sábado, 7 de abril de 2018

Uma igreja relevante


Uma igreja relevante

Há muito se fala de que a igreja precisa ser relevante. Arautos da Teologia da Missão Integral dizem que a igreja tradicional perdeu sua relevância. Perdeu seu papel na sociedade. A questão inicial é que a relevância da igreja é essencial, substancial. Ela procede inequivocamente do desejo de Deus de construir sua igreja. Portanto, sua relevância procede de Deus.
Para não ser leviano, devemos admitir que o que a teologia da missão integral e afins querem dizer é que a instituição humana igreja (como denominação humana) perdeu sua eficácia na sociedade.
Em artigo bastante instigante, o diretor de programas da Visão Mundial, Maurício J.S. Cunha, nos faz a seguinte pergunta:

Uma pergunta que cabe a todos nós, especialmente aos líderes eclesiásticos é: se sua igreja, num piscar de olhos, desaparecesse da comunidade onde está inserida, o que a comunidade ao redor ia achar disso? Infelizmente, a resposta sincera a esta pergunta denunciaria a quase completa irrelevância de grande parte das comunidades cristãs, quando não um testemunho comunitário negativo. Será esta a nossa vocação? Devemos nos contentar com esta situação? Uma igreja relevante é assim reconhecida pela comunidade onde está inserida. (Cunha, Maurício J.S; http://ultimato.com.br/sites/paralelo10/2009/09/igreja-relevante-parte-i/ - acesso 06/04/2018).
Percebam que a pergunta é extremamente perturbadora. Ela nos remete, no mínimo, a duas perguntas existenciais: 1. Quem somos; 2. O que fazemos.
 Biblicamente, a igreja tem o sentido de assembleia de pecadores que foram chamados e redimidos em Cristo.  Em outro arrazoado, já foi tratada a significação da ideia de igreja:

Nas Escrituras, a palavra igreja está associada a grupo, assembleia, corpo, reunião de pessoas. O apóstolo Paulo diz que nós somos o corpo e Cristo é a cabeça: 1 Co 12,27; Ef 3.6;  Ef 4.12,16; Cl 1.18; 2. 19. O Novo Testamento tem no mínimo 73 citações diretas e 74 indiretas com o nome igreja. Como não existe exército de um homem só, não existe igreja de um homem só.  Eu não sou a igreja. Você não é a igreja, mas nós juntos somos a igreja. Igreja implica conjunto e pluralidade. A Bíblia afirma categoricamente que foi pela igreja que Cristo, vero homem e vero Deus, morreu: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue”  20:28.
Muitos confundem igreja com prédio. É verdade que a igreja não está vinculada a um prédio ou edifício de tijolo. Nós somos os tijolinhos de Cristo. Separados somos tijolos, juntos somos o edifício que Deus está formando sobre o fundamento, a Rocha que é Cristo. Parafraseando uma ilustração que ouvi de Joel Beeke, a igreja assemelha-se a uma grande construção: há pregos soltos, entulho, vigas, paredes sem reboco, escadas, andaimes, pouca coisa leva a acreditar que aquela obra empoeirada será um lindo edifício. Contudo, mesmo no meio de tudo isso, Cristo está edificando sua igreja. O noivo vê sua noiva linda e majestosa, imaculada, sem rugas: “para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” Ef 5:27. (Melo. Ricardo Rios, http://arrazoar.blogspot.com.br/2014/08/o-crente-nao-praticante.html , acesso em 06/04/2018).

Vamos discutir o que somos e o que fazemos. Quem define o que somos é o próprio Deus. Somos o corpo de Cristo. A igreja é a noiva de Cristo e tem sua relevância proposta pelo próprio Deus. O que fazemos? Somos chamados para adoração ao nosso Deus. O nosso Catecismo Maior de Westminster nos diz em sua primeira pergunta: “1. Qual é o fim supremo e principal do homem? O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. Rm 11.36; 1Co 10.31; Sl 73.24-26; Jo 17.22-24.
O objetivo da igreja é prestar culto público, solene e culto individual dos que foram chamados das trevas para luz. Sendo essas perguntas respondidas de maneira sucinta, devemos nos perguntar: se a Igreja Presbiteriana Memorial da Barra, que completa 29 anos de existência, fechasse as portas hoje, que falta ela faria nesse bairro e na cidade de Salvador?
A resposta tem dois fatores: o fechamento de uma igreja em determinado lugar significa, em última instância, juízo de Deus ao seu povo, no sentido de que Deus está disciplinando seu povo e, de maneira indireta, enviando juízo para as pessoas que moram nessa região, pois Deus os entregou às trevas.
É claro que essa observação está no âmbito da essência da expressão igreja, e não na instituição humana. Contudo, Deus manifesta sua vontade espiritual na realidade humana. Países em que o Evangelho não pode ser pregado são países que estão debaixo do juízo de Deus.
Quando uma igreja que é fiel e que se mantém depositária da fé, que de uma vez por todas foi entregue aos santos, é fechada em algum lugar, isso significa juízo de Deus para aquele local. Mas, quando uma igreja infiel é fechada, é juízo para o povo de Deus.
Em um momento de alegria que vivemos pelo aniversário da igreja que faz 29 anos, precisamos nos perguntar no sentido bíblico: estamos sendo uma fiel depositária da fé? Estamos pregando o evangelho da graça? Estamos firmes no propósito de nos mantermos santos em um mundo caído? Essa resposta tem sido respondida positivamente ao longo do tempo de existência da igreja Presbiteriana Memorial da Barra.
O evangelho não foi negociado e vidas têm sido edificadas nesse local. Defeitos, erros, pecados acontecem na nossa trajetória, mas o arrependimento e a busca por andar fielmente por Deus tem sido a marca de nossa Igreja.
Portanto, voltando à pergunta da relevância, a resposta é que a igreja não tem dentro do seu papel principal ser conhecida em um bairro pela sua ação social, mesmo que isso seja importante. A igreja não tem sua relevância em seu papel civil nas lutas contra as injustiças sociais, mesmo que isso também tenha sua relevância. O papel da noiva é se apresentar ao noivo em fidelidade.
Em Atos, Lucas nos revela alguns aspectos interessantes: louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” At. 2.16, 47. Lucas revela que a igreja crescia, mantinha-se firme na doutrina dos apóstolos e, nesse versículo específico, diz que a igreja louvava a Deus e contava com a simpatia do povo.
A expressão simpatia (χαρις charis) significa graça, aquilo que dá alegria, deleite, prazer, doçura, charme, amabilidade. Lucas revela que a igreja contava com a simpatia. Não existia ainda oposição à igreja: “Os cristãos não enfrentam ainda nenhuma oposição da parte do povo judeu em geral, nem de seus líderes religiosos em particular. A vida deles é exemplar, de forma que, por meio de sua conduta, eles podem conduzir outros a Cristo”[1].
O livro de Atos nos revelar que essa simpatia inicial dos judeus, paulatinamente, vai se transformando em oposição. Portanto, parece que a ênfase de Lucas está no procedimento santo da igreja e não na influência social ou cultural. Lucas trabalha com a tese de que Deus está guiando a igreja e acrescentando os seus. O Espírito Santo está dirigindo sua igreja.
Portanto, usar esse texto como uma regra a seguir, no sentido de que sempre a igreja terá a simpatia da sociedade, é uma falácia; pois a oposição ao Evangelho é algo que deve ser esperado.
Isso também não significa que temos que contar com a antipatia do povo. Mas, não devemos criar uma tese de que a igreja precisa ser aceita pela sociedade.
Dito isso, pensemos nesses 29 anos dentro do propósito principal da igreja: adoração, proclamação, edificação, santificação. É muito bom sermos reconhecidos e respeitados pelos nossos vizinhos. É imperativo que tenhamos bom testemunho, contudo a nossa essência é determinada por Deus e seu propósito para igreja.
Não é a sociedade que dirá se somos relevantes ou não. A Genebra de Calvino não mudou por conta de suas ênfases sociais. Sua relevância na vida social veio da redescoberta da essência cúltica da igreja.  
Enquanto a IPB Memorial da Barra estiver no propósito santo de Deus para sua igreja, seremos relevantes, pois continuamos sendo igreja. A igreja só deixa de ser relevante quando ela deixa de ser igreja.
Se a Igreja Memorial saísse do nosso bairro, o que aconteceria? Espero que, a essa altura, você saiba a resposta.

