quarta-feira, 6 de junho de 2007

“A Volta da Família Careta”



Queridos, devemos esse excelente título a Lia Luft (Veja, seis junho, 2007, p. 26). Em sua matéria, ela ressalta a importância de uma criação “careta” – é claro que ela diz que o “careta” ficou pelo acréscimo de alguns leitores insatisfeitos. Essa brilhante escritora nos traz sérias reflexões e mostra que a sociedade clama por uma família diferente do que se tem hoje.

Seria extremamente gratificante se pudéssemos avaliar a história da família durante a História. Dando uma olhada superficial, não sei se vamos encontrar tanta degradação, desafeto, desrespeito, desvios, incompreensão e violência. Apesar de comumente as gerações presentes serem exageradas e passionais em sua avaliação própria, acho que não seria exagero dizer que vivemos o que Paulo disse dos últimos tempos: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes” (2 Tm 3. 1-5). Será que encontramos alguma semelhança com os tempos de hoje?

O artigo, tão bem escrito por Luft, traz em seu bojo princípios que, mesmo que ela queira ou não, são princípios tradicionais judaico-cristãos. Não estou nem falando de princípios extremamente bíblicos, mas, de princípios que foram norteados pela Torá e pela Bíblia como um todo influenciando as civilizações. Vejamos algumas idéias que foram levantadas por ela: “acredito profundamente que ter filho é ser responsável, que educar o filho é observar, apoiar, dar colo de mãe e ombro de pai, quando preciso. E é também deixar aquele ser humano crescer e desabrochar. Não solto, não desorientado e desamparado, mas amado com verdade e sensatez. Respeitado e cuidado, num equilíbrio amoroso dessas duas coisas” (Veja, seis junho, 2007, p. 26). Não seria forçoso dizer que ela está ecoando princípios bíblicos: 1) O pai deve ensinar o caminho que o filho deve andar (Pv 22.6); 2) os filhos devem honrar pai e mãe (Ef 6.2); 3) os pais não devem provocar a ira dos filhos (Ef 6.4). É claro que, mais adiante, na mesma matéria citada, ela diz que cada pai saberá fazer como bem-entender, e ela acrescenta: “Quem não souber que não tenha filhos”. Já as Escrituras não nos deixa alternativa, pois é uma ordenança de Deus criar nossos filhos na admoestação do Senhor.

Pensemos um pouco sobre o que a “nova” criação de filhos trouxe para a sociedade. Falando apenas no aspecto educacional comum e não bíblico. Analisemos o que os “pais amigos”, aqueles que são “parceiros dos filhos” (não estou dizendo que não devemos ser amigos de nossos filhos, mas que somos mais que amigos, somos pais!) trouxeram de contribuição para os nossos jovens. Você já percebeu que o índice de alcoolismo, de viciados em droga e de delinqüência aumentou assustadoramente? Não seria ilegítimo dizer que em Salvador você encontra pessoas bebendo e consumindo todo tipo de droga de segunda-feira a segunda-feira. Eu não me lembro disso em épocas passadas! Talvez esteja sofrendo de memória seletiva, mas não encontro paralelo com nenhuma outra época, a não ser nos movimentos hippies e coisas semelhantes, mas, mesmo assim, eram movimentos. Hoje, os jovens não fazem parte de movimento algum, têm uma ideologia hedônica, semelhantes aos hippies, mas com uma grande diferença: fazem isso não por convicções ou rebeldia ou coisa parecida, mas fazem por fazer, porque são “jovens”.

