terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O Eterno e o tempo: o imediatismo da vida imediata

O Eterno e o tempo: o imediatismo da vida imediata
Rev. Ricardo Rios Melo
Antes desse arrazoado, é melhor fazermos o que Aristóteles chama de definir, pois definir é limitar. A palavra eterno, do latim aeternu, refere-se àquilo que não tem início e jamais terá fim. O eterno é o não-tempo. O que sempre existiu e sempre existirá. Abbagnano ressalta que a discussão da eternidade permeia a filosofia pré-socrática até a contemporaneidade. A palavra eternidade se divide em duas definições: 1º. duração indefinida do tempo e 2º. intemporalidade como contemporaneidade. Para Platão, “eterno é o que não era nem será, mas apenas é” (ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia, 4ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000, p. 379). Para Lalande, existem duas definições: “A. duração indefinida. Este sentido primitivo é o menos usado em filosofia. B. característica do que está fora do tempo” (LALANDE, André. Vocabulário técnico e Crítico da Filosofia. 3ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999, p. 348).
Dentro da teologia, é pertinente o comentário de Berkhof:

“a infinitude de Deus em relação ao tempo é denominada eternidade – Sua eternidade. A forma em que a Bíblia apresenta a eternidade de Deus é simplesmente a de duração pelos séculos sem fim, Sl 90. 2; 102, 12; Ef 3.21. Devemos lembrar, porém, que ao falar como fala, a Bíblia emprega a linguagem popular, e não a linguagem da filosofia. (...) A eternidade, no sentido estrito da palavra, é adstrita àquilo que transcende todas as limitações temporais. Que o termo se aplica a Deus nesse sentido é ao menos ensinado em 2 Pe 3.8. ‘ o tempo, diz o dr. Orr, ‘estritamente falando, tem relação com o mundo de objetos existentes em sucessão. Deus preenche o tempo; Ele está em cada partícula dele; mas a Sua eternidade, todavia, não é realmente este estar no tempo. É, antes, aquilo com o que o tempo forma um contraste’. Nossa existência é assinalada por dias, semanas, meses e anos; não é assim a existência de Deus. A nossa vida se divide em passado, presente e futuro, mas não há essa divisão na vida de Deus. Ele é o eterno ‘Eu Sou’” (BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo, LPC, 1998, p. 63).
A palavra imediato vem do latim mediattu e significa: rápido, instantâneo; ou seja, no tempo e bem rápido.
Essas duas palavras se cruzam no tempo da vida imediata. Será que existe eternidade? Se não existe, por que discuti-la? E, se existe, como vivê-la? Antes de respondermos essa indagação, vamos nos perguntar o porquê de o homem finito, temporal, ter parado pela primeira vez no tempo para pensar no não tempo. Essa questão poderá nos trazer várias respostas antropológicas, filosóficas, sociológicas e até psicológicas. Contudo, acho que a mais consistente e contundente é essa: “Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim” (Ec 3.11).
A eternidade foi cravada no coração do homem assim como a lei de Deus e o senso divino (Rm 2.14,15). O texto de Eclesiastes faz uma comparação da brevidade do homem e do tempo em comparação com a sabedoria e a eternidade de Deus. O Deus do tempo é atemporal. O homem vive no tempo e é limitado a ele.
O que nos chama atenção é como o homem finito, temporal e efêmero, passou a indagar sobre o não-tempo? Parece-nos que a semente divina colocada no homem, fez com que ele não só indagasse a existência de um Deus, mas também, a sua própria existência. A própria matemática tem um conceito intrigante, a idéia de + ∞ (infinito) e - ∞ (infinito). O homem finito pensando no que não tem fim.
Os orientais pensam na imortalidade da alma e na reencarnação tanto de modo progressivo (evolução de um estado ao outro) como regressivo (o homem pode regredir em sua nova reencarnação). Os egípcios pensaram na imortalidade da alma e que o corpo dos faraós deveriam ser preservados para que, quando eles voltassem, tivessem um corpo para habitar. O espiritismo ocidental fala de reencarnação e, sendo mais desenvolvido no período da teoria da evolução, entende que o homem tende a evoluir a cada encarnação. O cristianismo fala de vida eterna somente concedida em Cristo. Para o cristianismo, após a morte, vem o juízo: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” ( Hb 9.27 ). Contudo, para aqueles que crêem em Cristo, já passaram da morte para vida: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24). Os homens não enfrentam bem a idéia do fim de sua existência e da própria morte, pois a “eternidade” está em seus corações e, segundo as Escrituras, a morte passou a todos os homens em Gn 3.
Pensar na eternidade e efemeridade da vida não deveria ser coisa apenas de filósofos ou teólogos. Quando nos deparamos com a afirmação de Paulo em 1 Co 15.12-19, percebemos que isso é uma questão prática da vida: “Ora, se é corrente pregar-se que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como, pois, afirmam alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, então, Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé; e somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens”.
A doutrina da ressurreição fala da eternidade; que a vida não se resume ao imediatismo diário. Paulo de maneira bastante realista avalia o pensamento do homem de sua época e, por que não dizer, do homem pós-moderno. A vida resumida a prazeres efêmeros é passageira e, nos dizeres de Paulo, infeliz.
No pragmatismo moderno e na vida fast food, pensar na eternidade parece distante e sem sentido. Contudo, é pertinente lembrarmos que a vida terrena é passageira. O imediatismo contemporâneo faz-nos esquecer que a vida é passageira, pois tudo é tão rápido que não se tem tempo para pensar. Contudo, se pedires a tua alma hoje, o que você terá para dar em troca? “E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abundância. E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstrui-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus” (Lc 12. 16-20).
O homem contemporâneo vive o imediatismo da vida como se fosse eterno, mas, sem pensar na eternidade. Ele sabe que a felicidade terrena é efêmera, mas vive como se ela fosse eterna. Ele eternizou o imediatismo. O próprio amor, como dizia o poeta, deve ser “eterno enquanto dure”.
Destarte, viver intensamente a vida imediata e tentar eternizar o efêmero não salvará o homem da pergunta: “e o que tens preparado, para quem será?”
Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24)
Que o Deus eterno nos abençoe!
Rev. Ricardo Rios Melo

