sexta-feira, 30 de abril de 2010

Até o Papa...

Até o Papa...

Parece que o discurso culturalista religioso de algumas pessoas sobre a Igreja Católica Apostólica Romana caiu por terra nesse mês com as afirmações de Bento XVI. Apesar de ninguém saber se Bento XVI será obedecido, o sincretismo religioso, algo que é tão praticado na Bahia, foi criticado por ele:

Em um sinal de preocupação com os rumos do catolicismo no Brasil, o papa Bento XVI criticou o sincretismo na religião e pediu que os bispos brasileiros rejeitem "fantasias" na eucaristia. Bento XVI alertou que "o culto não pode nascer de nossa fantasia", já que "a verdadeira liturgia pressupõe que Deus responda e nos mostre como podemos adorá-lo". A mensagem foi clara: a Igreja não aceitará sincretismo. O pontífice deu o recado durante encontro realizado ontem com 15 bispos da Região Norte. O papa pediu respeito pela centralidade de Jesus na missa. "Quando na Santa Missa não aparece a figura de Jesus como elemento proeminente, mas uma comunidade atarefada em muitas coisas", se produz um "escurecimento do significado cristão do sacramento", afirmou.[1]

O que faltou nesse discurso do Papa foi aceitar que o verdadeiro culto a Deus é necessariamente contrário a missa católica. A centralidade de Cristo no culto leva em consideração que a expiação feita pelo Filho de Deus foi realizada de uma vez por todas. Portanto, além de desnecessária, a missa católica se constitui em uma assertiva equivocada de que a obra de Cristo na Cruz não foi suficiente para perdoar pecados, pois precisa ser repetida constantemente:

A visão do Catolicismo Romano, chamada transubstanciação, ensina que o pão e o vinho da ceia do Senhor são “transformados no” corpo e sangue de Cristo quando abençoados pelo sacerdote. Essa visão coloca a fé de lado, pois tudo o que alguém precisa para receber a Cristo é comer o pão e beber o vinho. Isso também lança o fundamento para a Missa, pois quando o pão, que supostamente não é mais pão, mas sim corpo, é partido, então o sacrifício de Cristo é repetido novamente. A própria palavra Missa significa “sacrifício”.[2]

Para sermos justos com Bento XVI, temos que elogiar sua tentativa de buscar pureza no culto. Se ele fosse mais um pouco ao passado, entenderia seu colega de batina Lutero e sua luta para reformar a Igreja Católica Apostólica Romana.

O que nos chama a atenção é que até o Papa percebeu que o culto precisa ser destituído dos interesses pessoais dos homens e de suas fantasias. O culto deve glorificar o Deus da Palavra. O SENHOR deixou claro os princípios de Sua adoração nas Escrituras. Infelizmente, em dias tão confusos como os nossos, muitos protestantes tendem a secularizar o culto e colocar o homem no lugar de Deus.

Há sincretismo e secularismo em diversos cultos evangélicos. Por isso, nunca é demais resgatarmos os documentos históricos. Vejamos a Confissão de Fé de Westminster em seu capítulo XXI , seções I e II:

I. A luz da natureza mostra que há um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e de toda a força; mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras. Ref. Rom. 1:20; Sal. 119:68, e 31:33; At. 14:17; Deut. 12:32; Mat. I5:9, e 4:9, 10; João 4:3, 24; Exo. 20:4-6.

II. O culto religioso deve ser prestado a Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo - e só a ele; não deve ser prestado nem aos anjos, nem aos santos, nem a qualquer outra criatura; nem, depois da queda, deve ser prestado a Deus pela mediação de qualquer outro senão Cristo. Ref. João 5:23; Mat. 28:19; II Cor. 13:14; Col. 2:18; Apoc 19:10; Rom. l:25; João 14:6; I Tim. 2:5; Ef. 2:18; Col. 3:17.

Bento XVI, aparentemente, está distante em gênero, número e grau do seu compatriota, o alemão Martinho Lutero. Porém, quem sabe, em sua volta aos dogmas católicos, ele não encontre as 95 teses?

Enquanto isso, relativamente a nós protestantes, qual será o “papa” que “puxará a nossa orelha diante de tantos abusos?” Acredito que até mesmo os evangélicos devem voltar para Lutero e, principalmente, João Calvino, para redescobrir o culto que foi entulhado pela modernidade. Que Deus nos conceda o retorno aos solas: Sola Scriptura; Solus Christus; Sola Gratia; Sola Fide; Soli Deo Gloria.