Feliz aniversário, IP Memorial da Barra!
Rev. Ricardo Rios Melo







[1] Kistemaker, S. (2016). Atos. (É. Mullis & N. B. da Silva, Trads.) (2a edição, Vol. 1, p. 152). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Corpos descartáveis: uma breve análise de uma sociedade perversa

Corpos descartáveis: uma breve análise de uma sociedade perversa
Rev. Ricardo Rios Melo

Estamos em fevereiro ainda, mas já passou o carnaval. Carnaval, para algumas pessoas, é sinônimo de “pegação”. Pegação é uma gíria popular para “azaração”, que é outra gíria para “ficar” que significa ter relações sexuais com pessoas estranhas ou conhecidas sem compromisso.
 A ideia é simples: beijar e se agarrar com desconhecidos e, se possível, fazer sexo “seguro” sem a segurança de que depois ficarão juntos para sempre. Aliás, juntos para sempre é démodé para esse grupo.
Olhando os programas dos canais fechados ou abertos da televisão, é nitidamente comprovado que o sexo saiu do antigo tabu para a banalidade. Muita gente faz sexo como um compulsivo por doces chupa uma bala e descarta o papel. Não se tem critério algum.
Aplicativos de encontros foram criados para pessoas que querem o famoso sexo casual: sem compromisso. Casais casados (nos moldes antigos) estão aderindo ao relacionamento aberto com consentimento ou não. Há até acusações, não sei se fundamentadas ou não, sobre um possível incesto no Big Brother Brasil. Incesto em alguns países e pelo pensamento de esquerda evolucionista é uma construção judaico-cristã.
Estamos caminhando para uma sociedade onde as famílias tradicionais são questionadas e atacadas, pois fazem parte de um velho mundo de velhos tabus, dizem os adeptos do culto ao sexo. A ordem é: quebrar com tudo o que é antigo, sagrado, fechado e, segundo eles, arcaico.
A antiga psicanálise, que também é muito combatida por diversos grupos, diz que a estrutura perversa é aquela que se fixa no objeto e não no todo. Ela tem fixação pela parte. Um exemplo prático é o fetichista que só consegue encontrar prazer em uma parte do corpo do outro. Um pedólatra, exemplificando, só consegue ter prazer se o pé do outro tiver atrativos para ele. O sadomasoquista só encontra prazer torturando; o masoquista, sofrendo, e assim por diante.
A psicanálise freudiana distingue o fetiche dos fetichistas da seguinte forma: o neurótico brinca com o fetiche, mas consegue ter prazer sem ele. Mas, o perverso da psicanálise só tem prazer se o elemento fetichista estiver no jogo. Portanto, o neurótico pode ter relações sexuais sem que alguns elementos fetichistas estejam presentes, mas o perverso não consegue ter uma relação prazerosa sem o fetiche.
A perversão dentro da psicanálise é considerada o obscuro do ser humano. Para termos uma ideia, o sociopata também está enquadrado na estrutura perversa. O sociopata vê o outro como um objeto descartável. Ele só pensa no seu prazer egoísta. Não há cuidado, interesse ou compaixão pelo outro. O outro só existe para satisfazer seus desejos.
O conceito de perversão da psicanálise se enquadra bem no que estamos vivendo: sexo sem compromisso e indiscriminado, banalizado, mulheres e homens mostrando seus corpos nus ou seminus, sexo explícito em programas de televisão, jovens e adultos mostrando suas fotos nuas em aplicativos, pessoas de todas as idades que não veem problema em filmarem suas relações íntimas e postarem na internet. Parece que rejeitaram o Deus cristão e abraçaram o deus romano Baco.
Um passeio pelas ruas de Salvador depois do carnaval é uma visão tétrica: preservativos nas ruas, cheiro insuportável de urina e fezes, pessoas ainda na quinta-feira jogadas no chão totalmente embriagadas. Homens e mulheres desfilando quase nus perto do Farol é uma cena normal para uma sociedade adoradora de Baco.
Para o perverso, o corpo é descartável. Ele só tem sentido no prazer imediato e transitório. Esse arrazoado pode ser erroneamente criticado como moralista religioso. Bom, não nego meus óculos cristãos reformados de enxergar a realidade. Contudo, espero que você reflita que uma relação amorosa é mais que o entrelaçar de corpos, mas é um entrelaçamento de almas.
O corpo só tem o direito de ter prazer se a alma participar, pois sem a alma ele estaria morto. O ser humano é um todo unificado, portanto o que você faz com seu corpo reflete para eternidade.
Usar o outro como um chiclete que quando perde o gosto se cospe fora, não foi o propósito de Deus para a sexualidade humana. Deus deu o prazer ao ser humano para ser usufruído dentro dos seus princípios. Pensem, poderíamos ser como animais no cio que copulam apenas para procriarem. Contudo, Deus nos deu prazer e colocou em nosso coração o amor.
Poderíamos ver tudo em preto e branco, mas vemos cores. Poderíamos não sentir gosto algum, mas Ele nos deu paladar. Poderíamos ter apenas uma relação fútil, fugaz, descartável, mas Ele nos deu a capacidade de amar.
Essa capacidade de amar não se encontra nos perversos, pois eles só conseguem amar a si mesmos. São ególatras e usam os outros para seus fetiches.
Querido leitor, vá além do que estou dizendo! Pensem nessa sociedade descartável. Os valores estão virando descartáveis e relativizados; e o outro, usando uma palavra que pedagogos gostam de usar, coisificados. A objetização do outro é um rumo sem volta.
Quando pensamos que o outro só existe para os nossos prazeres, perdemos a ideia do coletivo, do próximo e da sociedade.
Quando olhamos para outro como algo e não como alguém, estamos caminhando para o fim da sociedade. Pois, para sermos uma sociedade, é necessário respeito mútuo e apreço pelo outro. A utilização do outro para nossos prazeres egoístas é como um psicopata que descarta um corpo em uma vala qualquer.
As mulheres que lutaram por respeito são despersonalizadas por músicas cantadas e compostas por mulheres – foram partidas, despedaçadas e reduzidas à uma parte do corpo ou partes do corpo. Músicas que apelam para exposição do corpo e insinuação de sexo são ovacionadas por uma sociedade do descarte, da desova.
Essa é uma sociedade do desejo, do desejo pessoal e da fome de satisfação canibal. “Hannibal”[1] com toda sua poesia não poderia ser mais sádico do que isso: usar e descartar. Ao menos “Hannibal”, com toda sua loucura canibal, buscava alimentar-se das qualidades do outro. Essa sociedade quer apenas o invólucro, o corpo sem qualidades, sem alma, sem personalidade, apenas um corpo descartável na Bahia sem santos, no Rio sem o Cristo, no mundo sem o Redentor.