sábado, 26 de novembro de 2011

A Anomalia da Normalidade


A Anomalia da Normalidade

O que é normal? O que se entende por normalidade é aquilo que a maioria, ou seja, 51% das pessoas aceitam como normal. Portanto, o que em uma cultura é normal, em outra, pode ser considerado como anormal – ou, na cultura do politicamente correto, uma coisa é aceitável ou não, segundo o costume, época, região etc.

Entre as comunidades indígenas é comum (normal) o infanticídio. É normal crianças serem enterradas vivas porque nasceram com necessidades especiais. Para muitas tribos, inclusive no Brasil, como é o caso dos índios xinguanos, “ninguém pode depender de outra pessoa para viver” (http://www.cenargen.embrapa.br/publica/trabalhos/cot125.pdf). Os gêmeos também são sacrificados, pois segundo a crença indígena, um é mal e outro bom, mas, como não há como saber quem é o bom ou o mal, sacrificam-se os dois. Mães solteiras ou cujo “casamento” não deu certo também sacrificam a criança para que elas não cresçam sem o pai. As crianças albinas entram no mesmo caso das gêmeas (http://www.cenargen.embrapa.br/publica/trabalhos/cot125.pdf).

Criticar esse tipo de prática é considerado por alguns intelectuais de etnocentrismo. O que devemos entender, segundo esse grupo intelectual, é que uma cultura não deve olhar para outra com altivez; não se deve julgar a cultura alheia com a ótica de nossa cultura. O que é normal para você pode ser anormal para eles. Portanto, julgar é proibido.

Quando entendemos que é a cultura que determina o que deve ser normal, muitos problemas encontram solução e outras dificuldades aparecem: nem tudo que foi normalizado é correto fazer. No direito, se separa normal jurídico de normal moral: “Alguns autores afirmam que o Direito é um sub-conjunto da Moral. Esta perspectiva pode gerar a conclusão de que toda a lei é moralmente aceitável. Inúmeras situações demonstram a existência de conflitos entre a Moral e o Direito. A desobediência civil ocorre quando argumentos morais impedem que uma pessoa acate uma determinada lei. Este é um exemplo de que a Moral e o Direito, apesar de referirem-se a uma mesma sociedade, podem ter perspectivas discordantes” (José Roberto Goldim, http://www.ufrgs.br/bioetica/eticmor.htm).

Na cultura pagã do primeiro século, era comum (normal) a pedofilia. “É sabido que em certas populações, em algumas épocas históricas, uma forma de pedofilia era permitida e podia até assumir um caráter ritualístico institucionalizado. Na Grécia era freqüente uma relação sexual entre homens adultos e adolescentes, dentro de uma experiência de crescimento espiritual e pedagógico. Enquanto o amor homossexual pelo adolescente era permitido, ao contrário era punida a homossexualidade promíscua com caráter pornográfico ou mercenário. Da mesma forma eram severamente punidas as relações sexuais com as crianças impúberes. De fato na relação amorosa a idade da criança não devia ser inferior aos 12 anos” (Franco De Masi, http://www.febrapsi.org.br/publicacoes/artigos/capsa2008_franco1.doc.).

