sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A modernidade e a animalização do homem


A modernidade e a animalização do homem
Ninguém negará a mudança de paradigmas que ocorreu durante a história da humanidade e, principalmente, na famosa Idade Moderna. Uma das características fundamentais dessa mudança de paradigma é a própria visão que o ser humano tem de si mesmo.
Na Idade Média, o homem se considerava a imagem e semelhança de Deus. Apesar das distorções sobre a idéia do corpo, onde “o corpo cristão medieval é de parte atravessado por essa tensão, esse vaivém, essa oscilação entre a repressão e a exaltação, a humilhação e a veneração” (Le Goff, Jacques, Uma história do corpo na Idade Média, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, p. 13), há uma posição colocada para o homem: ele balança entre o amor e a ira de Deus.
O mundo moderno, marcado pela influência da Filosofia Racionalista de Descartes, é decorrente de uma linha de pensamento que surge desde a Renascença, onde “o mundo passou a ser considerado cada vez menos como sagrado e mais como objeto de uso – movido por forças mecânicas – a serviço dos homens. Essa transformação é parte essencial da origem da ciência moderna” (Figueiredo, Luís Claudio M., Psicologia – uma (nova) introdução, São Paulo: PUCSP, 2007, p. 24).
Há de se levar em consideração a influência de Darwin na inclusão do homem como parte da natureza. O homem não só é um objeto de estudo; ele faz parte da natureza. Se antes se entendia o homem como um incólume observador superior ao objeto estudado, agora se tem o homem como pertencente ao objeto.
A ciência passa a interpretar o homem dentro desse contexto “natural”. O homem sai da esfera judaico-cristã de coroa da criação e de qualquer pensamento de superioridade para o âmbito científico: animal racional. Como animais, podemos analisar nossos “companheiros” animais de igual para igual. Mas, presente a desigualdade racional, nós podemos analisá-los racionalmente.
Isso muda toda a perspectiva da auto-imagem, pois passamos a ser apenas um animal que pensa.
Na tentativa de coisificar o homem, tenta-se encontrar teorias da origem do homem e desacreditar aquilo que os teóricos céticos chamam de mitos da origem ou utopias da origem, que são as teorias do nascimento do cosmos nas perspectivas da cosmogonia ou do Gênesis judaico e cristão. Nega-se qualquer tentativa de importância divina ou intervenção divina na criação do universo e de tudo que nele habita.
Para Ernst Casirer, “de todos os fenômenos da cultura humana, o mito e a religião são os mais refratários a uma análise meramente lógica. O mito, à primeira vista, parece ser apenas caos – uma massa disforme de idéias incoerentes. Procurar as ‘razões’ para tais idéias parece fútil, vão. Se existe alguma coisa que seja característica do mito, é o fato de que ele não tem pé, nem cabeça’. Quanto ao pensamento religioso, não está de modo algum em oposição, necessariamente, ao pensamento racional ou filosófico. Determinar a verdadeira relação entre esses dois modos de pensamento foi uma das principais tarefas da filosofia medieval. (...) Segundo Tomás de Aquino, a verdade religiosa é supernatural e supra-racional; mas não é ‘irracional’. Com base apenas na razão não podemos penetrar nos mistérios da fé” (Cassirer, Ernst, Ensaio Sobre o Homem, São Paulo: Martins Fontes, 2005, p. 121).
O homem moderno e o pós-moderno não enxergam no futuro uma possibilidade de uma redenção divina, pois a idéia de um Deus resgatador é pura utopia de um mundo perfeito. É mais cômodo aceitar a teoria de fazermos parte da roda da natureza onde a Lavoisier afirma que na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”; seremos apenas adubo para um bom plantio.
O homem moderno e o pós-moderno jogaram fora o mito e a própria religião; colocaram no lugar a ciência. Acabou-se com a idéia de uma vida eterna após a morte e criou-se a fantasia de uma vida eterna aqui na terra por intermédio da mágica da longevidade através dos fantásticos remédios. Trocou-se o dogmatismo da religião que vive de certezas, para a certeza científica. A obscuridade da fé pela “certeza dos fatos científicos”.
O curioso é que muito do que se credita à ciência, como descobertas incontestáveis de fatos irrefutáveis, nada mais é do que reinterpretações. “De acordo com o historiador Hebert Butterfild, se acompanharmos o caminho percorrido pela ciência desde suas origens, veremos que a transformação científica não ocorreu principalmente por novos fatos ou observações, ‘mas pelas transposições que estavam ocorrendo dentro da mente dos próprios cientistas’.” (Pearcy, Nancy; Thaxton, Charls B., A Alma da Ciência, São Paulo: Cultura Cristã, 2005, p. 67).
Agora, segundo o pensamento contemporâneo, somos seres mais evoluídos sem necessidade dos mitos e da utopia da religião. Temos que entender, segundo os sábios contemporâneos, que o amor, a fraternidade, a família, moral e todo sentimento humano são construtos sociais de sobrevivência – foram inventados pelo homem para sua autopreservação. Sendo assim, não existem absolutos morais. A moral está circunscrita ao tempo e ao espaço.
Destarte, o homem tem que acreditar no próprio homem, pois é necessário ter fé na boa vontade do semelhante para aceitar uma convivência harmônica. Se o homem é um animal que pensa, ele não deixa de ter os instintos animais de sobrevivência, apenas refreia-os ou reprime-os com base nas regras sociais de sobrevivência. Sendo assim, não há que se falar em corrupção social, mas, em retorno aos instintos primitivos.
Desse modo, se a maioria da sociedade decidir que a família deve acabar e que a lei da selva deve vigorar, nós deveremos, no sentido lógico moderno, sucumbir àquilo que é chamado de “ditadura da maioria”.
Falando sobre o amoralista, Bernard Williams diz: “Ele se importa com alguém? Existe alguém cujos sofrimentos ou desgraças o afetariam? Se respondermos ‘não’, parecerá então que acabamos de traçar o perfil de um psicopata. E, se ele é um psicopata, a idéia de persuadi-lo para amoralidade é certamente descabida – mas o fato de ser descabida não pode por si só solapar as bases da moralidade ou da racionalidade” (Williams, Bernard, Moral – uma introdução à ética, São Paulo: Martins Fontes, 2005, p 13).
Cabem-nos umas perguntas e reflexões: se tudo é fabricado pelo homem, para que existimos? Por que viver dentro de limites sociais? Por que prender o bandido se ele foi privado do que deseja, teoricamente, pela própria sociedade que ele instintivamente preserva? Para que amar as pessoas já que o amor nada mais é do que uma construção social de autopreservação, onde o amor ao outro nada mais é do que o egoísmo de se manter vivo?
Na tentativa drástica da autonomia humana, não nos restou nada. O homem animalizado se diz natural, comum, material, contudo ao mesmo tempo se considera especial e distinto, pois quer governar sua própria vida e controlar os fenômenos como se fosse um deus. A ciência moderna é a bíblia inconclusa do homem contemporâneo, sem paraíso ou redenção, apenas o velho lema Carpe Diem (colha o dia, aproveite o momento). No final, tudo se resume ao que vemos, tocamos, sentimos.
Eu prefiro ficar com o homem de Deus criado à imagem e semelhança de Javé, pois Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. (...) Se, como homem, lutei em Éfeso com feras, que me aproveita isso? Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos, que amanhã morreremos” (1 Co 15.9,32).
Em Cristo,
Rev. Ricardo Rios Melo