 “Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”. Rm 12:1

Rev. Ricardo Rios Melo






[1]Hannibal Lecter é um célebre personagem de ficção criado pelo escritor Thomas Harris, que apareceu pela primeira vez no livro Dragão Vermelho, de 1981. No cinema, Hannibal estreou no filme Manhunter, de 1986, interpretado por Brian Cox, mas, foi apenas no filme O Silêncio dos Inocentes, de 1991 que a personagem, desta vez interpretado por Anthony Hopkins, ficou famoso. Mais três filmes e três livros sobre o médico canibal foram produzidos” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Hannibal_Lecter - acesso em 17/02/2018).

sábado, 30 de dezembro de 2017

Pela janela da vida

Pela janela da vida
Rev. Ricardo Rios Melo

A vida é cheia de surpresas, diz o senso comum. Essa frase entende que a vida tem vida própria. Ela é totalmente desorganizada, mas tem seu ritmo próprio. Mas, se ela tem ritmo, esse não é descadenciado. Entretanto, dizem os especialistas do acaso, a vida tem seu próprio curso.

O tempo também é autônomo para uma parte das pessoas. Ele é curador de doenças emocionais e algoz do corpo. O tempo, segundo o senso comum, é invisivelmente senhor da vida. Contudo, a vida não tem senhorio para os donos da vida.

É... você deve ter achado confuso esse início de discussão, não é? Pois é... confuso mesmo. A única certeza que a maioria das pessoas têm é “Que a vida é trem bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir
”.  Somos passageiros, segundo essa ideia, e o trem para em estações que ele mesmo escolheu. Você não tem controle de nada.

Há dentro dessa ótica da “vida louca vida” os que acreditam que existe uma energia poderosa que controla a vida, mas que se você tomar ciência dela, você pode assumir o comando. Entretanto, quando um acidente acontece, elas dizem: “faz parte da vida”.

No mês de dezembro de 2017, peguei um taxi e, como sempre, conversei com o taxista. Esse bom profissional me surpreendeu. Ele disse que era ateu e que acreditava em uma energia que domina o mundo. Procurou falar do filósofo holandês, Baruch de Spinosa (1632-1677), também falou do naturalista Charles Darwin (1809-1882), falou das igrejas neopentecostais. Criticou o moralismo cristão. Mas, de repente, o seu filho liga e ele amorosamente responde. Fiquei pensando sobre essa cena tipicamente judaica cristã.

Depois que ele falou com o filho, eu lhe perguntei: bom, o senhor tem valores judaico-cristãos, pelo que acebei de perceber em sua ligação. Comecei a falar sobre filosofia moral e usar o argumento ontológico de Anselmo De Cantuária (1033-1109). A minha abordagem não era tentar convencê-lo da existência de Deus, pois creio que essa obra é sobrenatural, mas estava curioso em saber como ele responderia aos argumentos.

Comecei a falar também do Método de René Descartes (1596-1650). O meu ponto era que não existe ateísmo antes do período racionalista. Não há registros de ateus antes do advento do racionalismo e do iluminismo. Descartes não descrê em Deus apesar de ter excluído Deus do seu método científico.

Bom, não continuarei esse arrazoado filosofando para não cansar os leitores. A minha questão é: quando saímos de casa, não sabemos com quantas pessoas falaremos e como elas responderão. Não existe uma receita do bolo em nossas relações, pois cada pessoa é um universo de possibilidades (mesmo que saibamos, como cristãos, a origem de todos os males).

Aquele homem, que tinha um nome grego, era um taxista. Um homem do dia-a-dia. Um homem comum que filosofava sobre a vida e sobre as possibilidades e impossibilidades. Enquanto ele falava, eu prestava atenção e olhava para a rua.

Pela janela do carro, vejo as pessoas passarem rapidamente. Estão correndo o tempo todo. Estão vivendo o aqui e o agora. Muitas delas nem sequer atentaram para essas grandes perguntas da vida: qual o sentido da vida? Estou sozinho no universo? Há governo? Existe um Deus? Qual a origem da família e das pessoas com quem convivo? Estão “caminhando e cantando e seguindo a canção”.

Contudo, um dia você poderá se deparar com alguém que olha através da janela de sua casa e se pergunta: qual o sentido disso tudo? Na fala do meu amigo taxista: somos uma sucessão de acasos e de improbabilidades governados por uma energia viva e sem controle.

Da janela de sua vida, no alto dos seus cabelos embranquecidos pelo tempo, apenas uma coisa não está organizada na vida desse motorista: uma ligação; uma ligação afetiva, emocional, mas, para ele, energética, informe e gestada pelo acaso.  

Ele ficou curioso por eu saber um pouquinho do que ele estava falando. Afinal de contas, passei perto do tipo de pensamento que ele expressava e sabia um pouquinho dos pensadores em questão.

Ele ficou surpreso ao saber que eu era pastor e logo perguntou de que igreja. Quando falei que era presbiteriano, ele elogiou a igreja (ufa...pensei comigo). Contudo, cheguei no meu destino e ele disse que precisava me estudar (achei engraçada a frase... deve ter me achado louco...risos). Perguntou minha idade e quase não acreditou que eu era tão novo para o conceito dele.

O final dessa história, provavelmente eu não poderei saber. Contudo, fiquei pensando sobre o ateísmo energético daquele homem. Lembrei-me da época em que eu acreditava em um deus que era impessoal e pura energia. Afinal de contas, não nasci em um berço protestante.

Ao escrever esse pequeno grande arrazoado, minha mente viajou para uma época em que eu ficava da janela da sala de casa olhando as pessoas andando e uma comunidade que ficava bem na frente do prédio em que eu morava.

Pessoas que, em poucas horas, perdiam suas casas e pertences com as chuvas fortes que aconteciam periodicamente no meio do ano. Como eram suas janelas? Como elas enxergavam a vida? Como encontravam forças para recomeçar? Será que uma energia as faria levantar? Será que pensar que nada existe além da morte as faria catar os pedaços de suas vidas? Essa observação gerou até uma letra de uma música minha (isso é outra história).

Será que elas pensavam que a vida era governada por uma energia ocasional? Será que elas acreditavam que virariam adubo para plantas? O que se passa na janela de suas vidas?