Observe, novamente, o que Lya Luft de modo apropriado diz: “assim como não considero bons pais ou mães os cobradores ou policialescos, também não acho que os do tipo ‘amiguinho’ sejam muito bons pais. Repito: pais que não sabem onde estão seus filhos de 12 ou 14 anos, que nunca se interessam pelo que acontece nas festinhas (mesmo infantis), que não conhecem nomes de amigos ou da família com quem seus filhos passam fins de semana (não me refiro a nomes importantes, mas seres humanos confiáveis), que não sabem de sua vida escolar, estão sendo tragicamente irresponsáveis. Pais que não arranjam tempo para estar com os filhos, para saber deles, para conversar com eles... não tenham filhos. Pois, na hora da angústia, não são os amiguinhos que vão orientá-los e ampará-los, mas o pai e a mãe – se tiverem cacife. (...) mães que se orgulham de vestir roupeta da filha adolescente, de freqüentar os mesmos lugares e até de conquistar os colegas delas são patéticas. Pais que se consideram parceiros apenas porque bancam os garotões, idem. Nada melhor do que uma casa onde se escutam risadas e se curte estar junto, onde reina a liberdade possível. Nada pior do que a falta de uma autoridade amorosa e firme” (Veja, 6 junho, 2007, p. 26).

Pois bem, irmãos, a crença de Lya Luft, confesso que não sei. Só sei dizer uma coisa: a sociedade carece de um padrão de família. Talvez, para aqueles que não aceitam a Bíblia como palavra de Deus, seja necessário um retorno “à família careta”, aquela família onde existe afeto, respeito, autoridade paterna e cuidado constante. Isso já ajudaria muito, contudo, Deus requer mais de você que é crente! Ele quer que você mostre ao mundo a beleza de uma família que segue os padrões dEle. Deus requer de nós não uma família careta, mas a “Família da Aliança”: “Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). “O Ministério da Saúde Espiritual adverte: famílias desestruturadas e fora dos caminhos e dos preceitos da aliança de Deus geram morte eterna!” Reestruture sua família, ainda há tempo de restaurar relacionamentos e curar feridas. Lembre-se de que tempo gasto com a família não é tempo perdido, é investimento. Muitas pessoas deixam de freqüentar algumas igrejas e de até se comprometerem com a fé porque os próprios crentes se tornam tropeço em seu caminho.

Deus nos abençoe e restaure as famílias!

Rev. Ricardo Rios Melo.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Diálogo com o Ego


Perguntaram ao ego: “Ego, quem fez aquela maravilhosa obra que é vistosa aos olhos?” Ele respondeu: “Claro que fui eu quem fez, quem poderia mais fazê-la?” Outra pergunta então foi feita ao Sr. Ego: “Ego, você parece tão perfeito, você tem algum defeito ou já cometeu algum erro? Se sim, me diga algum.” Sr. Ego prontamente responde: “claro que sim! Todos nós erramos e temos defeitos! Mas, agora assim, de imediato, eu não sei lhe dizer. Talvez eu tenha sido bondoso e generoso demais com as pessoas e elas se aproveitem disso. Acho que também tenho outro erro: sou muito responsável, sincero demais, amoroso demais e não gosto de injustiça”. O diálogo se estende e o Sr. Ego faz suas ponderações: “acho que um mundo precisa de homens como eu. Pessoas que respeitem as outras e que tenham opiniões fortes, pois eu sou assim! Quando decido uma coisa, ninguém a demove!Minhas opiniões são sempre abalizadas por minhas longas jornadas empíricas. O mundo precisa de mais pessoas que se amem! Eu mesmo me olho no espelho e os meus olhos brilham ao enxergarem tão grande perfeição em uma pessoa só. Erros? Agora, pesando melhor, acho que o meu maior erro é conviver com pessoas tão falhas! Creio que preciso renovar meu círculo de amizades, pois a insignificância é contagiosa!”

Esse diálogo com o ego parece uma brincadeira ou uma piada, mas a verdade é que essa palavra tão pequena: ego , oriunda do latim, significa o eu de um indivíduo. O ego sempre se apresenta nas horas mais inconvenientes. Naqueles momentos em que temos que tomar decisões em grupo sendo a decisão do grupo mais importante para o todo, o ego diz: “pobres mortais, não sabem que o melhor para eles é a minha opinião”. O ego é um dos princípios motores da discórdia (Pv 13.10), da guerra, do ódio, da inveja e de todos pecados mesquinhos que possamos relatar.