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Estêvão e Kiko

Estêvão e Kiko

Hoje eu quero lhes apresentar dois membros da igreja: um se chama Estevão e sua biografia é ampla. Foi chamado por Jesus e logo foi comissionado diácono; suas credenciais estão em At 6.5: “homem cheio do Espírito Santo”, “Cheio de graça e poder” (At. 6.8). Evangelista intrépido que incomodava a liderança religiosa da época (At. 6.9-15) também era um homem que tinha a sabedoria do Espírito (At 6.10).

Este Estevão é ativo, trabalhador. Como diriam alguns, “não tem tempo ruim”. Trabalhou tanto para o Senhor e incomodou tanto que tentaram calar seus lábios com testemunhas falsas (At 6.11). Levaram-no a um falso julgamento e o sentenciaram a morte; cometeram um crime, pois tanto o julgamento como a sentença foram incorretos e até a pena de morte aplicada foi fora da lei da época (At 7.1-60).

Estêvão tinha mais uma característica. Ele conhecia as Escrituras e confiava plenamente em Deus. Sua defesa foi o discurso fantástico desde os Patriarcas até Jesus. Esse homem lia as Escrituras e sabia manejá-la. Seu discurso foi tão forte que não deixou alternativa aos opositores a não ser recorrerem à injustiça e ao assassinato (At 7.59). Contudo, o final da vida desse servo de Deus é glorioso: ele mostra misericórdia para com seus algozes (At 7.60) e, descreve ver, de maneira majestosa, o Filho do Homem: “Mas, Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o filho do Homem, em pé à destra de Deus” (AT. 7. 55,56).

E o irmão Kiko? Vou lhes apresentar: o irmão Kiko é um irmão muito ocupado com seus afazeres, não tem tempo para testemunhar de Cristo. Desde que entrou na igreja nunca se engajou verdadeiramente na obra. É chato falar assim de alguém, mas esse irmão precisa de uma atenção redobrada, pois não progrediu na fé. Apesar de anos na igreja, continua soberbo e culpando a liderança e os outros por sua falta de engajamento na igreja local e no Reino de Deus.