Aqui em Salvador, terra de uma das maiores festas populares brasileira, às vezes penso que as janelas estão embaçadas! Há uma crosta enorme nos vidros. Muitas já emperraram. Os ferrolhos do tempo enferrujaram as consciências. Na dança da vida louca vida, não há tempo para contemplar nem o belo.

Aliás, falando do belo, a utilidade do belo transcende a teoria da utilização, como diria Roger Scruton, em seu livro Beauty. A beleza das coisas transpõe o olhar utilitário da vida e embeleza seus vitrais.

Talvez você esteja andando pelo mundo, e como diz a música, “vendo tudo quadrado pela janela do carro”. Entretanto, além da janela, e até mesmo dentro da janela, existe algo além do que vemos, pensamos e sentimos.

Eu não creio em um mundo governado por sucessões de acasos. Não creio que a desorganização geraria a beleza das coisas. Não posso concordar com meu amigo taxista. Pois, da janela da minha vida, vejo um Deus criador de todas as coisas, que governa átomos, moléculas, ondas, o invisível, e nada é imponderável para Ele.

Da janela da minha vida, vejo propósito nas coisas existentes, vejo finalidade, vejo organização. Mas, eu sei que nenhum argumento teleológico, cosmológico, ontológico convencerá meu amigo taxista. Não foram esses argumentos importantes dentro da filosofia cristã que me fizeram acreditar em um Deus pessoal (que tem persona).

Não foram argumentos da filosofia estética que me fizeram enxergar através da janela da vida, não! Foi o Espírito Santo de Deus, uma das três pessoas da santíssima Trindade, que imputou a obra de Cristo em meu coração.

Meu testemunho não serve para convencer ninguém. Contudo, a minha intenção é que nesse ano novo você olhe pela janela de sua vida com um outro olhar. Que o Senhor limpe suas janelas, destrave os ferrolhos e te faça enxergar o Sol da Justiça: Cristo!

Não somos formigas movimentando um mundo sem sentido, sem objetivo. Também não somos tão pequenos e desprezíveis, pois somos seres pensantes e fazemos coisas magníficas. Mas, também não somos deuses manipuladores de energias incontroláveis. Não somos maiores do que pensamos ser e nem menores do que somos.

“O que é o homem na natureza? Um nada em relação ao infinito. Um tudo em relação ao nada, um ponto a meio entre nada e tudo.” (Blaise Pascal)

 “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens” (1 Co 15:19).

Antes de festejar, olhe pela janela!

Em Cristo e por Cristo,

Rev. Ricardo Rios Melo







sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Enquanto as luzes não se apagam – uma breve avaliação do crescimento do ódio ao Natal

Enquanto as luzes não se apagam – uma breve avaliação do crescimento do ódio ao Natal 
Resultado de imagem para terrorismo contra o natal
Rev. Ricardo Rios Melo
Todo dia 25 de dezembro, da era presente, é marcado por uma grande controvérsia: o Natal. O Natal tem sua origem mais provável no paganismo. Dizem os estudiosos que a igreja de Roma fez uma substituição de diversas datas pagãs por comemorações cristãs. Isso pode ser chamado de cristianização da cultura.
Credita-se, de modo geral, ao imperador romano Constantino, nascido na cidade de Naissus, em fevereiro de 272, e falecido em 27 de maio de 337, a façanha de transformar rapidamente a cultura romana de uma cultura helenizada a uma releitura cristã.
Poeticamente falando, já que não se pode afirmar categoricamente que sua mudança tenha sido desse jeito, Constantino teria se convertido ao Cristianismo após um sonho onde derrotaria o exército inimigo usando uma cruz nos escudos de seus soldados. Realmente ele venceu, mas se o sonho existiu ou foi exatamente o que se imaginou e se propagou, não podemos dizer com certeza.
O fato é que, após o homem mais importante de Roma aderir publicamente ao cristianismo, sérias e importantes mudanças aconteceram na cultura dos seus súditos. Muitas datas festivas do paganismo e suas mitologias foram substituídas e modificadas para festas cristãs ao longo dos séculos. Modificações essas que, diga-se de passagem, não eram e nem nunca foram prescritas nas Escrituras Cristãs.
Entretanto, esse arrazoado não versará precipuamente sobre a comemoração, celebração, culto ou qualquer aspecto desse nível. A intenção principal é mostrar que existe uma escalada crescente contra o cristianismo no mundo.
A celebração Natalina já não é apenas uma discussão de datas e prescrições bíblicas. Não passa apenas pela temática de sempre: nascimento de Cristo ou uma sobreposição cristã à uma data pagã, não! O Natal ficou marcado por uma celebração cristã interdenominacional: evangélicos, católicos, e outras denominações têm o Natal como uma data festiva.
Há um movimento atual forte contra o Natal entre alguns reformados e alguns evangélicos. A polêmica natalina já era conhecida pelos pós-reformadores e, principalmente, por alguns puritanos que execraram o Natal principalmente, segundo Lloyd-Jones, por conta da origem romana e pagã da festa.
O Natal para muitos reformados e evangélicos contemporâneos tem sido uma estratégia de Satanás para desviar os desavisados. A discussão aqui, entretanto, não está nesse âmbito. O que chama a atenção é que o ódio ao Natal vem de todos os lados: cristãos, islamistas, ateus e agnósticos.
Não há trégua para a sua comemoração. Nessa semana que a antecede, vários atentados foram realizados contra o Natal, ou seja, contra o cristianismo. Entendam, não estou falando que deve ser ou não comemorada, mas socialmente e historicamente falando, não podemos negar que essa data foi uma instituição cristã! Seja qual for sua forma original, hoje o mundo reconhece o Natal como uma celebração cristã.
O islamismo radical entende que o Natal é cristão. Pelo que nos parece, esse é um dos motivos dos ataques em vários países da Europa e, principalmente, o ataque sofrido no dia 19 de dezembro por volta das 20:15h na tradicional feira natalina de Berlim. Segundo o jornal El Mundo, o Estado Islâmico assumiu os atentados:

El Estado Islámico (IS, por sus siglas en inglés) reivindica el ataque del lunes al mercado navideño en Berlín a través de la agencia de noticias Al Amaq. Un día después, como ya ocurriera en el ataque de Niza, el grupo yihadista asegura que el autor es un "soldado del Estado Islámico".[1]     
O avanço do islamismo no mundo e, principalmente na Europa, tem sido chamado de Eurábia[2]. Em dezembro de 2001, 25 chefes de estado da Europa se reuniram para elaborar uma possível constituição europeia. Nessa reunião foi decidido retirar todas e quaisquer referências ao cristianismo:
Quando os 25 chefes de estado e de governo dos 25 estados-membros da União Europeia chegaram a acordo sobre o projeto do Tratado Constitucional foi excluída todas as referências ao cristianismo e à sua herança. Quando os 25 chefes de estado e de governo dos 25 estados-membros da União Europeia chegaram a acordo sobre o projeto do Tratado Constitucional foi excluída todas as referências ao cristianismo e à sua herança. Porém, este Tratado que cria a Constituição Europeia, ratificado a 29 de outubro de 2004 em Roma, foi posteriormente submetido a referendo e rejeitado em França e na Holanda a 29 de maio e 1 de junho de 2005, respectivamente.”[3]
Na esteira desse pensamento da islamização do mundo, a França que era o berço, literalmente falando, do reformador João Calvino, curvou-se diante da influência islâmica a tal ponto que no dia “13 de setembro de 2005, no Palácio de Eliseu, o ex-presidente francês Jacques Chirac, durante a inauguração do Atelier Cultural entre a Europa, o Mediterrâneo e os Países do Golfo, afirmou que “A Europa deve tanto ao islão como ao cristianismo[4]. Esse quadro de descristianização e islamização continua até o período de hoje gerando grandes crises e conflitos.
Apesar de alguns líderes do Islão tentarem fazer esse processo de aculturamento do ocidente de modo pacífico, os radicais fundamentalistas pretendem a todo custo e usando a violência extirpar qualquer incrédulo e, principalmente, os cristãos e os judeus. 
Estamos vendo, mutatis mutandis, uma resposta forte às grandes cruzadas[5] do período medieval (1095 à 1270), onde o cristianismo de Roma tentou impelir, sem sucesso, seu poder com a idealização de uma guerra santa contra os inimigos da Igreja de Roma. Esse evento tristemente manchou a terra com sangue de milhares de judeus, islamistas e dos próprios cristãos.
Sem armas e sem nenhum derramamento de sangue, dentro da guerra epistemológica ocidental e da estratégia do aculturamento, ironicamente, o cristianismo romano, que tinha cristianizado as festas pagãs, hoje assiste sem poder de reação o paganismo substituir o Natal pela história pagã do Papai Noel e pertinentes implicações mercantilistas.
No entanto, mesmo com a paganização do Natal, de modo geral ele ainda simboliza que, no país em que as luzes natalinas se ascendem, o cristianismo ainda exerce certa influência, mesmo que pequena e secularizada.
Alguns protestantes e evangélicos aderiram em parte à celebração natalina como um evento do calendário religioso. Portanto, a festa não se restringe ao catolicismo, mas foi repaginado em denominações distintas. Um novo processo de aculturamento, só que religioso.  
O Natal, ainda que eivado do capitalismo selvagem e difundido pelos norte-americanos, aponta para um ocidente que foi forjado pelo pensamento e moral cristãos.
O pós-cristianismo tem tornado essa data uma guerra ideológica. No Brasil, invariavelmente as revistas e periódicos seculares publicam a verdadeira origem do Natal para criticar o cristianismo e classificar abertamente os mais desavisados de ignorantes, pois ignoram sua verdadeira origem.
Qualquer pessoa que tenha estudado história ou feito um curso de teologia sabe que Jesus não nasceu no dia 25. Portanto, a tentativa de crítica sobre a datação é simplesmente inócua para o protestantismo e para a tradição reformada.
O que talvez possa escapar ao nosso olhar mais amplo é que a crítica provém de um movimento mundial contra o cristianismo e suas bases morais. Segundo o articulista Jarbas Aragão:
Já se tornou uma espécie de tradição anual a organização ateísta Freedom From Religion Foundation colocar outdoors promovendo o ateísmo no mês de dezembro. Com a proximidade do Natal, eles querem evitar que o sentimento religioso “aflore” nas pessoas como normalmente acontece nesta época. Este ano já foram colocados dezenas de outdoors com as frases como “Fazer o bem é a minha religião” e “Todos nós podemos ser bons sem Deus”. Além da Freedom From Religion, a American Atheists também está usando outdoors, mas com o diferencial que este ano estão chamando todas as religiões de mito. Escritos em inglês e em árabe ou hebraico, dependendo do caso, a frase completa é “Você sabe que é um mito… e você tem uma escolha”[6]
Percebam que o Natal já passou da esfera da discussão das paredes eclesiásticas. O Natal não é apenas uma questão de Papai Noel, Árvore de Natal, ou se Cristo nasceu no dia 25 de dezembro, ou se essa data deve ser celebrada ou não. O Natal passou a ser um sinal imperfeito de um cristianismo imperfeito e paganizado; na melhor das hipóteses, um sinal de que as luzes opacas do cristianismo ainda pairam sobre uma sociedade cada vez mais ateia, anticristã e islâmica.
A islamização do Ocidente, por intermédio do terrorismo, é uma ameaça  tão perceptível ao olhos que o famoso ateu  Richard Dawkins declarou:
O cristianismo pode realmente ser a nossa melhor defesa contra as formas aberrantes de religião que ameaçam o mundo”, disse Dawkins, de acordo com informações do Gospel Herald. (...) “Não há cristãos, pelo menos que eu saiba, explodindo edifícios. Não tenho conhecimento de quaisquer ataques suicidas dos cristãos. Não tenho conhecimento de qualquer grande denominação cristã que acredita na pena de morte por apostasia”, destacou.[7]
Por mais desfigurado, diluído, fluido (como diria Zygmunt Bauman) que o cristianismo esteja, ele ainda representa valioso modelo moral e de civilidade.  A afirmação de Dawkins não nos causa espanto, pois em uma sociedade onde a moralidade cristã governa de fato, o respeito mútuo e a convivência pacífica com outros credos e incrédulos é a marca mais forte do cristianismo.
