quinta-feira, 21 de abril de 2016

“Bela, recatada e do lar” – uma breve análise da corrosão dos valores

“Bela, recatada e do lar” – uma breve análise da corrosão dos valores



No dia 18 de abril de 2016, a revista Veja fez uma reportagem sobre Marcela Temer. Ela é esposa do ainda vice-presidente Michel Temer. Marcela, que é 43 anos mais nova que Michel, foi retratada como uma bela mulher que já concorreu em concursos de beleza e que é formada em direito.

A reportagem retrata uma jovem recatada que é auxiliada por sua mãe. Ela é uma pessoa reservada e “do lar”. Concentra-se em cuidar do seu filho e é discreta e educada. O final da revista diz que “Michel Temer é um homem de sorte”.

Bom, o que há de tão importante nessa matéria? A reportagem gerou polêmica nas redes sociais; chacota de alguns jornalistas. Alguns falaram que foi uma matéria com a clara intenção de elogiar o vice-presidente. Contudo, o que mais foi criticado é o fato de Marcela ser “bela, recatada e do lar”.

Essa reportagem me fez lembrar um episódio emblemático da política brasileira, que retrata bem nossos dias e costumes, e como a deterioração da sociedade é rápida. Em 1994, em pleno carnaval, a modelo Lilian Ramos apareceu sem calcinha ao lado do então presidente Itamar Franco, seu namorado. Itamar substituiu o ex-presidente Collor de Mello, que havia renunciado em pleno processo impeachment.

Lilian estava ao lado de Itamar, no camarote da escola de samba Marquês de Sapucaí. Esse episódio desencadeou reportagens e discursos dos congressistas da época pedindo o afastamento de Franco.  O episódio foi suplantado após algumas semanas com o anúncio do Plano Real.

Faz 22 anos que esse fato com Itamar quase abalou a nação (e poderíamos ter presenciado uma nova renúncia depois da de Collor). Alguns deputados pediram o impedimento do presidente Franco por conta da falta do recato de Lilian.

Hoje o que tem escandalizado as pessoas é o fato de Marcela ser “bela, recatada e do lar”. É um mundo estranho esse em que vivemos onde todos têm liberdade de fazer até libertinagem, mas não podem escolher ficar em casa, cuidar dos filhos e do marido.

A questão não é a guerra ridícula entre feminismo e machismo. A questão é: uma mulher não pode escolher ficar em casa e cuidar do marido e de seus filhos, pois a sociedade feminista não permite.
Em plena época das bandeiras da liberdade, Marcela foi condenada por alguns midiáticos por escolher ficar em casa cuidando de Michelzinho. Mulheres começaram a criticar Marcela por conta disso.

Há 22 anos, uma mulher sem recato quase levou um presidente a sair do seu cargo; hoje uma mulher recatada é chicanada.

O pior não é isso. Tem mulheres que se dizem crentes criticando a Marcela por sua escolha. Mulher, se você trabalha fora, por necessidade ou opção, é uma escolha sua e de seu marido. Isso faz parte de uma decisão de vocês. Contudo, sentir-se ofendida por existirem mulheres que são apontadas como belas, recatadas e do lar é algo totalmente indecente, impróprio e, como dizem os mais jovens, “sem noção”.

Biblicamente falando, isso é desvirtuamento da missão da mulher na Bíblia. Não estou arrazoando sobre o trabalho feminino, e sim, sobre a corrosão da nossa sociedade. Ser mãe, cuidar do marido e dos filhos é totalmente humilhante para essa sociedade que caminha para a destruição da família chamada: padrão.

Pode-se tudo nessa sociedade. Mas, não se tolera valores judaico-cristãos.

Michel é, sem dúvida, um homem de “sorte”! Eu, que tenho uma esposa que trabalha fora, também sou um homem de sorte, abençoado por Deus, pois tenho uma mulher: bela, recatada e do lar.

Você que é uma mulher que trabalha fora e tem sua carreira, não se esqueça que sua maior vitória não será ganhar o mundo, mas ganhar sua família.

“Levantam-se seus filhos e lhe chamam ditosa; seu marido a louva, dizendo: Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas” (Pv. 31. 28-29).

Em tempos de dificuldades sociais e econômicas, é notório que as mulheres precisam entrar no mercado de trabalho e tem feito esse papel de maneira gloriosa. As mulheres são competentes e dedicadas. O mundo corporativo ganhou com a inserção das mulheres no mercado. Portanto, não estou defendendo extremos. Isso não é uma guerra machista x feminista.

A questão é que, mesmo sem saber qual é a religião da Marcela Temer, eu entendo biblicamente que a principal missão da mulher é o seu lar: “Todavia, será preservada através de sua missão de mãe, se ela permanecer em fé, e amor, e santificação, com bom senso” (1. Tm 2.15).

