sexta-feira, 27 de julho de 2012

“Águas passadas não movem moinho”


“Águas passadas não movem moinho”
Por Rev. Ricardo Rios Melo

Esse ditado popular: “Águas passadas não movem moinho” é bem antigo. Retrata a ideia, como diz minha sabia avó, de que, quando alguém bate em sua porta, você não pergunta: “quem era?”; antes, “quem é”.  Parece mostrar-nos que o passado não tem importância ou, pelo menos, não deve ser um obstáculo para andarmos para frente em direção ao futuro.
É claro que o passado tem importância e que não se apaga uma história. Contudo, não devemos exagerar na interpretação desse ditado; apenas usá-lo com o intuito de significar a necessidade de prosseguir em frente, a despeito de qualquer dificuldade que se tenha passado.
Apesar de esse adágio servir para estimular muita gente ao longo da vida, isso parece não ser levado em conta quando alguém se converte a Cristo. É comum as pessoas falarem: “Fulano se converteu? Não acredito! Ele era a pior pessoa do mundo. Como ele pôde se converter?”
O mundo pode aceitar e encobrir erros de governantes, artistas, celebridades em geral. Entretanto, se uma pessoa diz que foi convertida, a desconfiança é grande. Por que será isso? Algumas razões são importantes para analisarmos:
1.                   Bom, a primeira dica é interna. Não acreditamos que uma pessoa possa mudar tão radicalmente, pois a olhamos com os nossos olhos e sob a égide de nossos pecados. De maneira inconfessável, as pessoas não acreditam que as outras possam mudar radicalmente, pois elas mesmas não conseguem: “Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as suas manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal” (Jr 13.23). 
2.                   Outro motivo da descrença em mudança faz parte do senso de autojustiça que temos. Achamo-nos tão justos e perfeitos que não acreditamos que o outro mudou. Julgamos sob nosso senso de justiça contaminado pela nossa crença do que seja justo; temos tendência de nos acharmos bons: “Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um, que é Deus” (Lc 18:19).  Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também” (Mt 7.1,2).
3.                   Aceitar que alguém tenha mudado tão radicalmente por causa de Cristo é aceitar que o Evangelho é verdadeiro, pois ele se diz poderoso para mudar as pessoas e fazer o homem velho se tornar nova criatura: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Co 5.17).
4.                   Reconhecer mudança em alguém, por causa do Evangelho, implica aceitar que a nossa justiça é um trapo diante de Deus, pois ele aceita pecadores apenas na justiça do Filho. Portanto, minha justiça é pecado para Deus. Todos são injustos. Assim, eu também sou injusto. Isso quebra toda autoconfiança: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como um vento, nos arrebatam” (Is 64.6).  como está escrito: Não há justo, nem um sequer” (Rm 3.10).
O método de Deus é rejeitado pelo homem caído. Não é sem motivo que, a princípio, o grande Naamã rejeitou o método dado pelo profeta de Deus para curá-lo. Naamã precisava da cura, todavia a sua soberba não podia concordar com a simplicidade da solução dada por Eliseu: “Ouvindo, porém, Eliseu, homem de Deus, que o rei de Israel rasgara as suas vestes, mandou dizer ao rei: Por que rasgaste as tuas vestes? Deixa-o vir a mim, e saberá que há profeta em Israel. Veio, pois, Naamã com os seus cavalos e os seus carros e parou à porta da casa de Eliseu. Então, Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo. Naamã, porém, muito se indignou e se foi, dizendo: Pensava eu que ele sairia a ter comigo, pôr-se-ia de pé, invocaria o nome do SENHOR, seu Deus, moveria a mão sobre o lugar da lepra e restauraria o leproso. Não são, porventura, Abana e Farfar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não poderia eu lavar-me neles e ficar limpo? E voltou-se e se foi com indignação. Então, se chegaram a ele os seus oficiais e lhe disseram: Meu pai, se te houvesse dito o profeta alguma coisa difícil, acaso, não a farias? Quanto mais, já que apenas te disse: Lava-te e ficarás limpo. Então, desceu e mergulhou no Jordão sete vezes, consoante a palavra do homem de Deus; e a sua carne se tornou como a carne de uma criança, e ficou limpo.  Voltou ao homem de Deus, ele e toda a sua comitiva; veio, pôs-se diante dele e disse: Eis que, agora, reconheço que em toda a terra não há Deus, senão em Israel; agora, pois, te peço aceites um presente do teu servo. Porém ele disse: Tão certo como vive o SENHOR, em cuja presença estou, não o aceitarei. Instou com ele para que o aceitasse, mas ele recusou”(2 Re 5. 8- 16) (grifo nosso).
Naamã custou a aceitar o método simples de Deus curá-lo. É pertinente a observação de Vicente Cheung:

Temos consciência de que a mensagem da Bíblia ofende os não cristãos. No entanto, sua própria existência também é uma pedra de tropeço para eles. Se eles cressem em Deus, jamais esperariam que ele lhes falasse por meio da Bíblia, isto é, por intermédio de um livro. Naamã disse ter pensado que Eliseu poderia dirigir-se a ele, invocar seu Deus, e passar a mão sobre sua lepra e curá-lo. É claro que Deus poderia ter agido desse modo, ainda que ele não tenha concedido a Naamã o que ele esperava. Contudo, um servo sábio raciocinou com Naamã, e ele se submeteu às instruções do profeta e foi curado. Caso os não cristãos esperem que Deus faça surgir uma mão e escreva uma mensagem diante deles, ou lhes fale desde os céus com uma voz trovejante, ou esperem que Cristo apareça em uma luz ofuscante, dizendo: “Tolo, tolo, por que me persegue? É inútil resistir ao aguilhão”. O quê? “É inútil você continuar batendo a cabeça na parede (Vincent Cheung, http://monergismo.com/v1/?p=2569).

É sempre mais fácil (mas não é eficaz) para o ser humano seguir o próprio método. Seguir o método de Deus exige reconhecer o inevitável: nossa falibilidade, fragilidade, finitude e pecado. Não é estranho os Judeus pedirem sinais e os gentios, sabedoria: “Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” (1 Co 1.22-23).
A sabedoria humana não satisfaz a justiça de Deus. A sabedoria de Deus não é a do homem: “Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo?” (1 Co 1.20).
Em um mundo caído e perverso é natural, no sentido da natureza caída humana, desconfiar de conversões e de mudança radical. Assim como aconteceram falsas conversões nas páginas da Bíblia - vejam o caso de Judas - assim também acontecem hoje. Contudo, Jesus nos deu o teste para verificarmos as conversões: Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.17-20).
Águas passadas não movem moinho. O próprio Apóstolo Paulo era Saulo de Tarso, o perseguidor da igreja. Todavia, ele se tornou cristão e foi perseguido por professar Cristo. O passado é importante no propósito de sabermos quem nós éramos e o que Cristo fez por nós. Contudo, não nos serve mais como acusação e impedimento ao trono de graça.
A conversão não significa impecabilidade. Contudo, é a porta para a salvação: “Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento (Mt 9.13).
Águas passadas não movem moinho! Entretanto, uma pessoa convertida pode ainda cometer pecado. Isso não é desejável! Antes, deve ser detestado!
Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós” (1 Jo 1. 8-10).
Para que esse ditado seja verdadeiro em sua vida, faz-se necessário reconhecer Cristo como seu único Salvador e, consequentemente, que Suas Palavras são a verdade. É necessário que você rejeite sua autojustiça, para que você seja justificado por Deus: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1). Seja uma criança e se deixe embalar pelos braços bondosos do Pai: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Querido, Cristo reivindica uma posição: “De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.40).
Deus nos abençoe!
Rev. Ricardo Rios Melo

                                             









Um comentário:

Pr. Fábio Scofield disse...

Olá Rev. Ricardo, Graça e Paz...

Passei para conhecer, gostei! se me permite, já estou ti seguindo.

Depois voltarei para participar com algum comentário a respeito das postagens.

Deus te abençoe.....