É claro que a história não deixaria o movimento cristão fora dos exageros, desmandos e violência e das conhecidas Cruzadas e Inquisição. Houve e sempre haverá fanáticos e déspotas de todas as áreas sejam elas religiosas ou antirreligiosas. Entretanto, não é do cristianismo bíblico a apologia à violência e à intolerância.
A raiz do cristianismo tem como condição sine qua non uma natureza sobrenatural da conversão, portanto quaisquer tentativas de conversão pela força fogem à ideia central de Cristo.
Bom, sei que poderão vir comentários variados embasados na história mostrando fatos das guerras dos judeus e do povo do Senhor ao longo da história antiga, medieval e até fatos da modernidade.
 O foco desse artigo é o movimento anticristão que floresce e cresce fortemente no mundo de todos os lados: islamismo, ateísmo, agnosticismo e afins. Há, sem sombra de dúvidas, uma tentativa de apagar as luzes do Natal.
É bem verdade que a tentativa não é somente contra o Natal, mas contra todo e qualquer símbolo que se identifique erroneamente ou corretamente como cristão.
Na 19º Parada do Orgulho Gay, a transexual Viviany Beleboni encenou a crucificação de Cristo dentro da narrativa Católica Romana causando uma grande polêmica. A tentativa, segundo o relato, era de aproximar o sofrimento de Cristo ao sofrimento LGBT.
O uso jocoso de um símbolo cristão católico referente a Cristo preso na Cruz já fora usado antes, como por exemplo, Madonna:
O quarto álbum da cantora Madonna traz a música “Like a Prayer”, lançada em 1989. A polêmica começou pela letra, que fala sobre uma jovem apaixonada por Deus, quase como quem ama uma figura masculina. Madonna fez um clipe com cenas dentro de igrejas, dançando com um coral religioso, beijando um santo. O encerramento mostra a artista cantando em frente às cruzes em fogo.[8]
O protestantismo reformado tem como símbolos visíveis de uma graça invisível, instituídos pelas Escrituras Sagradas: o batismo e a santa ceia. A cruz vazia, que aparece no topo de igrejas na Europa ou nos Estados Unidos, aponta para o Cristo que não foi preso pela morte, mas ressuscitou ao terceiro dia.
Assim, a ofensa ao símbolo da cruz com o Cristo crucificado seria mais ao catolicismo, embora a intenção do escárnio se estenda a todo cristianismo: católicos e protestantes estão no mesmo paredão para fuzilamento.
Nas redes sociais, muitos grupos começam com os seguintes dizeres: “não postem sobre religião, política ou futebol”. Contudo, o tempo todo postam sobre espiritualidade oriental, sabedoria hindu, autoajuda, mensagens de cunho moral, teoria evolucionista. Se alguém falar qualquer coisa sobre cristianismo, de pronto receberá cartão vermelho.
Esse é um dos assuntos que Nancy Pearce discorre em seu livro Verdade Absoluta, onde menciona o antagonismo entre: o fato, que para sociedade moderna é considerado ciência, versus o valor, ao qual eles chamam de moral religiosa.
Sobre os fatos se podem discutir; mas sobre o valor (religião), ele é pessoal, intransferível e impossível de ser verificado. Por isso que se pode falar de tudo, mas nada que traga valores judaico-cristãos.
Parece que o mundo esqueceu que, querendo ou não, somos permeados por valores cristãos. A filantropia do bom samaritano foi retirada do princípio cristão do amor ao próximo. É simplesmente impensável um evolucionista coerente dizer que é preciso ajudar o próximo.
Pois então vejamos, por qual motivo os evolucionistas radicais construiriam hospitais para seus doentes tendo em vista que, por base em seus valores, esses hospitais atentam contra a tese da lei do mais forte? Os hospitais seriam os únicos lugares onde os mais fracos e menos adaptáveis sobreviveriam.
O cristianismo está em todos os círculos e épocas. Karl Max e Angels, em seu livro: A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, postulam que a ideia de uma família patriarcal ou família nuclear com pai, mãe e filhos é um recorte da cultura judaica cristã, portanto o casamento seria uma criação da religião judaica e, principalmente, cristã. Todavia, mesmo na pós-modernidade, existe ainda o tão achincalhado casamento.
Dawkins, inimigo declarado do cristianismo por questões de sua própria história pessoal, sabe que com todos os erros que possua, o cristianismo ainda pode salvar o mundo de um colapso social.
Percebam, o cristianismo bíblico só se alcança por uma obra sobrenatural. É fato que não se pode resgatar uma cultura sem se resgatar o homem produtor da cultura. Entretanto, o cristianismo, mesmo que brilhando pouco e longe do seu aspecto original e escriturístico, ainda é a luz que acende esperança para o homem pós-moderno e desesperançoso.
A cada luzinha de natal acesa em uma casa, shopping, rua; a cada brinde que é feito nas casas, ainda há um alento para a humanidade, pois as luzes ainda estão acesas. Há sinais distorcidos ou não da moralidade cristã. Há uma pequena tentativa de solidariedade com pessoas se reunindo em suas casas, ligando para seus parentes e declarando seu afeto.
Ainda que não seja o intuito desse pequeno escrito, é bom lembrarmos de um grande pregador do século XX, Dr Martin Lloyd-Jones, considerado por muitos como o último dos puritanos. Ele entendia o Natal e as datas da cristandade, de modo geral, como uma oportunidade de anúncio do Evangelho. É obvio que ele sofreu e sofre críticas até hoje por conta disso, mas é importante verificarmos sua defesa:
Ou deixe-me exprimir a questão deste modo. Eu estabeleceria como praxe que existem ocasiões especiais que sempre deveriam ser observadas. Neste ponto, tenho a temeridade de expressar uma crítica a respeito dos puritanos. Acredito em pregar sermões especiais no Natal e durante a época do Advento; também acredito em que se preguem sermões na Sexta-Feira da Paixão, no Domingo da Páscoa e no Domingo de Pentecostes. Como poderei justificar isso? Bem, por que os puritanos faziam objeção a tal prática? A resposta, naturalmente, é que faziam objeção a essas ocasiões especiais por causa da sua violenta reação contra o catolicismo romano. Os católicos romanos haviam transformado a celebração do nascimento de nosso Senhor em uma missa; e assim os puritanos, sendo criaturas típicas de reação, como todos nós o somos, inclinaram-se por reagir por demais violentamente, donde resultou o desejo deles de eliminarem tudo quanto cheirasse à missa em qualquer sentido, e tudo mais que estivesse associado à maneira de pensar do catolicismo romano, tendo cambado para o outro extremo, oposto a qualquer observância de tais dias.[9] 