Para os cristãos, a definição de normal está ligada intimamente ao que é moral segundo a Bíblia. Portanto, muitas coisas que são consideradas normais na cultura são consideradas como pecado e anormais para o crente.

Outras definições interessantes trazidas pela Bíblia: a ligação do normal com o natural, no sentido de a natureza para a qual o ser humano foi feito (Rm 1. 18-32); o que é honroso e desonroso (1 Co 11.14) também visto, por exemplo, por Paulo em sua carta aos Coríntios. No contexto da carta, para um leitor atento, é claramente distinto o que é cultural e o que é princípio moral (bíblico).

Muitas vezes, o costume de uma época está intimamente ligado ao pecado. Consequentemente, o que se considera normal para algumas culturas, é pecado para Bíblia. O vestuário e o corte de cabelo em Corinto não eram apenas um modismo, mas caracterizava uma prática cúltica pagã e imoral.

“Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos; nem conversação torpe, nem palavras vãs ou chocarrices, coisas essas inconvenientes; antes, pelo contrário, ações de graças. Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais participantes com eles” (Ef 5.3-7).

Cuidado, pois nem tudo que é normal é moral!

Deus nos abençoe!

Rev. Ricardo Rios Melo

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O Céu pode esperar


O Céu pode esperar

Por Rev. Ricardo Rios Melo

Ao pensar nesse título, deparei-me com o filme de comédia com o mesmo nome. O título desse filme em inglês é Down to Earth, que poderia ser traduzido por De Volta à Terra – o que faria mais sentido levando em consideração a sinopse da película que nos relata que um comediante que sonhava em fazer sucesso morre por engano dos anjos e, por conta disso, tem uma nova chance em outro corpo. Bom, se quiserem saber mais do filme, é só pesquisar ou assisti-lo mesmo. O meu intuito é falar sobre o tema O Céu pode Esperar.

Existe um adágio que versa sobre o seguinte: todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer. Eu tenho percebido que as pessoas perderam toda a perspectiva sobre o Céu. Não querer morrer faz parte da natureza humana, uma vez que fomos criados por Deus para vivermos eternamente. Portanto, dentro da perspectiva humana, isso é compreensível. Porém, não querer ir para o céu é um mal que tem sua raiz na secularização da igreja e na própria natureza caída do homem.

Richard Baxter disse que “o céu apagará qualquer prejuízo que possamos sofrer para ganhá-lo; mas nada pode pagar o prejuízo de perdê-lo”.

A. W. Pink diz que “uma brisa do paraíso extinguirá todos os ventos adversos da terra".

Esses servos do passado tinham o seu coração no céu, pois “ninguém vai para o céu se já não enviou para lá seu coração” (Thomas Wilson). Eis aí todo problema moderno! As pessoas querem viver o paraíso aqui na terra. E o pior disso tudo, o paraíso deles é totalmente humano! O crente moderno deseja bens materiais e prazer apenas carnal: querem dinheiro, fama, sucesso material e amoroso etc. A oração que Jesus nos ensinou não faz qualquer sentido para esse tipo de igreja materialista: “Venha o teu reino...” (Mt. 6.10).

A igreja moderna ora para que o Reino de Deus seja apenas um meio de concessão de bens materiais. “Sou filho do rei!”, exclamam alguns adeptos dessa antropocentrologia.

Recentemente, ouvi uma experiência contada por um pastor. Ele disse que ao falar da proximidade da volta de Cristo, o amigo dele disse: “Deus me livre, ainda nem casei!”.

Infelizmente, esse exemplo dado por esse pastor está longe de ser ficção em nossas igrejas. As pessoas estão muito ocupadas para pensarem no Reino ou para quererem ir para Céu. Nesse momento, você poderia fazer a seguinte pergunta: em que sentido você fala de Céu? Estou usando a idéia de que “Cristo é o centro das atenções no céu” (Arquibald Alexander). Esse é o sentido paulino: “Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (Fp 1:23). Paulo tem o entendimento de que a morte o levaria a estar com Cristo e, portanto, é incomparavelmente melhor; é incontavelmente melhor. Ele não está feliz em morrer por morrer, mas ele sabe que estará com Cristo, e isso faz toda diferença! Nos dizeres de Thomaz Brooks, “só Deus é quem faz o céu ser céu”!

