sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Mãe, a culpa é do Joãozinho






Mãe, a culpa é do Joãozinho

Quantas vezes ouvimos essa história? Em minha época de criança, era muito comum contar histórias engraçadas com o nome de Joãozinho. Ele sempre levava a culpa de qualquer confusão.
Quando somos crianças, é bem natural ouvirmos os nossos pais nos confortarem quando batemos a cabeça na parede ou mesa: - mesa feia! Vamos bater nela. Pôu, pôu!
Vamos crescendo, e a culpa continua sendo do outro. Se eu bater em alguém, é porque ele me provocou. Se eu me irrito, é porque fulano é irritante. Se eu me atraso, a culpa é do trânsito ou do transporte. Se eu faço uma prova ruim, a culpa é do professor que é muito exigente. Somos sempre reagentes. Nunca agentes de nossos atos.
Alguns assassinos e ladrões, ao serem perguntados sobre o porquê de suas ações malévolas, ecoarão o bordão: “a ocasião faz o ladrão”. Os corruptos falarão do sistema.
O fato é que reconhecer o nosso desejo e, consequentemente, a culpa por atitudes ruins ou falhas é penoso! Muitas vezes, doloroso! É difícil pedir perdão. Reconhecer a incompletude é extremamente doloroso e desestruturante. Admitir que o EU é agente ativo nas relações e ações é lidar com a mais profunda agonia humana: a agonia da queda adâmica; a perda do Éden e, principalmente, o afastamento do Criador.
Esse fato na gênese antropológica foi tão pesado aos nossos pais (Adão e Eva) que eles se esconderam da presença de Deus (Gn 3.8). Eles sabiam que estavam errados, mas, ao serem perguntados individualmente, cada um culpou a outrem. Adão disse: “Então, disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi” (Gn 3.12). “Eva respondeu: Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi” (Gn 12.13).
Para Adão, a culpa foi da mulher que Deus deu a ele. Dentro do nexo causaI, ele está atribuindo a culpa a Deus. Para a mulher, a culpa é da astúcia da serpente. A resposta de Deus foi individualizada, pois puniu o homem, a mulher e a serpente. Ninguém ficou de fora! Apesar de Adão ser o representante federal, Deus não inocentou os culpados (Naum 1.3).
Em um episódio posterior, Gênesis 4.7, Deus diz a Caim: “o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”. O desejo é o impulsionador! Caim não poderia culpar seu irmão ou a Deus pelo seu desejo maligno: “De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?” (Tg. 4.1).
O Senhor Jesus diz que é do coração que procede todo o mau desígnio: “Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios” (Mc 7.21).
Portanto, a culpa é nossa. O desejo é nosso. A ação é nossa. Deus responsabilizará o homem individualmente: “Como está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará louvores a Deus. Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Rm 14. 11,12).
Fora das paredes da igreja, é bem comum essa atitude: “eu não sou crente por causa de um amigo e dos ‘pastores’ ladrões que existem” – “ser crente como fulano, eu não quero ser!”
O problema é que dentro das igrejas residem pecadores em processo de santificação que agem da mesma forma. A culpa de seus maus atos é sempre externa: da liderança, igreja, irmãos. Se eu não sou ativo na igreja, a culpa é da igreja que não estimula ou descobre os meus dons; se eu não frequento a igreja com regularidade, a culpa é da igreja que é fria; se andamos frios na fé, a culpa é do pastor que não é um bom pastor ou da liderança que não visita o pobre coitado.
Muitos naquele dia, provavelmente, falarão: Senhor eu perdi a fé por causa do pastor que você colocou na igreja. Eu fiquei fraco por causa do irmão que o Senhor colocou para sentar ao meu lado na igreja.
Ah, queridos! Encarar a realidade é difícil! Admitir que eu sou responsável pelos meus desejos e atos é duro! É melhor culpar a parede! É melhor dizer que a culpa é de Joãozinho!
Entretanto, na vida, de modo geral, essa atitude reflete falta de maturidade e de recursos emocionais mais profundos e elaborados. Culpar o outro em um emprego não salvará sua cabeça; antes, demonstra sua total inabilidade de assumir o que faz! Traduz a infantilidade e inadequação ao serviço. Dentro das relações humanas, revela um comportamento esquivo e gerador de conflitos.
O pior de tudo é que esse comportamento pode enganar muita gente, mas Deus sabe que você está nu! Não adianta apelar para o Joãozinho!

Deus nos faça crescer!
Rev. Ricardo Rios Melo



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