Como foi exposto nesse arrazoado, não se trata de comemorar ou cultuar o Natal. É bem verdade que qualquer reformado é contra a sacralização desse dia. É simplesmente impensável algum cristão se prostrando ao dia ou ajoelhando-se aos pés de uma árvore.
 Destarte, a realidade mostra que, embora não se cultue o dia de maneira específica, essa data é marcada pela controvérsia de dentro e de fora do cristianismo. Lloyd-Jones vai além em sua argumentação:

Por certo, o grande perigo de hoje em dia, sobretudo em certos círculos, é a ultra intelectualização. Por muitas vezes me tenho esforçado para persuadir as pessoas a se tornarem mais intelectuais e menos sentimentais na sua abordagem da fé cristã; mas, neste instante, estou igualmente certo de que alguns indivíduos precisam ser advertidos a respeito do perigo de se tornarem ultra-intelectuais, perdendo contato com os grandes fatos históricos sobre os quais se respalda a nossa fé. Qualquer crente que não corresponda favoravelmente a um sermão sobre o nascimento de Cristo, faria bem em reexaminar a sua posição inteira em Cristo. E se você mesmo, na qualidade de pregador, não se pode comover por um sermão que aborde os fatos e os detalhes da morte de nosso bendito Senhor, na cruz, na colina do Calvário, se você não sente como se jamais os houvesse pregado antes, e se não for tão tocado por esses fatos como jamais fora no passado, então reafirmo que seria aconselhável examinar os seus alicerces. E a mesma coisa é verdadeira no caso dos ouvintes. Por conseguinte, essas ocasiões especiais se revestem de grande valor, quanto a esses aspectos, de tal maneira que, de certo modo, compelem-nos a retroceder a lembrarmo-nos dessas coisas que, afinal de contas, são os princípios fundamentais sobre os quais repousa a nossa posição inteira. Vou mesmo além disso. Acredito em lançar mão de quase qualquer ocasião especial como oportunidade para pregar o Evangelho. Portanto, em acréscimo ao que já mencionei, sempre me aproveito do primeiro domingo de um Ano Novo dessa maneira. Você poderá indagar: "Qual é a diferença entre o dia Iº de janeiro e o dia 31 de dezembro?" Ora, em certo sentido, você teria toda a razão. Essa é uma atitude puramente intelectual. Para essa atitude, todos os dias são idênticos. Para a pessoa comum, no entanto, existe certa diferença. Ano Novo! Tempo de tomar boas resoluções. Naturalmente, sabemos que nem uma delas é verdadeiramente séria, e que conduzem a nada. As pessoas repetem-nas a cada ano e provavelmente não mantêm suas resoluções nem mesmo por uma semana. Não obstante, prosseguem nessa prática. "Mas", poderá alguém perguntar, "de que adianta prestar atenção a essas coisas?" Uma vez mais temos aqui o ponto de vista teórico. Não devemos, entretanto, aceitar esses pontos de vista teóricos, conforme venho procurando demonstrar; precisamos aquilatar nossas congregações e nossa gente, e precisamos tratar deles como seres humanos. Relembrando o fato que "aquele que ganha almas é sábio", devemos tirar proveito de tudo e de qualquer coisa que ressalte o Evangelho diante das pessoas. Por conseguinte, quando se inicia um Ano Novo, há uma óbvia oportunidade de lembrarmos às pessoas acerca da natureza fugidia da vida. Todos nos inclinamos por esquecer esse fato; e você pode ficar tão interessado por profundos problemas teológicos, intelectuais e filosóficos que tenda por olvidar que haverá de morrer um dia. E o povo, imerso nos negócios, nos prazeres e na família, torna-se igualmente esquecidiço.[10]
Lloyd-Jones apregoava a necessidade de aproveitar os dias festivos da humanidade para anunciar a Cristo. Charles Spurgeon, apesar de não ter nenhum respeito religioso pelo dia do Natal, entendia que era importante apresentar Cristo nesse dia:
Agora, lhes direi por que escolhi este texto. Pensei: há uma grande quantidade de jovens que sempre vem para ouvir-me pregar; sempre se amontoam nos corredores da minha capela, e muitos deles foram convertidos a Deus. Agora se aproxima outra vez o dia de Natal, e eles irão para casa para ver os seus parentes. Ao chegarem em casa vão querer cantar uma canção de Natal na noite; quero sugerir-lhes uma, em especial àqueles que foram convertidos recentemente. Darei-lhes um tema para seu discurso na noite de Natal; poderá não ser tão divertido como “O Naufrágio do Maria de Ouro,” [2], mas será igualmente interessante para o povo cristão. O tema será este: “Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor fez com suas almas, e como teve misericórdia de vocês.” Em minha opinião, desejaria que houvesse vinte Natais no ano. Mui raras vezes os jovens podem reunir-se com os seus: Raramente podem estar unidos como felizes famílias: E ainda que eu não guarde nenhum respeito pela observância religiosa desse dia, o amo como uma instituição familiar, como um dos dias mais brilhantes da Inglaterra, o grande Dia de repouso do ano, quando o arado descansa no sulco, quando o estrépito dos negócios guarda silêncio, quando o mecânico e o obreiro saem para refrescar-se sobre a verde grama da terra alegre. Se alguns de vocês são chefes, perdoem-me a divagação, mas mui respeitosamente lhes peço que paguem a seus empregados os mesmos salários no dia de Natal como se eles trabalhassem. Estou certo que alegrarão suas casas se assim o fizerem. É injusto que a única opção que tenham seja o festejar ou jejuar, a menos que lhes deem o dinheiro necessário para que festejem e se alegrem nesse dia de alegria.[11]
Esses pregadores optaram pela utilização do Natal como oportunidade de pregação do Evangelho. Contudo, há outras formas de entendimento. Há inúmeros textos na internet contra qualquer cheiro de Natal. Um exemplo desses vários textos é o de Brian Schwertley.[12]  
Schwertley adverte-nos do fato de que essa data, além de ser pagã, não foi prevista pelo Princípio Regulador do Culto. Portanto, não deve ser lembrada e muito menos celebrada, seja em casa ou em qualquer lugar que se denomine cristão.
Schwertley afirma ainda que comemorar é infringir a lei de Deus e promover a mentira. Ele divide seu artigo em alguns tópicos. Vejam alguns: 1. Um monumento a idolatria passada e presente; 2. O natal desonra o dia de Cristo; 3. O Natal é uma mentira; 4. O mundo ama o natal; 5. Não seja enganado.
Jonh Marchathur Jr. acredita que Romanos[13] 14.5-6 concede uma liberdade cristã e pode ser usada pelos cristãos para escolher entre celebrar ou não a data.[14] Brian Schwertley, em um dos seus tópicos combatendo o uso desse texto, é categórico ao afirmar que essa passagem não autoriza os crentes a celebrar o Natal e que pastores e presbíteros ou dirigentes que autorizam seus fieis a prestarem culto no Natal estão desobedecendo a ordem divina.[15]
Autores brasileiros e estrangeiros travam uma guerra sobre o assunto. Mas, o fato permanece: as luzes ainda estão acesas; sejam nos púlpitos que ainda pregam no Natal, sejam nos púlpitos que são contra o Natal, sejam na Super Interessante, que não tem nada de interessante, ou no movimento pagão moderno. Todos não podem negar que o Natal pode ser tudo: pagão ou cristão, mas o que ele representa de maneira histórica e social é que existe ainda uma centelha de cristianismo pairando sobre o mundo!
Voltando ao caso Dawkins, em um artigo traduzido pelo site monergismo.com, ele afirma:
O Prof. Dawkins, que tem freqüentemente falado contra o criacionismo e o fundamentalismo religioso, replicou: “Não sou um daqueles que deseja barrar as tradições cristãs. “Este é historicamente um país cristão. Eu sou um cristão cultural, da mesma forma como muitos dos meus amigos se chamam judeus ou muçulmanos culturais. “Portanto, sim, eu gosto de cantar cânticos com todo o mundo. Não sou um daqueles que deseja purgar a nossa sociedade da nossa história cristã. “Se existe alguma ameaça nesse tipo de coisa, penso que você descobrirá que ela vem de religiões rivais, e não de ateístas”. O pensamento de Richard Dawkins cantando qualquer cântico com conteúdo explicitamente cristão é difícil de abrigar – a menos que o professor de Oxford pretenda cantar sobre uma fé que ele não professa.[16]
Portanto, querido(a) leitor(a), antes que as luzes se apaguem, vá para casa e anuncie que Cristo veio ao mundo salvar pecadores. O verbo se fez Carne e habitou em nosso meio! Diga, se for do seu entendimento, que a instituição do Natal é uma posição pagã, mas nunca deixe de anunciar que quer seja no dia 25 dezembro ou em qualquer outra data, o Senhor da glória veio trazer luz ao homem que jazia em trevas!
Não cante hinos de Natal! Não entoe cânticos natalinos! Não pregue sobre o Natal! Não cante salmos messiânicos! Não faça nada que sua consciência te acuse, mas nunca deixe de anunciar que um menino vos nasceu!
É fato que não está prescrita a celebração, mas os anjos cantaram na encarnação do verbo, os céus se moveram, os reis magos saíram do oriente para presenteá-lo, Ana cantou, Maria cantou, Simeão cantou. O Natal? Certamente que não o Natal pagão! Mas cantaram a graça de Deus! Nasceu o Salvador! O Messias esperado pelos profetas e patriarcas chegou!
Anunciem sua obra completa: nascimento, vida, obra, morte e ressurreição, e que um Dia Ele voltará! Esse anúncio independe do dia, pois precisa ser feito a “tempo e fora de tempo”.
Nesse domingo, 25 de dezembro, espero sinceramente que você anuncie que o Filho da mulher nasceu e esmagou a cabeça da serpente em uma cruz levantada e que a derrota da grande serpente será consumada, quando esse mesmo Filho voltar com grande poder e glória e executar a sentença final!
Anunciem a grande controvérsia de Simeão:
Simeão o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse:  Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, segundo a tua palavra; pois os meus olhos já viram a tua salvação, a qual tu preparaste ante a face de todos os povos; luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo Israel. Enquanto isso, seu pai e sua mãe se admiravam das coisas que deles se diziam. E Simeão os abençoou, e disse a Maria, mãe do menino: Eis que este é posto para queda e para levantamento de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição, sim, e uma espada traspassará a tua própria alma, para que se manifestem os pensamentos de muitos corações (Lc 2:28-35). 
O Natal tem sido controverso, mas a maior controvérsia do mundo não é se Cristo nasceu ou quando ele nasceu, mas é sobre quem Ele é e o que veio fazer aqui na Terra. A encarnação do Verbo, sua vida, obra, morte e ressurreição!
Hoje a controvérsia é contra as luzes da cidade, árvores enfeitadas, bolinhas coloridas, cânticos e presentes trocados. Mas, nós sabemos que a discussão verdadeira é contra tudo que nos remeta ao Senhor Jesus e sua cruz e sua luz.
Enquanto a luzes não se apagarem, é sinal que ainda resta esperança nesse mundo caído e em trevas:
“O povo que andava em trevas viu uma grande luz; e sobre os que habitavam na terra de profunda escuridão resplandeceu a luz” Is 9:2

