sábado, 26 de novembro de 2011

A Anomalia da Normalidade


A Anomalia da Normalidade

O que é normal? O que se entende por normalidade é aquilo que a maioria, ou seja, 51% das pessoas aceitam como normal. Portanto, o que em uma cultura é normal, em outra, pode ser considerado como anormal – ou, na cultura do politicamente correto, uma coisa é aceitável ou não, segundo o costume, época, região etc.

Entre as comunidades indígenas é comum (normal) o infanticídio. É normal crianças serem enterradas vivas porque nasceram com necessidades especiais. Para muitas tribos, inclusive no Brasil, como é o caso dos índios xinguanos, “ninguém pode depender de outra pessoa para viver” (http://www.cenargen.embrapa.br/publica/trabalhos/cot125.pdf). Os gêmeos também são sacrificados, pois segundo a crença indígena, um é mal e outro bom, mas, como não há como saber quem é o bom ou o mal, sacrificam-se os dois. Mães solteiras ou cujo “casamento” não deu certo também sacrificam a criança para que elas não cresçam sem o pai. As crianças albinas entram no mesmo caso das gêmeas (http://www.cenargen.embrapa.br/publica/trabalhos/cot125.pdf).

Criticar esse tipo de prática é considerado por alguns intelectuais de etnocentrismo. O que devemos entender, segundo esse grupo intelectual, é que uma cultura não deve olhar para outra com altivez; não se deve julgar a cultura alheia com a ótica de nossa cultura. O que é normal para você pode ser anormal para eles. Portanto, julgar é proibido.

Quando entendemos que é a cultura que determina o que deve ser normal, muitos problemas encontram solução e outras dificuldades aparecem: nem tudo que foi normalizado é correto fazer. No direito, se separa normal jurídico de normal moral: “Alguns autores afirmam que o Direito é um sub-conjunto da Moral. Esta perspectiva pode gerar a conclusão de que toda a lei é moralmente aceitável. Inúmeras situações demonstram a existência de conflitos entre a Moral e o Direito. A desobediência civil ocorre quando argumentos morais impedem que uma pessoa acate uma determinada lei. Este é um exemplo de que a Moral e o Direito, apesar de referirem-se a uma mesma sociedade, podem ter perspectivas discordantes” (José Roberto Goldim, http://www.ufrgs.br/bioetica/eticmor.htm).

Na cultura pagã do primeiro século, era comum (normal) a pedofilia. “É sabido que em certas populações, em algumas épocas históricas, uma forma de pedofilia era permitida e podia até assumir um caráter ritualístico institucionalizado. Na Grécia era freqüente uma relação sexual entre homens adultos e adolescentes, dentro de uma experiência de crescimento espiritual e pedagógico. Enquanto o amor homossexual pelo adolescente era permitido, ao contrário era punida a homossexualidade promíscua com caráter pornográfico ou mercenário. Da mesma forma eram severamente punidas as relações sexuais com as crianças impúberes. De fato na relação amorosa a idade da criança não devia ser inferior aos 12 anos” (Franco De Masi, http://www.febrapsi.org.br/publicacoes/artigos/capsa2008_franco1.doc.).

Para os cristãos, a definição de normal está ligada intimamente ao que é moral segundo a Bíblia. Portanto, muitas coisas que são consideradas normais na cultura são consideradas como pecado e anormais para o crente.

Outras definições interessantes trazidas pela Bíblia: a ligação do normal com o natural, no sentido de a natureza para a qual o ser humano foi feito (Rm 1. 18-32); o que é honroso e desonroso (1 Co 11.14) também visto, por exemplo, por Paulo em sua carta aos Coríntios. No contexto da carta, para um leitor atento, é claramente distinto o que é cultural e o que é princípio moral (bíblico).

Muitas vezes, o costume de uma época está intimamente ligado ao pecado. Consequentemente, o que se considera normal para algumas culturas, é pecado para Bíblia. O vestuário e o corte de cabelo em Corinto não eram apenas um modismo, mas caracterizava uma prática cúltica pagã e imoral.

“Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos; nem conversação torpe, nem palavras vãs ou chocarrices, coisas essas inconvenientes; antes, pelo contrário, ações de graças. Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais participantes com eles” (Ef 5.3-7).

Cuidado, pois nem tudo que é normal é moral!

Deus nos abençoe!

Rev. Ricardo Rios Melo

4 comentários:

elvira navarro disse...

Caro Pastor,
Muitissimo importante essas considerações no que tange à normalidade de coisas e pessoas,sobretudo o que o Pai pensa sobre isso.

(in)esgotável disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rev. Ricardo Rios Melo disse...

Oi Elvira, obrigado pelo comentário. Deus a abençoe!

Rev. Ricardo Rios Melo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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