Pular para o conteúdo principal

Fatiando a Constituição – O retrocesso brasileiro e a necessidade do posicionamento Cristão


Fatiando a Constituição – O retrocesso brasileiro e a necessidade do posicionamento Cristão.

Rev. Ricardo Rios Melo

Essa semana tivemos mais um round no polêmico e inconstitucional Projeto de Lei 122/06. Palavreado, bate boca de um lado e do outro e até agressividade. O que eu acho interessante nessa discussão do Projeto que criminaliza a homofobia é a fraqueza da argumentação e a clara intencionalidade política dos que o advogam.

A Constituição do Brasil já prevê a liberdade de pensamento e garante a integridade moral e física do cidadão:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

(...)

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias;

VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;

VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

Se a moda de criar leis que beneficiam as minorias, ou grupos especificamente, pegar, teremos que apelar para leis como evangelicofobia, crentefobia, moralcristãfobia, pastorfobia, bibliafobia. Inclusive, os gordinhos, como eu, poderão apelar para uma lei da obesofobia; os gagos para a gagofobia, pois sofrem piadas constantemente; as louras poderão apelar para lourofobia, pois são chamadas de “burras” o tempo todo sofrendo de um bulling social; nordestinofobia; os carecas, carecofobia e por aí vai. Recentemente, torcedores do Flamengo ofenderam publicamente no Twitter os nordestinos, que são chamados em alguns Estados de “cabeço de coco” etc.

Ninguém, em sã consciência, vai fomentar violência contra os homoafetivos ou contra qualquer pessoa de maneira geral. Nunca ouvi um pastor evangélico mandar os fiéis baterem ou discriminarem qualquer grupo. Contudo, ninguém é obrigado a aceitar as práticas do outro. Por exemplo, eu posso respeitar o indivíduo sem concordar necessariamente com suas idéias; posso respeitar uma pessoa sem concordar com suas práticas sexuais. É um direito que eu tenho! Por que, por exemplo, não se cria a lei contra tabacofobia? Tem pessoas que são proibidas de fumarem em locais fechados e outros locais, inclusive públicos. Eu não fumo e não tenho nenhum gosto pelo fumo, sou até alérgico, mas não ando pregando para baterem nos fumantes.

Devemos respeitar o indivíduo independentemente de sua postura filosófica, ideológica ou sexual. A Bíblia prega que todos os seres humanos, sem exceção, são a imagem e semelhança de Deus. Não podemos agredir ninguém por não concordar conosco. No entanto, posso respeitar o indivíduo e não concordar com sua postura. Eu tenho direito de fazer isso!

A igreja não prega apenas que a relação homoafetiva é pecado, ela prega também que a fornicação é pecado, adultério é pecado. Na esteira desse Projeto, daqui a pouco teremos pessoas que cometeram adultério pedindo uma lei contra adulterofobia.

Eu que estou no ambiente acadêmico sou discriminado constantemente por ser protestante. Nem por isso quero criar uma lei contra essa situação, pois já está prevista na Carta Magna.

Quando falo que a igreja prega a castidade (sexo só depois do casamento), as pessoas me ridicularizam criando uma verdadeira castidadefobia; quando falo do casamento, ouço retaliações e me sinto altamente discriminado e querendo criar um projeto de lei: casamentofobia. Já estou até com PL 122/06fobia.

Nunca tive problemas com nenhum homoafetivo, pelo contrário, converso, tenho pessoas próximas que são, e elas nunca me disseram que foram discriminadas por mim.

O que eu acho estranho é a luta contra os valores judaico-cristãos que pregam a favor do casamento e da família. A construção da família, querendo ou não, passa pelo princípio de família judaico-cristã. Por isso não entendo a briga por ter o direito de ter uma família nos moldes judaico-cristãos, só que de homoafetivos. Todo cidadão tem o direito de lutar por leis mais justas, contudo até a nossa justiça foi forjada pelo conceito judaico-cristão. Sendo assim, cabe a pergunta, o que é a justiça?

Outro problema é a tentativa do poder governamental de educar os nossos filhos imprimindo valores morais que são próprios da família e de sua tradição. Eu tenho o direito de criar meu filho da maneira que eu quiser; não posso me sujeitar a padrões morais impostos pelo governo.

Se o caso fosse diferente, por exemplo, um pai que cria seu filho e é feliz por ele ter desejo por pessoas do mesmo sexo, de repente sentir-se obrigado pela lei a deixar de incentivar ou aceitar a escolha do seu filho, qual seria a reação?

As pessoas falam muito em pluralismo hoje em dia, porém quando nos posicionamos de maneira diferente somos discriminados. Já ouvi barbaridades ditas por professores na universidade contra a Bíblia e a fé. Os pastores, por causa de alguns maus elementos que se travestem de pastores, somos chamados de ladrões e de manipuladores. Muitos acham que somos ignorantes e anti-intelectuais. Sofro ataques preconceituosos, desrespeitosos contra a fé cristã. Quando falo de absolutos, sou ridicularizado; nem por isso quero criar a lei da absolutofobia.

Se alguém mata ou agride um homoafetivo, ele deve ser preso e receber as devidas penas. Se alguém discrimina um homoafetivo, deve ser punido pelas leis vigentes do país. Não sou a favor do preconceito e da discriminação seja qual for! Mas, tenho o direito de me posicionar contra qualquer postura, ideologia ou prática. Acredito que tenho o direito de me expressar.