“O povo que estava sentado em trevas viu uma grande luz; sim, aos que estavam sentados na região da sombra da morte, a estes a luz raiou” Mt 4:16

Deus os abençoe! Feliz Natal!






[1]Disponível em:  <http://www.elmundo.es/internacional/2016/12/20/5859859e268e3e284d8b4720.html>. Acessado em 22 de dezembro 2016.

[2] “A expressão que tem origem no paradigma defendido pela historiada angloegípcia Bat Ye´Or é uma expressão que assenta na ideia de que existe ou virá a existir uma Europa onde a cultura dominante não será a cultura ocidental mas a cultura islâmica. Neste sentido “a Eurábia é simultaneamente uma ideologia e um sintoma; é uma atitude psicológica coletiva, própria dos povos que se submetem (…) aos ditamos do totalitarismo islâmicos (…)”.1 Segundo esta teoria a Europa ter-se-ia começado a submeter aos países islâmicos a partir dos anos 70, com as crises petrolíferas, tomando a consciência de que a Velha Europa, antiga potência colonial, se encontrava demográfica e psicologicamente enfraquecida e dependente dos hidrocarbonetos do mundo islâmico. A Eurábia está intrinsecamente ligada a outro fenómeno: a dimitude. Esta expressão “designa, por extensão, a atitude (…) na submissão voluntária ou na cedência às reivindicações, às ameaças e aos apetites de conquista dos vários pólos do islamismo mundial.”2 Com base neste paradigma da dimitude, a Eurábia caracteriza as atitudes e as opções geopolíticas dos intelectuais e dos decisores ocidentais, em particular dos dirigentes europeus, que por medo do inimigo totalitário de amanhã – o islamismo, mas também pelos compromissos político-económicos que assumiram com os países islâmicos fornecedores de petróleo e de mão de obra, se dedicam a precaver a Europa de potenciais conflitos por meio de uma política de autossubmissão relativamente ao mundo árabe islâmico.” (Carneiro, Anan Catarina Nunes, A crescente islamização da Europa: influências e alterações nas instituições europeias. A intensificação do fenómeno com a possível entrada da Turquia, disponível em: <http://hdl.handle.net/10400.5/6637> - acessado em 23 de dezembro 2016).
[3] (Carneiro, Anan Catarina Nunes, A crescente islamização da Europa: influências e alterações nas instituições europeias. A intensificação do fenómeno com a possível entrada da Turquia, disponível em: <http://hdl.handle.net/10400.5/6637> - acessado em 23 de dezembro 2016).

[4] Carneiro, Anan Catarina Nunes, A crescente islamização da Europa: influências e alterações nas instituições europeias. A intensificação do fenómeno com a possível entrada da Turquia, <http://hdl.handle.net/10400.5/6637 > - acessado em 23 de dezembro 2016.
[5] Segundo Alderi Souza de Matos, “A expulsão dos cruzados também constituiu uma humilhação duradoura e amarga para o orgulho cristão. Essas velhas feridas seriam reabertas nos séculos XIX e XX. Para outras conseqüências, ver González, Story of Christianity, I:298-300). O único ganho militar duradouro das cruzadas para a cristandade foi o controle naval do Mediterrâneo e suas ilhas. A principal conseqüência estratégica de longo prazo foi interna: a 4ª Cruzada destruiu as defesas bizantinas da fronteira oriental da Europa, abrindo caminho para a conquista islâmica dos Bálcãs, da Grécia e da Europa oriental.” (MATOS, Alderi Souza de, O CRISTIANISMO E O ISLAMISMO NO OCIDENTE MEDIEVAL, disponível em: <http://www.mackenzie.br/6936.html > - acesso em 23 de dezembro de 2016).
[6] Disponível em: <https://noticias.gospelprime.com.br/ateus-guerra-outdoor-natal/> -  acesso em 22 dezembro 2016).
[9] Lloyd-Jones, Martyn; Pregação e Pregadores, São José dos Campos, Fiel: 1998, p. 134.
[10] Lloyd-Jones, Martyn; Pregação e Pregadores, São José dos Campos, Fiel: 1998, p. 134.
[11] Charles Spurgeon, disponível em: <(http://projetocasteloforte.com.br/um-sermao-para-o-dia-de-natal-c-h-spurgeon/ > - acesso em 22 de dezembro 2016).
[12]Brian Schwertley, disponível em: <http://www.monergismo.com/textos/natal/natal_schwertley.pdf) > acesso em 23 de dezembro 2016.

[13] Solano Portela, em seu artigo: Calvino Contra o Natal?  Defende na conclusão o uso de Romanos como liberdade cristã: “Romanos 14 e 15 trazem considerações sobre tais questões, demonstrando a necessidade da consciência pura, ao lado da preocupação com os irmãos na fé, para que procuremos “as coisas que servem para a paz e as que contribuem para a edificação mútua” (14.19). É lá igualmente que lemos (14.5): “Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias; cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente”. Se Deus decidiu não disciplinar condenatoriamente a questão, não o façamos nós” disponível em:  <http://tempora-mores.blogspot.com.br/2010/12/calvino-contra-o-natal.html > - acesso em 23 de dezembro 2016).
[14] Marchatur, disponível em: <(http://www.monergismo.com/textos/natal/natal_macarthur.htm > - acesso em 22 dedezembro).
[16] Albert Mohler, Feliz Natal, Querido Ateu Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – disponível em: <http://www.monergismo.com/textos/natal/feliz-natal-ateista_mohler.pdf - acesso em 22 dezembro 2016 >.