Disse Venter: haja célula sintética, e houve célula sintética.

Disse Venter: haja célula sintética, e houve célula sintética.

A criação de uma “célula sintética”, liderada pelo famoso cientista J. Craig Venter, levanta o velho questionamento sobre o poder do homem de produzir vida em laboratório: a jocosa idéia de “brincar de Deus”.

Venter foi o mesmo que participou da equipe que mapeou o genoma humano e tem se consagrado pela rapidez e determinação em suas pesquisas. Ele também é famoso por quebrar o estereotipo do cientista recluso e voltado apenas para fins humanitários.

J. Craig Venter é considerado, por muitos de seus colegas e pela mídia, como alguém vaidoso. Para termos uma idéia, o instituto que desenvolveu a célula sintética leva o seu nome completo: J. Craig Venter. Ele é um homem que gosta de curtir a vida e desfrutar de sua fortuna: espólios de suas conquistas científicas.

Venter entra para a História, não só pelo gênio científico, mas por ter uma personalidade destoante dos demais cientistas, principalmente dos antigos gênios da humanidade. Sua biografia tem sido escrita com câmeras, luzes e muito glamour.

A criação da célula sintética tem sido celebrada pela comunidade cientista e, ao mesmo tempo, gera uma preocupação mundial: será que ela será usada apenas para fins pacíficos e para o bem da humanidade?

Na comunidade evangélica, gera a seguinte pergunta: será que o homem descobriu a origem da vida de forma diferente do que a Bíblia descreve? Será que criaremos a vida?

Deixemos que o próprio Venter fale sobre o assunto: "Esta é a primeira célula sintética já criada. Nós dizemos que ela é sintética porque foi obtida a partir de um cromossomo sintético, feito com quatro substâncias químicas em um sintetizador químico, seguindo informações de um computador". [1] O que foi feito é uma alteração no genoma de uma célula já existente e, portanto, não sintética. Com base no vasto conhecimento do genoma da célula, foram feitas alterações, mas não se criou uma célula completamente sintética.

A revista Veja, de 26 de maio 2010, se aprofunda no âmago da questão ao pontuar cinco questões sobre a experiência da célula sintética: 1. Ela não é a criação artificial da vida, nem a criação de vida artificial; 2. Não é a criação de célula ou bactéria sintéticas; 3. Não é a invenção de um novo genoma; 4. Não é o maior avanço genético de todos os tempos; 5. Não é o que foi o primeiro circuito integrado.[2] “Venter e equipe recriaram um genoma que já existe na natureza. A metáfora mais clara e obrigatória é com alguém que desmonta um relógio, depois remonta as peças, instala o conjunto em um estojo diferente e o mecanismo volta a funcionar normalmente. Ainda assim, para fazer o mecanismo genético sintético funcionar na nova célula a equipe americana precisou enxertar sua criação com DNA natural da célula receptora.”[3]

A constatação de que não se criou uma vida em laboratório já nos dá resposta para a segunda pergunta sobre a criação da vida e da formação da humanidade descrita pela Bíblia. A criação da célula genética não é um criar do nada, como a Bíblia descreve a criação do universo. A palavra hebraica arb bara’, significa criar, formar e é usada na Bíblia quando Deus cria do nada. É o que a teologia chama do Fiat creatio ex nihilo de Deus. Deus criou tudo de conformidade com sua vontade e do nada criou o universo e todos os seres viventes.

O idolatrado (por alguns) Venter, não criou vida do nada. Ele copiou, alterou o que já existia. Por mais que a ciência evolua, sempre será uma cópia e o estudo de algo que foi criado pelo Criador supremo. Não se deve temer a ciência; se bem usada e sendo verdadeira, foi criada por Deus.

A preocupação dos cientistas sobre a possibilidade do mau uso dessa tecnologia, pergunta que fizemos no item 1 desse arrazoado, sem dúvida é salutar. Conhecendo o ser humano, suas falhas e ambições, o temor é perfeitamente natural.

O criador da célula sintética é, segundo dizem, vaidoso, orgulhoso e precisa de aplausos.

O Criador de tudo que existe é santo, justo, soberano e requer adoração exclusiva.

O criador da célula sintética disse: haja uma cópia.

O Supremo Criador disse: “Haja luz; e houve luz” (Gn 1:3).

Louvado seja o Criador Supremo: Deus!

Rev. Ricardo Rios Melo



[2] Vd. Laura Ming e Gabriela carelli sapiro, Eles Ainda Não São Deuses in: Veja, 26 de maio, 2010, p. 104-107

[3] Ibidem, p. 105.

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