisas mudarão apenas porque o ano é novo, pois se você continuar o mesmo, o ano será velho.

Acredito que a pergunta para esse fim de ano é essa: como você passará o ano novo? Poderíamos ser mais precisos: você despertará no ano novo? Se você já é cristão, será que se despertará para uma vida de santidade e trabalho? Será mais ativo na igreja e fora dela ou continuará dormindo?

Se você não é crente, a pergunta é essa: você sabe onde despertará? Parece uma pergunta apelativa, mas, pense comigo, assim como os anos passam e os dias correm, nossas vidas estão se esvaindo por entre nossos dedos. Não temos controle do tempo, portanto, melhor que saber sobre onde passaremos o réveillon, é saber se despertaremos bem: céu ou inferno.

Faça um ano diferente, sem mentiras para si mesmo: desperte desse sono mórbido.

“Mas todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo que se manifesta é luz. Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor” (Ef 5. 13-17).

Rev. Ricardo Rios Melo

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

“Deixa a vida me levar”


“Deixa a vida me levar”

Esse é o refrão de uma música famosa do cantor e compositor Zeca Pagodinho. Como é de costume no Brasil, o ilustre artista retrata parte de sua vida e maneira de viver. Ele diz: “Eu já passei por quase tudo nessa vida; em matéria de guarida, espero ainda a minha vez. Confesso que sou de origem pobre, mas meu coração é nobre. Foi assim que Deus me fez... E deixa a vida me levar, (Vida leva eu!), Deixa a vida me levar, (Vida leva eu!) Deixa a vida me levar (Vida leva eu!). Sou feliz e agradeço Por tudo que Deus me deu... Só posso levantar as mãos pro céu Agradecer e ser fiel Ao destino que Deus me deu Se não tenho tudo que preciso com o que tenho, vivo De mansinho lá vou eu... Se a coisa não sai do jeito que eu quero, também não me desespero, o negócio é deixar rolar; e aos trancos e barrancos Lá vou eu! E sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu... Deixa a vida me levar (.repete o refrão)”.

Essa música é bastante interessante. Ela retrata a crença popular brasileira de origem Católica Apostólica Romana. Contudo, como é comum no Brasil, aceita-se partes do dogma e nega-se aquilo que confronta a própria experiência do indivíduo.

Na música de Zeca Pagodinho, ao mesmo tempo em que se credita a Deus o destino vivido, há um conflito, acredito que sem intenção, com a forma deísta de pensar.

Os deístas acreditavam que se poderia chegar a conhecer a Deus pela razão e não era necessário abraçar igreja ou religião alguma para se chegar a Deus. Também acreditavam que Deus não intervém e, muito menos, dirige a história humana. Cada homem decide seu caminho por intermédio de sua razão. Filósofos famosos, como Voltaire (1694-1778), acreditavam nessa corrente.

A música do compositor brasileiro Zeca Pagodinho certamente não teve a intenção de nos criar esse dilema. O fato é que todos nós somos influenciados por algum pensamento ou por vários pensamentos ao longo de nossa história. Nós somos seres de uma época e cultura que interagem passiva e ativamente com o meio. Portanto, é impossível alguém ter um pensamento só seu. É mais provável que ele não saiba quem foi que o influenciou. Até os opositores de um pensamento tomam por base o pensamento que existe para se oporem.

Poderíamos pensar nessa música por outro ângulo. Seria ela determinista? “Só posso levantar as mãos pro céu Agradecer e ser fiel Ao destino que Deus me deu”. Bom, essa parte da música parece bastante fatalista e devota ao mesmo tempo. Ela diz que o destino foi Deus quem Deus e que ele (o compositor) deve ser fiel ao destino dado.

O determinismo crê que todos os eventos, vontades, acontecimentos são determinados, ou melhor, causados por leis mecânicas. Kant foi o mais moderno filósofo a usar essa terminologia. Ele não pretendia estabelecer uma ordem finalística. Não é um busca da resposta final, mas da causa; da origem que determinou o fenômeno. Tecnicamente falando, seria “1º ação condicionante ou necessitante de uma causa ou de um grupo de causas; 2º a doutrina que reconhece a universalidade do principio causal e portanto admite também a determinação necessária das ações humanas a partir de seus motivos.”[1]

Já o fatalismo crê que, mesmo que se evite a causa, não se poderá mudar o fim da história. No fatalismo, temos que aceitar os fatos como eles são e de maneira resignada. Dentro dessa perspectiva, poderíamos classificar parte da música supracitada como sendo fatalista. O compositor diz que deve apenas levantar as mãos para o céu e agradecer o destino que Deus lhe deu.

Concluamos esta despretensiosa avaliação crítica da música. O autor nos leva a inferir que ele crê em um Deus que determinou todas as coisas boas e más da vida dele, por isso se a vida está levando-o para determinada situação, a única coisa que ele deve fazer é agradecer pelos acontecimentos e as coisas boas e más que Deus lhe concedeu.

O autor acredita na bondade do seu coração “meu coração é nobre”. Fala sobre “os trancos e barrancos” que enfrenta na vida e canta “deixa a vida me levar, vida leva eu!”.

Querido, você pode ter achado uma bobagem fazer essa avaliação tão filosófica de uma canção popular. É claro que os compositores populares não estão pensando nas pressuposições filosóficas de sua pena. Nem tão pouco pretendem imprimir de maneira intencional comportamentos e estruturas de pensamento. Todavia, é isso que acontece.

Todos nós somos influenciados por algum tipo de pensamento e de comportamento. O problema é que poucas pessoas sabem disso. Estamos o tempo todo influenciado o meio e sendo influenciados pelo meio: família, sociedade, amigos, parentes, jornais, filmes, novelas etc.

O cristianismo não é determinista, pois acredita que Deus é quem governa o mundo. O determinismo fala que são as causas naturais que determinam a ação. O cristianismo diz que Deus governa o mundo que criou. Ele não intervém na história, ele é Senhor da história.

O cristianismo também não é fatalista. Segundo Bavinck, “A postura Cristã para com a ordem da criação nunca é um fatalismo; a astrologia é superstição vergonhosa. A providência de Deus não anula as causas secundárias ou a responsabilidade humana. O governo aponta para a meta final da providência: a perfeição do governo majestoso do Rei. Ainda que seja correto em certas ocasiões falar em “permissão” divina, esta não deve ser interpretada de tal maneira que negue a soberania ativa de Deus sobre o pecado e o juízo”.[2]

Bom queridos, todos nós somos influenciados por algum pensamento. Resta saber de você como tem vivido sua vida: deixando a vida te levar ou depositando sua vida na soberana vontade de Deus?

Você é um deísta, fatalista ou crê na divina providência?

Queridos, não deixem a vida te levar! Saibam a origem dos pensamentos que você pensa que são seus.

“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28).

Rev. Ricardo Rios Melo





[1] ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia, 4ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000, p. 245.