Não se trata de defender que as mulheres retrocedam em suas conquistas sociais e econômicas, mas é bom notar que o que está em jogo são valores que ultrapassam o simples fato de ficar em casa ou sair para trabalhar.

O que está em jogo é o valor da mulher. O que é ser mulher? O feminismo, falando de maneira bem simplista, trabalha com a ideia de igualdade: ser mulher é ter direitos iguais aos dos homens. A Bíblia fala que a principal e excelente igualdade entre homens e mulheres está no fato de Deus tê-los criados da mesma essência.

A excelência, tanto do homem como da mulher, está no fato de terem sido criados à imagem e semelhança de Deus.

Entretanto, mesmo sendo iguais em natureza, são distintos em funções. A mulher naturalmente e como muita facilidade pode fazer muitas coisas que o homem faz. O homem jamais poderá naturalmente fazer algo tão sublime que é gestar e gerar um filho.

Paulo de Tarso, considerado pelas feministas como machista, inspirado por Deus (portanto não pode ser anacronicamente considerado machista), fala algo belíssimo:

Porque o homem não foi feito da mulher, e sim a mulher, do homem. Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, e sim a mulher, por causa do homem. Portanto, deve a mulher, por causa dos anjos, trazer véu na cabeça, como sinal de autoridade. No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher. Porque, como provém a mulher do homem, assim também o homem é nascido da mulher; e tudo vem de Deus (1 Co 11. 8-12). Grifo nosso.

Paulo lembra que a primeira mulher veio de um homem: Adão; bem como todos os homens só podem vir da mulher e, inclusive, o próprio Messias veio de uma mulher. “(...) vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl. 4.4).

A questão, portanto, não é uma guerra entre homens e mulheres, mas a constatação do desvirtuamento da sociedade que não aceita algo tão natural: uma mulher ser mãe e cuidar dos filhos e lar.

Entender que a sociedade corre para a confusão de papeis é esperado. Não se espera, entretanto, que mulheres cristãs discutam esses assuntos dentro da agenda feminista ou sejam norteadas por princípios feministas. Isso é corrosão da igreja.

Faço um apelo a você irmã, que trabalha fora do “lar”: não se sinta menor por trabalhar e ganhar o pão tão necessário à sobrevivência. Você pode ser uma mulher “bela, recatada e do lar”, mesmo tendo um emprego. Todavia, não se esqueça que seu papel principal é no seio de sua família.

Para você que é uma mulher “do lar”, eu apelo para que não se sinta desprezada ou despersonalizada pelo fato de cuidar do seu lar. Você está engajada em uma missão maior.

A beleza, o recato e a família devem ser louvado por homens e mulheres.

Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações (1 Pe 3.7).

Os homens são homens de “sorte”! Somos abençoados por Deus, pois um dia Deus disse: “Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gn 2.18,19).

Ser bela e recatada não é o problema. Ser do lar não é problema. A grande novidade é que vivemos em um mundo desvirtuado, despudorado, um mundo que se tem tornado cada vez mais feio pelo pecado.

“São os teus olhos a lâmpada do teu corpo; se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, se forem maus, o teu corpo ficará em trevas” (Lc 11.34).
Deus nos abençoe!

Rev. Ricardo Rios Melo.


4 comentários:

Prof. João Damasceno disse...

Excelente artigo Mestre!

RitaCytryn disse...

Bela reflexão. Importa no nosso presente momento termos uma boa palavra, reflexiva e bíblica, e vc a trouxe com maestria. Por causa do pecado, as relações humanas foram fraturadas. Em vez de ajudarem-se mutuamente a mulher que se casa, que constitui família tem medo de dedicar-se ao lar e seus filhos prioritariamente, porque desconfia de que o homem a abandone e a possa prejudicar, o que não raramente acontece. O homem também não tem consciência de seu papel provedor do lar, cuidado com filhos e desconfia sempre de que está sendo prejudicado, explorado, e muitas vezes o é mesmo. Relações fraturadas, fundadas na atração sexual passageira, sem o amor que vem direto dos altos céus para refrigerar, abençoar, transformar nossos corações egoístas.
No egoísmo, na contabilidade dos interesses é impossível florescer amor. Aliás, a verdade é que somos incapazes de amar. O amor é dom de Deus e quem não tem esse relacionamento com Deus não consegue amar nada e ninguém, as vezes nem a si mesm0s. Quanto a bela Marcela Temer tem todo direito como cada uma de nós de escolher o caminho que deseja para si. Essa histeria e hipocrisia são aceitáveis no meio de descrentes, que não tem clareza espiritual nos seus discernimentos, mas entre nós é inaceitável. O bem não prospera no ódio, na dissensão. Não participemos disso!

folton nogueira disse...

MUito bom Ricardo. Que Deus continue a te abençoar.

Rev. Ricardo Rios Melo disse...

Obrigado Folton, João e Rita! Deus abençoe a vida de vocês!

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