Kiko deveria ser convidado para ser crítico de obras, pois, tudo o que os outros fazem, ele critica. Ele sempre acha que o que faz é melhor do que faz o outro. Contudo, não tem feito nada. É o famoso “fiscal de obras prontas!” É crítico ferrenho da igreja de Cristo e da liderança local. Sempre diz o que os outros deveriam fazer, entretanto não faz nada e muito menos se coloca como participante da crítica: autocrítica zero!

Estevão era um homem cheio do Espírito. Kiko é um crente cheio de si. Estevão era ativo e trabalhador; Kiko quer ver “se o mar pega fogo para ele comer peixe frito” – prefere ver as coisas darem errado para bater palmas e dizer: “eu não disse?!”.

Kiko chega, senta, assiste e vai embora do mesmo modo que chegou. Ele acredita que os sermões do seu pastor não têm na a ver com ele. Aliás, ele sempre acha que outros pastores ou pregadores são melhores do que o seu, pois Kiko sabe do que precisa e conhece todas as técnicas de pregação. Vale dizer, Kiko é formado em achologia e experienciologia; nada é mais profundo do que esse conhecimento. Para lhe ser mais franco, Kiko é doutor em qualquer área!

Kiko é um revolucionário por natureza! Ele sempre quer provocar uma revolução na igreja, ele quer uma insurreição. Ao invés de falar suas críticas aos líderes, ele prefere falar aos quatro cantos da igreja. É uma pessoa popular que contagia as outras com seu pessimismo e revolta. Muitas vezes, Kiko é saudosista de uma época da igreja em que ele nunca foi mais ativo do que é hoje.

Estêvão foi fiel até a morte. Kiko é fiel dependendo das circunstâncias e de quem está à frente da igreja. Estevão não se acovardou ante a situação de perigo e morte. Kiko que ver as coisas de longe. Ele é bem parecido com a fase ruim de Pedro quando negou a Cristo (Mt 26.75).

Kiko é sábio aos seus próprios olhos. Estêvão era sábio aos olhos do Senhor. Kiko é rancoroso, usa sua língua para difamar e provocar contendas, é cheio de mágoa e sem misericórdia para com os seus adversários. Estêvão usou seus lábios para pregar o Evangelho e orou pelos seus adversários: “Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras, adormeceu” (At 7.60).

Kiko é inconstante e de ânimo dobre. Estevão testemunhou até o fim de sua vida. Kiko tem saudades do que era. Estêvão sempre foi o que é. Kiko é arrogante. Estêvão humilde. Kiko olha de longe. Estevão faz.

O nome Estêvão vem da palavra grega transliterada Stephanos que significa: coroado ou coroa. Realmente ele é coroado e recebe a coroa da vida tendo a glória de ver o Senhor instantes antes de sua morte terrena: Mas, Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o filho do Homem, em pé à destra de Deus” (At 7.55,56).

Kiko é uma gíria brasileira que significa: o que é que eu tenho com isso? Kiko receberá sua paga no último dia. Se continuar desse jeito, é improvável que veja o Senhor com alegria. Talvez Kiko tenha a triste sentença: Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mt 7.23). Se Kiko for crente, ele está em pecado e deverá mudar sua vida para receber a coroa.

Queridos quem são vocês: Estêvão ou Kiko? Quem você gostaria de ser?

Espero que você escolha seguir o exemplo de Estêvão e assim receba a coroa da vida!

Deus os abençoe!

Rev. Ricardo Rios Melo

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Arrastando a Cruz

Arrastando a Cruz

Aprender a observar é uma arte que dá trabalho. A prática da observação requer interesse por aquilo que se observa. Jesus constantemente usava as expressões “olhai”, “observai”, que significam olhar com a mente, considerar atentamente, comparar.

Em 2 Coríntios 13.5, o apóstolo Paulo fala do auto-exame usando a palavra examinar: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados”. A idéia da palavra examinar é de testar, apurar se realmente uma tarefa pode ser realizada. Essa palavra também é usada no sentido positivo de provar e, dependendo do contexto, pode ser usada como tentar. Os coríntios deveriam testar se realmente estavam na fé.

Partindo da idéia da observação e da auto-observação, poderemos nos debruçar de maneira atenta para a igreja moderna. Pensemos de uma maneira bastante reflexiva sobre esse assunto. A tentativa é: primeiro, observarmos ao nosso redor; segundo, olharmos para nós mesmos. Para essa análise, convido-os a refletirem em uma frase de J. E. Vaux:

“A cruz é mais fácil para aquele que a carrega do que para aquele que a arrasta pelo caminho”.