O homoafetivo é um pecador como qualquer descendente de Adão (é, eu acredito no Gênesis Bíblico) e, portanto, carece da glória de Deus! Mesmo sabedores de que a lei é aplicada segundo o delito, todos nós cometemos o maior de todos os delitos: negar a Deus em Adão, por conseguinte precisamos da reconciliação em Cristo.

Esse projeto está longe de ajudar o Brasil, pelo contrário, polarizou, polemizou, discriminou e levantou profetas de todos os tipos, dos mais cautelosos aos extremados.

Temos que ter cuidado. Chegará o dia em que as pessoas sairão às ruas para uma guerra literalmente. Aproveitemos esse momento para uma guerra menos danosa, a guerra das idéias. Estou longe de querer que a igreja domine o Estado, pelo contrário, fomos nós (protestantes) que acabamos com isso. Ao mesmo tempo, estou longe de querer que uma espécie de Igreja Homoafetiva governe.

Temos que orar, dobrar os nossos joelhos e lutar pela dignidade humana e pela liberdade de expressão. Sendo assim, digo não à homofobia! E digo igualmente não ao Projeto de Lei 122/06!

Nós não queremos que as fogueiras que foram acesas para queimar os protestantes ou os leões que foram soltos para devorarem os cristãos sejam usados contra os homoafetivos; nós protestantes sabemos o que é perseguição.

“Adverte-lhes que estejam sujeitos aos governadores e autoridades, que sejam obedientes, e estejam preparados para toda boa obra, que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas moderados, mostrando toda a mansidão para com todos os homens. Porque também nós éramos outrora insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias paixões e deleites, vivendo em malícia e inveja odiosos e odiando-nos uns aos outros. Mas quando apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador e o seu amor para com os homens, não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo, que ele derramou abundantemente sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador; para que, sendo justificados pela sua graça, fôssemos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna”. ( Tt 3:1 -7).

Oremos pelas autoridades!

Rev. Ricardo Rios Melo

Comentários

Anônimo disse…
Muito bom pastor Ricardo, postei varias partes no meu facebook, espero que não se importe, mais achei muito bem elaborado uma forma inteligente e que me ajudou a defender melhor esse tema.
Abraço!

Kátia Adriana.
Cara Kátia, fico feliz pela utilidade do texto! Fique livre para usá-lo. Eu é que agradeço a visita e apreciação.
abs rev.Ricardo Rios
Janaina disse…
Muito Bom o texto, Pastorzinho! Estou com vc!!!

Postagens mais visitadas deste blog

“Sem lenço e sem documento” – uma análise do crente moderno

“Sem lenço e sem documento” – uma análise do crente moderno Por: rev. Ricardo Rios Melo Essa frase ficou consagrada na canção de Caetano Veloso, “Alegria, Alegria”, lançada em plena ditadura no ano de 1960. A música fazia uma crítica inteligente ao sistema ditatorial e aos seus efeitos devastadores na sociedade da época. Era um período difícil em que falar contra o regime imposto era perigoso e, em muitos casos, mortal. Destarte, a minha intenção é usar apenas a frase da música “sem lenço e sem documento”. Essa expressão retrata a ideia de alguém que anda sem objetos importantes para sair de casa na época da escrita. Hoje, ainda é importante sair com o documento de identidade. Alguns acrescentariam celular e acessórios; contudo, a identificação de uma pessoa ainda é uma exigência legal. Andar sem uma identificação é sempre perigoso. Se uma autoridade pará-lo, você poderá ter sérios problemas. É como dirigir um carro sem habilitação. Você pode até saber dirigir, mas você...

“Águas passadas não movem moinho”

“Águas passadas não movem moinho” Por Rev. Ricardo Rios Melo Esse ditado popular: “Águas passadas não movem moinho” é bem antigo. Retrata a ideia, como diz minha sabia avó, de que, quando alguém bate em sua porta, você não pergunta: “quem era?”; antes, “quem é”.   Parece mostrar-nos que o passado não tem importância ou, pelo menos, não deve ser um obstáculo para andarmos para frente em direção ao futuro. É claro que o passado tem importância e que não se apaga uma história. Contudo, não devemos exagerar na interpretação desse ditado; apenas usá-lo com o intuito de significar a necessidade de prosseguir em frente, a despeito de qualquer dificuldade que se tenha passado. Apesar de esse adágio servir para estimular muita gente ao longo da vida, isso parece não ser levado em conta quando alguém se converte a Cristo. É comum as pessoas falarem: “Fulano se converteu? Não acredito! Ele era a pior pessoa do mundo. Como ele pôde se converter?” O mundo pode aceitar e encobr...

“Como se não houvesse amanhã”

“ Como se não houvesse amanhã” Rev. Ricardo Rios Melo Existe uma música, da banda de rock brasileira Legião Urbana, escrita por Renato Russo, que em seu refrão diz: “ É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há .” Essa letra tem nuances contextuais e um grande aspecto introspectivo. Apenas me fixarei no belo refrão. Acredito que Renato Russo estava correto em afirmar que precisamos amar as pessoas como se o amanhã não existisse. A Bíblia fala que o amanhã trará o seu próprio cuidado: “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal” (Mt 6.34). Parece-nos que a Bíblia, apesar de nos falar da esperança e da certeza da vida futura, nos chama a viver o hoje: “antes exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado” ( Hb 3.13). Ao citar o Sl 95, o autor aos Hebreus ex...