O ego não tem autocrítica. Ele não sofre de baixa-auto-estima. Ele não passa por crise de identidade. Ele sempre se apresenta bem. Afinal, ele é perfeito! Quando alguma coisa acontece de ruim para o ego, pergunte-o o que acha e ele responderá: “eu não mereço isso!”. Ego é aquele que sempre está pronto a dar conselhos aos outros com um olhar de cima para baixo: “eu sei que isso é difícil, mas você deve fazer assim, pois é assim que é o certo”. O ego sempre diz: “olhe para mim! Eu sou o paradigma a seguir!” O ego gosta de seguidores e serviçais e brinca com as pessoas sem elas saberem, pois são marionetes em suas mãos”. Vejam o exemplo de Hitler, um lunático que conduziu uma nação e o mundo ao caos! Como tantas pessoas seguiram um lunático que tinha a pretensa ambição de dominar o mundo? O ego faz essas coisas. Ele encontra meios de obter seguidores, e faz isso com naturalidade, pois sempre que olhamos para o ego de alguém, nos enxergamos nele! Por isso, seguir um ególatra é seguir a si mesmo no outro! Conhecer a soberba de alguém é enxergar nitidamente a nossa, pois todos nós estamos sujeitos a isso!
Faça um teste: você já percebeu que ninguém é melhor do que você em alguma tarefa? Você já aconselhou alguém dizendo que isso o tempo mudará, como se você já tivesse vencido aquilo? Importante lembrar que quando a Bíblia nos fala de exortarmos o irmão ela diz: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (1 Co 10.12) (grifos meus).

“Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade” (Cl 2.23). Que palavra forte de Paulo! Falando sobre os judaizantes e o possível retorno de suas práticas, que em Cristo foram canceladas e do julgamento que os judaizantes faziam dos outros pela bebida ou comida e outras práticas, Paulo exorta-os a terem cuidados com essas coisas. Uma dessas coisas terríveis que o apóstolo fala é o culto de si mesmo. Parece que os Colossenses estavam prestes a voltarem aos rudimentos do mundo e a cultuarem a Deus segundo os pensamentos ascéticos dos religiosos da época. Vejamos os versículos anteriores: “Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade” (Cl 2.20-23).

A egolatria se faz presente não só quando somos soberbos em determinadas situações, mas também quando definimos que ser crente ou cultuar a Deus só poderá ser da nossa forma! A egolatria se faz também quando temos uma aparência de humildade, e nisso todos nós temos grande chances de nos formar com honra ao mérito. Certa feita, antes de ir ao seminário, uma pessoa me aconselhou: “cuidado com o conhecimento que você aprenderá, pois poderá gerar soberba em seu coração, eu mesmo tive que lutar muito contra isso, mas venci”. Diante dessa declaração logo me veio à mente: “ele tem orgulho de ser humilde”.

Muitas vezes, nos orgulhamos de vitórias obtidas na vida espiritual, e quando achamos que vencemos certa batalha espiritual contra determinado pecado, caímos, pois a soberba diz; “eu venci”. Quando Paulo vencia alguma coisa, ele dizia: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” 1 Co 15.10). Paulo sabe que trabalhou mais do que todos eles. No início, parece que ele caiu na soberba, mas, imediatamente, ele diz: todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo.

Queridos o ego será aniquilado de maneira plena na volta de Jesus, mas, enquanto vivermos, temos que orar conjuntamente com Davi e clamar: “Também da soberba guarda o teu servo, que ela não me domine; então, serei irrepreensível e ficarei livre de grande transgressão” (Sl 19.13). E nunca se esqueça: “Antes, ele dá maior graça; pelo que diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” Tg 4.6).

Que Deus nos livre de sermos ególatras!

Rev. Ricardo Rios Melo.

Uma igreja relevante

Uma igreja relevante Há muito se fala de que a igreja precisa ser relevante. Arautos da Teologia da Missão Integral dizem que a igreja...