Essa mentalidade paulina foi perdida no mundo evangélico! As pessoas querem dinheiro, curas e toda a felicidade aqui e agora. Não estou dizendo que Deus não conceda, segundo sua soberana vontade, essas coisas, mas isso não é nada comparado ao céu (Mt 6. 33). Além do mais, Cristo nos promete sua presença até a consumação do século (Mt 28.20) e não bonança na terra: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33).

Por mais belo e prazeroso que o mundo seja, pois é palco da glória de Deus, não podemos compará-lo com o céu e, muito menos, com aquilo que Deus preparou para nós: “mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1 Co 2.9).

O céu como apenas um lugar, não é nada! A importância do céu é o seu significado. É o fato de que no céu (lugar) estaremos com Deus, não apenas na viração do dia (Gn 3.8), mas a glória do Senhor brilhará sempre: “Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos” (Ap 22.5).

Segundo o Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento de Lothar Coenen & Colin Brown, a palavra céu (ouranos) ocorre 272 vezes no NT. Em várias ocorrências, o sentido de céu não tem apenas o significado de lugar temporário, mas representa o ápice da história da redenção. “Todos os seres, mesmo os celestiais, curvarão seus joelhos diante de Jesus Cristo ressuscitado e glorificado (Fp 2.10-11). Deus exaltou Jesus até Sua destra, em tois epouraniois (de ta epourania, uma circunlocação para ‘céu)” (Coenen & Brown, p. 348).

Viver no presente aguardando a volta de Cristo ou estar com Ele após nossa morte é a perspectiva de todos os seus servos do passado: “Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente, venho sem demora. Amém! Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20).

Se não existisse o céu e a ressurreição, o cristianismo perderia todo o sentido: “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” (1 Co 15.17). A ressurreição é a certeza de que a morte não é o fim! É a convicção de que a promessa de “novos céus e nova terra” será concretizada! É a boa nova que nos garante que o deserto provocado pelo pecado de nosso pai Adão não será eterno, pois no novo Jardim não teremos a presença da serpente. “Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (2 Pe 3.13).

Certamente há quem não acredite na vida após a morte e, muito menos, na ressurreição. Para esses, eu termino com a excelente reflexão de Ronald Nash:

“Cristo realmente ressuscitou dentre os mortos, foi visto e tocado (1 Jo 1.1-3). Os cristãos estão seguros da vida após a morte não apenas por causa de um argumento, mas também por causa do testemunho ocular. A Igreja é esse corpo de testemunhas, a corrente de testemunhas que começa com o testemunho ocular da ressurreição dado pelos apóstolos. ‘Portanto, a resposta cristã para a mais cética de todas as questões ‘O que você realmente sabe sobre a vida a após morte? Você esteve lá? Você voltou para nos contar?’ é: ‘Não, mas tenho um bom amigo que sabe, esteve lá e voltou para contar’” (Ronald Nash, Questões Últimas da vida, São Paulo: Cultura Cristã, 2008 p. 422).

Como você diz que Jesus está presente em você, se você não quer estar na presença dEle?

Maranata, vem Senhor Jesus!

Rev. Ricardo Rios Melo

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O preconceito do preconceito


O preconceito do preconceito
Rev. Ricardo Rios Melo
A idade moderna passou. Nós somos agora pós-modernos, mesmo que não entendamos o que seja isso. A geração X foi embora e estamos na geração Y.  Para que entendamos isso, vejamos a definição de Fernando Viana:

Pessoas que tem a habilidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo: falar ao telefone, escrever e-mails, baixar músicas e filmes na internet, conversar com várias pessoas nos programas de bate papo, ler jornais nos sites e ao mesmo tempo escrever um relatório sobre um projeto de trabalho. Este grupo é chamado por “Geração Y”, ou seja, são pessoas que nasceram no final da década de 70 até o início da década de 90, que têm idade entre 16 e 29 anos e, portanto, estão ligados à internet desde que nasceram e que, muitas vezes, possuem habilidades tecnológicas que superam às das gerações anteriores. Essa geração foi precedida por duas gerações de características bastante diferenciadas: a geração que foi chamada de “Baby Boomers” constituída por indivíduos que nasceram entre 1946 e 1965 e a “Geração X” constituída por indivíduos que nasceram entre 1966 e 1975 (...)[1]