Sem medo de ser duro ou olhar com severidade a igreja hodierna, acredito que muitos que se consideram crentes estão se arrastando pela fé. Não estão carregando a cruz e praticando a auto-morte; o mortificar dos nossos pecados. Não praticam a auto-negação. Pelo contrário, querem o melhor dos dois mundos: a eternidade e a não aplicação do juízo e viver nesse mundo sem nenhuma renúncia.

Jesus declara que veio aliviar os que estavam cansados e sobrecarregados e disse em Mateus 11:28-30: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”.

O que será que está acontecendo? As pessoas estão cansadas, desanimadas, secularizadas, escravizadas ao dia-a-dia, consumidas pela pressa do tempo que não espera, desamparadas, desatentas.

Conversando com alguns líderes, temos algumas sensações bastante conflitantes. Alguns relatam o crescimento de suas igrejas e o desenvolvimento de projetos do Reino, com isso, ficamos felizes e cheios de júbilo! Outros líderes relatam a dificuldade que enfrentam no crescimento das igrejas que lideram. Então, ficamos tristes.

A conversa continua e percebemos mais nitidamente a situação, pois uma parte dos que dizem que suas igrejas estão crescendo, resguardando as belas exceções, confessa que não sabe a profundidade da raiz da semente que foi plantada, pois há um vazio no testemunho e pouco compromisso com Cristo e com Sua igreja.

Há um tempo, compartilhando com um pastor sobre a tristeza de ver a igreja vazia no horário noturno e, às vezes, no diurno, ele me consolou: “acontece a mesma coisa na minha igreja”. Quando ouvi esse relato, tive duas sensações: a primeira foi bem carnal e auto-justificatória: “viu que não é só na minha igreja?”. Mas, Deus que nos trata e nos corrige imediatamente repeliu esse sentimento com uma tristeza profunda e, desde então, tenho tido muito cuidado em minhas observações, pois percebo que, ao olharmos para o outro, temos que, antes de tudo, olharmos para nós mesmos.

A primeira pergunta deve ser: e eu nisso tudo? Como estou? Certa feita Jonathan Edwards disse:

“Quando olho para dentro de meu coração e observo minha iniqüidade, ele parece um abismo infinitamente mais fundo do que o próprio inferno”.

Essa compreensão do próprio pecado fez o apóstolo Paulo declarar que é o principal dos pecadores (1 Tm 1.15). Quando olharmos para os outros, devemos voltar os olhos para nós mesmos, pois precisamos de um auto-exame pautado nas Escrituras: como eu estou diante desse comportamento do outro que agora eu condeno? Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?” (Mt 7:3).

Portanto, ao observarmos que muitos se arrastam na fé e estão pesados, perceberemos que se aplica a exortação do autor aos Hebreus 12.1: “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta”.

A corrida está cansativa e pesada porque muitos estão embaraçados pelo pecado e não conseguem correr. Estão arrastando a Cruz.

Muitos encontram justificativas no outro para não congregarem ou não testemunharem de Cristo; frases são formuladas, por exemplo: “essa igreja desanima qualquer um”, “não consigo gostar desse pastor”, “essa liderança não anima ninguém a vir à igreja”, “eu já desisti, com essa liderança eu não faço nada”. Essas são frases, no mínimo, soberbas, pois demonstram que o problema está no outro, não houve nenhuma auto-avaliação.

A palavra ânimo, oriunda do latim, significa disposição resoluta e inalterável, em face de situações difíceis; coragem. O desânimo é creditado ao outro, quando na verdade vem de nós. O ânimo deve vir do Senhor, pois é Ele que nos encoraja: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33).

Às vezes o que fazemos é aquilo que a psicanálise chama de projeção: lançar no outro aquilo que é meu. Por mais que as coisas sejam desmotivadoras, a desmotivação é minha, vem de dentro e não de fora.

O apóstolo Paulo foi perseguido pelos de dentro e pelos de fora, sofreu violência e preconceito dos judeus e dos próprios irmãos cristãos, tinha profunda tristeza por ter perseguido o Senhor Jesus e os irmãos do Caminho, entretanto ele declara: Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4.12-13). Em 1 Coríntios 9:16 : Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!”. Em 2 Coríntios 4.8, “Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados”.

Querido, olhe para você e se pergunte: estou realmente carregando a cruz? Estou enxergando verdadeiramente o problema? Tenho tirado o argueiro do meu olho? Posso atirar a primeira pedra? Cuidado para não arrastar a cruz!

“É inútil grandes grupos de crentes gastarem horas e mais horas implorando que Deus mande um avivamento. Se não pretendemos nos reformar, também não devemos orar” (A. W. Tozer).

Que Deus nos corrija!

Rev. Ricardo Rios Melo

Uma igreja relevante

Uma igreja relevante Há muito se fala de que a igreja precisa ser relevante. Arautos da Teologia da Missão Integral dizem que a igreja...