sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Epitáfio


Epitáfio

A palavra epitáfio, segundo o Dicionário Aurélio, significa [Do gr. epitáphion, pelo lat. epitaphiu.] S. m. 1. Inscrição tumular. 2. P. ext. Lápide ou tabuleta com epitáfio (1). 3. Elogio fúnebre. 4. Espécie de poesia satírica (em geral uma quadra) feita sobre um vivo como se tratasse de um morto.

A palavra epitáfio também é uma música do grupo de rock Titãs. Esse nome quer nos levar a refletir sobre uma pessoa que está no final de sua vida ou, mais apropriadamente, a uma inscrição em uma lápide de quem já morreu.

Parece-nos que o autor queria demonstrar a fragilidade da vida e o arrependimento em não ter feito algumas coisas: “Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer. Devia ter arriscado mais e até errado mais, ter feito o que eu queria fazer... Queria ter aceitado as pessoas como elas são. Cada um sabe alegria e a dor que traz no coração...”

Mais à frente, ele mostra o arrependimento de ter feito algumas coisas: “Devia ter complicado menos, trabalhado menos, ter visto o sol se pôr. Devia ter me importado menos, com problemas pequenos, ter morrido de amor...”

Após ter mostrado os acertos e erros da vida, o compositor mostra que deveria ter errado mais e arriscado mais, entretanto ele credita seu destino ao acaso:

“O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...”

A música encontra um deus curioso, o deus acaso. Esse deus protegerá o compositor enquanto ele andar distraído. A palavra acaso, novamente recorrendo ao Aurélio, significa o “conjunto de causas imprevisíveis e independentes entre si, que não se prendem a um encadeamento lógico ou racional, e que determinam um acontecimento qualquer”. Portanto, o autor creditou toda sua vida ao acaso; aos eventos fortuitos e imprevisíveis; eventos irracionais e sem lógica. Ele acaba demonstrando em sua música que sua própria vida não foi governada por ele nem por ninguém racional. Foi “sorte e azar”.

O lamento que ele faz ao dizer que deveria ter trabalhado menos, amado mais etc. não foi culpa dele, pois quando ele anda distraído ele é conduzido pelo imprevisível, o deus acaso.

Por outro lado, poderíamos interpretar, com algum esforço, no seguinte sentido: quando o sujeito da música não está distraído, ele é quem governa seu destino. Bom, é bem forçado, mas poderíamos entender com bastante imaginação que ele olha para traz e percebe que deveria ter prestado mais atenção ao que ele achava importante, para que seu epitáfio fosse diferente.

A melodia dessa música é bastante envolvente e, por conta disso, muitas vezes não nos damos conta de que, quando a cantamos, estamos afirmando, no mínimo, duas coisas: 1. um destino irracional é que conduz a vida das pessoas, o nome dele é: acaso; ou 2. o homem governa seu próprio destino e deve ter cuidado para não deixar o acaso guiá-lo, apesar de que esse deus acaso, segundo o compositor, sempre o protege quando anda distraído.

Percebamos que tudo que nos cerca imprime informação. Não é sem motivo que o marketing pega pesado na televisão, outdoors e na mídia de modo geral. Todo o conhecimento passa por pressuposições.

As pessoas conversam sobre o fim da vida e dizem: “eu não me arrependo do que fiz, mas sim, do que não fiz”. Se o deus acaso governa essas pessoas, tudo bem, elas poderão continuar debaixo dos eventos fortuitos. Contudo, os cristãos sabem que quem governa a nossa vida é Deus: “Visto que os seus dias estão contados, contigo está o número dos seus meses; tu ao homem puseste limites além dos quais não passará” (Jó 14:5).

“E, quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados” (Mateus 10:30).

“O SENHOR está no seu santo templo; nos céus tem o SENHOR seu trono; os seus olhos estão atentos, as suas pálpebras sondam os filhos dos homens” (Salmos 11:4).

“Nos céus, estabeleceu o SENHOR o seu trono, e o seu reino domina sobre tudo” (Salmos 103:19).