A geração pós-moderna e a geração Y “assovia e chupa cana ao mesmo tempo”; talvez nem entendam esse adágio popular já que estão em outra esfera do tempo.
É uma geração que advoga o pluralismo, o discurso politicamente correto e, sobretudo, a quebra do preconceito. Entretanto, o que é um preconceito?
A definição do Aurélio é a seguinte: [De pre- + conceito.] S. m. 1. Conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos; idéia preconcebida.  2. Julgamento ou opinião formada sem se levar em conta o fato que os conteste; prejuízo.  3. P. ext. Superstição, crendice; prejuízo.  4. P. ext. Suspeita, intolerância, ódio irracional ou aversão a outras raças, credos, religiões etc.
A quarta significação relatada é a pior de todas, pois é “intolerância, ódio irracional ou aversão as outras raças, credos, religiões”. Esse tipo de preconceito poderia ser resumido como um ódio gratuito.
Inicialmente, gostaria de falar da etimologia da palavra preconceito. Ela é formada do prefixo pré que vem do latim prae o qual significa: anteriormente. A palavra conceito, oriunda do latim conceptu significa, dentre outras coisas, ação de formular uma idéia por meio de palavras; definição, caracterização, pensamento, idéia, opinião. 
A palavra na raiz, (pré + conceito =) preconceito, poderia significar uma opinião ou pensamento prévio sobre alguma coisa. Nesse sentido, todas as pessoas são preconceituosas, pois temos nossos juízos prévios sobre tudo e todos.
Para se estabelecer que o preconceito é ruim, precisamos ter um preconceito ou um juízo preconcebido sobre ele. Talvez esse preconceito tenha surgido em nossas mentes sem maiores aprofundamentos sobre o assunto, pois, via de regra, não nos aprofundamos sobre tudo, mas temos um juízo sobre tudo. Isso significa que temos um preconceito sobre quase todas as coisas relacionadas à vida, já que no mundo tão diverso e amplo não sabemos tudo de tudo, mas, pouco de pouco. Assim, somos altamente preconceituosos.
Portanto, quando alguém me chama de preconceituoso, pergunto sobre que prisma ou significação ele fala. Se ele disser que tenho um pré-julgamento sobre algo, está corretíssimo, pois ele mesmo precisou do preconceito dele para julgar se eu era preconceituoso. Mas, o que tem ocorrido em nossos tenebrosos dias é que quando não aceitamos alguma coisa ou não pensamos como a ditadura da maioria, somos tidos como preconceituosos dentro da quarta significação que lhes falei: ódio ao outro, perseguição. Isso é uma falácia e ditadura comportamental, pois quer impossibilitar que você pense diferente. Isso é estranho, pois, no mundo da pós-modernidade e da geração Y, em que a diversidade é ovacionada, porque não tenho direito de pensar diferente dos outros, entendeu? Exemplo: eu não fumo e acredito que o cigarro faz mal à saúde. Esse preconceito pode até ter sido elaborado por médicos e profissionais da saúde por longa pesquisa, todavia, eu, reles mortal, apenas aceitei o que disseram, ou seja, não me aprofundei: juízo breve sobre algo: preconceito. Contudo, como esse preconceito foi estabelecido pela maioria, isso se torna politicamente correto. Portanto, o problema não está no preconceito em si, mas na decisão comportamental da maioria ou da minoria que governa os pensamentos pós-modernos.
Dentro desse exemplo do tabagismo, eu não posso ser considerado preconceituoso no sentido do ódio ao tabagista, pois eu não sou intolerante com ele, desde que ele não fume no mesmo ambiente em que estou. Se isso acontecer, eu tenho o voto da maioria para ser intolerante com ele e mandá-lo se retirar do ambiente ou apagar o cigarro.
Percebemos com essa ilustração que o problema não é o preconceito, mas o preconceito do preconceito. Todo preconceito é um pós-conceito. Ele se baseia em pós-conceitos superficiais ou não.
O discurso moderno contra o preconceito é mais um preconceito, visto que é oriundo de julgamentos prévios leves ou profundos. Vejamos outro exemplo: suponhamos que você queira criar seu filho dentro do padrão da família nuclear, a antiga família padrão. A nova geração que vivemos não aceita a velha geração, ou seja, tem preconceito. Você será chamado de careta e preconceituoso, pois você quer que sua filha case-se com um homem e constitua uma família padrão. Certamente sofrerá retaliação, insultos verbais, intolerância.
Se você se der o trabalho de buscar na internet sobre o movimento pedófilo, certamente encontrará na Wikipédia:

O activismo pedófilo[1] é hoje um movimento de importância marginal, que esteve mais em voga entre as décadas de 1950 e 1990, e atualmente é mantido exclusivamente por websites. Segundo um de seus defensores, Frits Bernard, o movimento advoga a aceitação social da atração sexual ou romântica de adultos com crianças, e consequentes actividades sexuais, pretendendo, para esse fim, provocar mudanças sociais e judiciais como a mudança da idade de consentimento para idades mais infantis e a não categorização da pedofilia como doença mental [1]. Outro de seus defensores, Tom O'Carroll, escreveu um livro ( Paedophilia: The Radical Case. Peter Owen, London, 1980.) em defesa da pedofilia, agora esgotado. Mais tarde O'Carroll foi preso e condenado na Grã-Bretanha por "conspiração para corromper a moral pública" e, posteriormente, foi também condenado à prisão por produzir pornografia infantil. Os objectivos desse movimento são repudiados pela opinião pública e pelo Código Civil e, na prática, a idade em que esta crítica se aplica varia de país para país [carece de fontes No Brasil é absoluta (juris et de jure) a presunção de violência em qualquer tipo de sexo praticado com menores de 14 anos. Em Portugal pelo sistema judicial actual a idade passa para 16 anos.[carece de fontes
Atualmente, a pedofilia é unanimemente considerada uma doença mental por toda a comunidade científica institucionalizada e os actos ligados à pedofilia são considerados como crime na quase totalidade do mundo, existindo considerável consenso de que a aproximação sexual entre adultos e crianças é abusiva e vitimizante [1]. 
O movimento é também chamado por alguns de Childlove Movement[2][3], embora outros disputem essa equivalência. O termo female Childlove refere-se ao relacionamento entre mulheres adultas e crianças (de qualquer sexo).[2]

Sou contra a pedofilia e posso muito bem ser classificado de preconceituoso dentro da ditadura da liberdade moderna. Sabe o que isso significa? Se a minoria dominante ou a maioria dominante prejulgar que a pedofilia é correta, nós que somos da geração ultrapassada seremos considerados preconceituosos e sofreremos o preconceito.
Para terminar, gostaria de citar o conceituado colunista da Veja Reinaldo Azevedo:


Não há um só país de maioria cristã, e já há muitos anos, que persiga outras religiões. Ao contrário: elas são protegidas. Praticamente todos os casos de perseguição a minorias religiosas têm como protagonistas correntes do islamismo — ou governos mesmo. Não obstante, são políticos de países cristãos — e Barack Obama é o melhor mau exemplo disto — que vivem declarando, como se pedissem desculpas, que o Ocidente nada tem contra o Islã etc. e tal. Ora, é claro que não! Por isso os islâmicos estão em toda parte. Os cristãos, eles sim, são perseguidos — aliás, é hoje a religião mais perseguida da Terra, inclusive por certo laicismo que certamente considera Bento 16 uma figura menos aceitável do que, sei lá, o aiatolá Khamenei…
O pastor iraniano Yousef Nadarkhani foi preso em 2009, acusado de “apostasia” — renunciou ao islamismo—, e foi condenado à morte. Deram-lhe, segundo a aplicação da sharia, três chances de renunciar à sua fé, de renunciar a Jesus Cristo. Ele já se recusou a fazê-lo duas vezes — a segunda aconteceu hoje. Amanhã é sua última chance. Se insistir em se declarar cristão, a sentença de morte estará confirmada. Seria a primeira execução por apostasia no país desde 1990. Grupos cristãos mundo afora se mobilizam em favor de sua libertação. A chamada “grande imprensa”, a nossa inclusive, não dá a mínima. Um país islâmico eventualmente matar um cristão só por ele ser cristão não é notícia. Se a polícia pedir um documento a um islâmico num país ocidental, isso logo vira exemplo de “preconceito” e “perseguição religiosa”.[3]

No mundo da tolerância, os cristãos são perseguidos, humilhados e levados a morte. Alguns poderiam argumentar sobre o passado truculento de alguns movimentos históricos do cristianismo e dizer “bem feito!” Contudo, sem querer nos desculparmos por isso, a história não poupa credo e nem descrença.
No mundo pós-moderno, o preconceito no sentido do ódio e perseguição deveria ter sido supostamente extinto. Será que foi?
Nós cristãos não deveríamos nos assustar com a intolerância dos tolerantes, pois a Bíblia nos adverte: “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 3.12).
O preconceito hoje é contra tudo aquilo que se chama de moral e bons costumes!