Rev. Ricardo Rios Melo

sexta-feira, 16 de abril de 2010

“Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegres” (Sl 126:3).

Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegres” (Sl 126:3).

Estamos comemorando vinte e dois anos de história. Grandes lutas foram travadas para que a igreja se estabelecesse nesse bairro. Deus nos concedeu a vitória e estamos alegres pelos grandes feitos do Senhor em nossa vida. Nossos pais nos contaram os grandes feitos do Senhor e erigimos um Memorial em louvor a Deus.

Nesses vinte e dois anos, vencemos desafios e alcançamos, pela graça de Deus, várias metas. Temos que nos alegrar e cantar: “Se da vida as vagas procelosas são; Se , com desalento, julgas tudo vão; Conta as muitas bênçãos, dize-as de uma vez; E verás, surpreso, quanto Deus já fez”.

É certo que temos muito que caminhar. Precisamos vencer o desafio de comunicar o evangelho em nossa região. A palavra “comunicar” vem do latim communicare, que significa tornar comum. O comum a que nos referimos não é a banalização de um conceito, mas, o primário real, etimológico: que devemos participar a outrem sobre as nossas idéias, pensamentos e, em nosso caso, o Evangelho.

Tornar o Evangelho conhecido em nossa época não é tarefa fácil. A Igreja, de modo geral, tem perdido a capacidade de entender o homem moderno e suas idiossincrasias. Se nos importamos com o outro, devemos procurar entendê-lo. Em primeiro lugar, devemos entender a nossa cultura, formação e o que nos aproxima e o que nos distingue dos demais. Saber que o homem é pecador e carece da glória de Deus é o conceito certo, contudo, um conceito generalizante. Ele nos norteia em relação a nossa posição com Deus e a mensagem central, porém não descreve de maneira específica as características da ação do pecado em cada cultura e de como devemos comunicar o Evangelho em cada cultura.

Para não ser mal compreendido, darei o exemplo de Paulo: ele escreve em Rm 3.9-18: “Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos.”

Entretanto, esse mesmo Paulo que escreveu essa poderosa constatação utiliza maneiras diferentes para comunicar o Evangelho. Se dermos uma atenção mais apropriada ao texto de Atos e às viagens missionárias de Paulo, perceberemos que ele modificava a abordagem, não a mensagem! Ele sabia com quem estava falando e o que eles precisavam ouvir. Ele usava uma máxima do bom educador: “partir do conhecido para o desconhecido”; ele tentava se comunicar. Com os atenienses, Paulo utilizou a cultura local e um modo indireto para atingir seu objetivo; aos coríntios, igreja que já conhecia o Evangelho, ele falou de maneira clara e objetiva; aos romanos, ele usou uma técnica retórica chamada diatribe e um eu retórico imaginário, muito utilizado pela filosofia e, inclusive, muitos anos depois, por Agostinho em seus Solilóquios e a Vida Feliz.

Quando a Bíblia fala de amar ao próximo, devemos incluir o se importar com o próximo. Isso significa que eu prestarei atenção às suas demandas, alegrias, tristezas etc. Eu tentarei compreender suas origens, cultura e o que eles conhecem sobre Deus.

Queridos, vivemos em um “gueto” cristão. Cada dia, caminhamos para uma igreja que não tem feito diferença na sociedade e que não se comunica com o homem moderno, muito menos se interessa por ele.

A nossa tarefa como igreja Memorial da Barra é entender o nosso país, estado, cidade, bairro e as pessoas individualmente. Não podemos comunicar o Evangelho aos nossos vizinhos, amigos, parentes ou a qualquer pessoa se não tornamos comum o incomum; passar do conhecido para o desconhecido, o Evangelho da graça.

É momento de nos alegrarmos! É momento de celebrarmos ao nosso Deus por Sua mão graciosa, mas também é momento de refletirmos sobre os grandes desafios que temos que enfrentar: glorificar a Deus fazendo a diferença em nossa região; onde Deus erigiu um Memorial.

Que Deus nos faça vencer esse desafio!

Rev. Ricardo Rios Melo

Uma igreja relevante

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