Deus nos abençoe e nos fortaleça nesse mundo preconceituoso.
Rev. Ricardo Rios Melo




sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O resto da minha vida


O resto da minha vida
rev. Ricardo Rios Melo

Século XXI: pessoas apressadas para não perder o dia. Depois da revolução do telefone e da tecnologia, o homem contemporâneo trabalha muito mais que as 8h pretendidas. O avanço da globalização e as maravilhas da internet facilitaram a vida do homem, mas também não os deixaram mais em paz. Redes sociais, email-s, SMS etc. fizeram do homem pós-moderno um escravo da tecnologia. Estamos o tempo todo conectados! Até as amizades viraram virtuais. Como resultado disso tudo, corremos, corremos e nunca chegamos à reta final. Há uma sensação de vazio! Nunca se termina o trabalho, pois sempre terá continuidade amanhã ou em segundos.
A vida pós-moderna levou o homem a um individualismo e a uma vida solitária em conjunto. Vivemos em grupos, contudo nossas ligações ficaram cada vez mais restritas a interesses egoísticos, hedônicos e fugazes.  Glilles Lipovetsky aduz:


Houve uma transformação do público que se deve ao fato de que o hedonismo, que na virada do século passado era o apanágio de um reduzido número de artistas antiburgueses, tornou-se o valor central de nossa cultura, em conseqüência do consumo de massa: (...) É então que entramos na cultura pós-moderna, categoria que designa para D. Bell o momento em que a vanguarda não mais suscita indignação, em que as pesquisas inovadoras são legítimas, em que o prazer e o estímulo dos sentidos se tornam os valores dominantes na vida comum. Neste sentido, o pós-modernismo aparece como a democratização do hedonismo, a consagração generalizada do Novo, o triunfo do “antimoral e do antiinstitucionalismo” e o fim do divórcio entre os valores da esfera artística e os do cotidiano.[1]


O fato é que o homem pós-moderno vive em função de seu prazer e, muitas vezes, esse prazer individual fere o prazer individual do outro. A idéia hedonista e epicurista voltou com força total: o homem busca o prazer como principal objetivo humano (Hedonismo) e evita o sofrimento a qualquer preço. Apesar de Epicuro de Samos (IV a.C) buscar o prazer moderado, a sua idéia, mesmo que um pouco distorcida atualmente, pode ser muito bem o retrato hodierno: a busca do prazer e a fuga do sofrimento. Para isso, o homem busca viver sozinho e, ao mesmo tempo, se depara com a necessidade de viver em sociedade:

Precisamos também observar o fato, absolutamente não trivial, de que nosso solitário moderno é habitante de uma metrópole. Como observou G. Simmel num texto de 1902, a vida nas grandes cidades sujeita o indivíduo a uma quantidade enorme de estímulos, desconhecida nas sociedades tradicionais. Para sobreviver psiquicamente, o homem metropolitano precisa desenvolver uma atitude de reserva, de indiferença e recusa ao envolvimento emocional com aquilo que lhe é externo: uma atitude blasé[2]. Essa atitude confere ao indivíduo um alto grau de liberdade e anonimato que leva, por um lado, a uma percepção da própria subjetividade como altamente pessoal, como razão direta do grande número de diferentes círculos sociais entre os quais ele transita, sem aderir completamente a nenhum. Mas por outro lado a atitude blasé, adaptação necessária a uma estrutura de extrema impessoalidade como a metrópole, tem como preço a solidão, cujo sentimento é maior devido à proximidade física com outros milhões de indivíduos.[3]

É necessário viver em sociedade. Entretanto, a forma como eu vivo em sociedade é que pode ser solitária, hedônica, narcisista. Eu posso me relacionar com o outro de maneira superficial, egoísta – apenas porque o outro é importante para o EU. Eu me satisfaço no outro e o outro me satisfaz.
Nesse “novo” mundo não há lugar para espiritualidade, mas sim, para uma espécie de “espiritualismo” individual. A idéia de que o crescimento espiritual se faz individualmente. Eu tenho que respeitar o outro para que ele respeite minha maneira de pensar e de agir. Não é um respeito por concordância ou por amor, mas por conveniência. Não existe interesse por Verdade Absoluta, pois ela impede que eu tenha a minha própria verdade e satisfação própria. Gene Veith aborda essa questão:

Quando não existem verdades absolutas, o intelecto dá lugar à vontade. Critérios estéticos substituem critérios racionais. Ouçam o modo como as pessoas falam de religião: “Realmente gosta daquela igreja”, é o que dizem. Concordar com aquela igreja ou crer nos seus ensinos pouco entra no caso. As pessoas discutem pontos de fé nesses mesmos termos. “Realmente gosto daquele trecho bíblico que diz ‘Deus é amor’.” Tudo bem e amém. Há muito que apreciar no Cristianismo – o amor de Deus para conosco, Cristo ter levado os nossos pecados, sua graça e seu auxilio.
Mas então começamos a ouvir sobre aquilo de que não gostam. “Não gosto da idéia do inferno”. Certamente é uma reação apropriada – quem haveria mesmo de “gostar do Inferno? Mas nossa aversão natural para com essa doutrina não vem ao caso, naturalmente. A questão não é se gostamos dela, mas se existe um lugar assim.[4]


Diante desse quadro, cabem-nos algumas perguntas: 1) O que fazermos do resto de nossas vidas? 2) Onde passaremos o resto de nossas vidas? 3) Com quem estaremos no resto de nossas vidas?  
Antes que você responda essas perguntas, vamos arrazoar sobre a seguinte questão: como nos relacionamos com o mundo e com as pessoas? Se você se relaciona como foi descrito até o momento, meus pêsames: você é uma pessoa pós-moderna. Isso significa que você está só em meio à multidão. Também se depreende que você está vazio e sem objetivos concretos - você está correndo atrás do vento: “Melhor é um punhado de descanso do que ambas as mãos cheias de trabalho e correr atrás do vento (Ec 4.6). “Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol” (Ec 2.11).
Se você é pós-moderno, tem se dedicado demasiadamente àquilo que não lhe trará bem final, pois o resto de sua vida será o resto de suas forças. O trabalho já sugou tudo que você tinha de melhor; corroeu suas forças, e você, o que recebeu em troca? Eu lhe respondo: não viu seus filhos crescerem; não deu atenção a sua família; não curtiu seu tão precioso dinheiro; não tem amigos, mas parceiros de interesse; adquiriu doenças, fadigas e agora quer curtir sua aposentadoria, o resto de sua vida, virou realmente resto! É claro que você deve ter tido prazeres momentâneos, entretanto não valem uma vida desperdiçada.
Salomão, o homem mais sábio segundo a Bíblia, chegou à triste conclusão de que no mundo não há nada que mereça nossa entrega total, pois tudo não passa de vaidade e correr atrás do vento: “Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento” (Ec 1.14). 
Entretanto, muitos de nós não aprendemos com a sabedoria de Salomão. Estamos aderidos, colados em um mundo que é apenas passageiro.
Paulo faz uma constatação impressionante e realista: “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens” 1 Co 15.19.
Querido, como você se dedica e ao que dedica sua vida hoje determinam como será o resto de sua vida. Portanto, cuidado com suas escolhas! Elas têm drásticas conseqüências.
Acredito que o homem pós-moderno vive como se não houvesse a eternidade. Seu lema atual e praticante é Carpe Diem (colha o dia), “deixa a vida me levar”.
Mas, deixe-me falar mais uma coisa. O pior disso tudo é que tem pessoas que se dizem cristãs com o comportamento pós-moderno: dedicando sua vida e toda sua força naquilo que desvanece. Muitos se relacionam com a igreja por interesse. Se relacionam com o próximo por interesse. Tentam, como se isso fosse possível, se relacionar com Deus por interesse. Relacionam-se de maneira pós-moderna: hedônica. Eles são “crentes” que, em vez de estarem cheios do Espírito Santo, estão cheios do vazio pós-moderno.
Se realmente somos crentes, precisamos concluir como Paulo: Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (Fp 3.8).

Deus nos faça homens e mulheres que glorifiquem Seu precioso nome a despeito das eras e épocas.

Rev. Ricardo Rios Melo.






[1] Lipovetsky, Gilles. A Era do Vazio: ensaios sobre o individualismo contemporâneo. Barueri, SP, Manole, 2005, p. 83.
[2] Segundo o Aurélio: Palavra francesa que significa homem entediado de tudo, ou na realidade, ou por afetação. Diz-se do ar, do procedimento, do comportamento, etc. que revelam tédio, indiferença.    
[3] CASTRO, Celso. Homo solitarius: notas sobre a gênese da solidão moderna. Interseções- R.de Est. Interdisciplinares, Rio de Janeiro, v.3 , nº 1, p.79-90 , jan./jun.2001. http://cpdoc.fgv.br/producao_intelectual/arq/461.pdf - acesso em 23 de setembro de 2011 – (pg 7 e 8 do arquivo em PDF).
[4] Gene Edward Veith, Jr. Tempos Modernos – uma avaliação do pensamento e da cultura da nossa época. São Paulo-SP, Cultura Cristã, 1999, p. 187. 

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