Deus é soberano. Portanto, governa tudo e todos. O acaso não poderá proteger ninguém do dia do juízo. As frases que as pessoas deveriam proferir são estas: “Disse eu: compadece-te de mim, SENHOR; sara a minha alma, porque pequei contra ti” Salmos 41:4

“Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões” (Salmos 51:1).

Querido, sem arrependimento, ninguém entrará na presença do Rei. Se arrependa dos seus pecados e viva para a gloria de Deus, para que no seu epitáfio esteja a seguinte canção:

“As tuas mãos dirigem meu destino.
Ó Deus de amor, que sempre seja assim!
Teus são os meus poderes, minha vida;
Em tudo, eterno Pai, dispõe de mim.
Meus dias sejam curtos ou compridos,
Passados em tristezas ou prazer,
Em sombra ou luz, de acordo com teu plano
É tudo bom se vem do teu querer.

As tuas mãos dirigem meu destino,
Por mim cravadas na sangrenta cruz!
Por meus pecados foram transpassadas,
Bem posso nelas descansar, Jesus!
Nos céus, erguidas, sempre intercedendo,
As santas mãos não pedirão em vão;
Ao seu cuidado, em plena confiança,
Entrego a minha eterna salvação!

As tuas mãos dirigem meu destino,
Acasos para mim não haverá!
O grande Pai vigia o meu caminho,
E sem motivo não me afligirá!
Encontro em Seu poder constante apoio,
Forte é Seu braço, insone o Seu amor;
Por fim entrando na cidade eterna,

Eu louvarei meu Guia e Salvador.”

Que o Deus soberano o sustenha!

Rev. Ricardo Rios Melo

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Balanço do Carnaval

Balanço do Carnaval

Queridos e amados irmãos, mais um Carnaval chegou e com ele muitas coisas também chegaram: a fantasia de felicidade de muitos que depositam suas expectativas nesse feriado. Parece loucura, mas muitos “foliões” colocam a expectativa da alegria nesses dias. Eles ficam o ano todo esperando esse momento para soltar, dizem eles, as “energias negativas” adquiridas. Muitos casamentos foram desfeitos. Não dá para contabilizar, mas é certo que muitos maridos e esposas nessa época se separam por infidelidade. Muitas doenças se propagam: apesar da campanha do governo pelo uso do preservativo que inibe a doença e incentiva a promiscuidade, muita gente que não usa o preservativo, por estar tão bêbado ou por confiar no parceiro, contrai doenças incuráveis. O índice de gravidez indesejada provavelmente aumenta: apesar de certas campanhas indevidas para o uso da pílula do dia seguinte, muitas não se utilizarão dela. O índice de acidentes na estrada, por causa da bebida, também é alto: mortes, brigas e prisões, coisas que não são muito divulgadas pela mídia, para não afastar os turistas.

O Carnaval passa e com ele se renovou a velha tática romana do “pão e circo”, pois nesse período, aumentou a gasolina, o pobre continua mais pobre, a insegurança dos cidadãos que ficam cada vez mais presos, enquanto os bandidos ficam soltos. Tudo continua a mesma coisa, pois a “alegria” do carnaval é passageira e os prazeres do carnaval são momentâneos e alienadores.

O Carnaval é uma festa pagã em que os pagãos pagam para ouvir músicas que quase sempre não dizem nada ou que têm duplo sentido. Pagam para dançar coreografias sensuais que mexem com a libido. Essa festa cada vez mais representa a bacchanália em que os camponeses homenageavam o deus Baco com muita bebida e orgias sexuais, para comemorar a colheita na Roma pré-cristã. Se vocês acham que estou exagerando, façam uma pesquisa e verão que a nudez aumentou. Nesse período, as mulheres disputam quem vai sair na próxima revista masculina e os jovens fazem conta de com quantas pessoas eles “ficaram”. No exterior, a imagem de um Brasil cheio de mulatas desnudas só estimula o turismo sexual e a crença de que o Brasil é um país de terceiro mundo e não civilizado.

Enfim, Carnaval – a festa da carne (alguns discordam dessa etimologia), a festa do pecado – deixa um saldo negativo na espiritualidade que já era de zero para aqueles que não são Cristãos, que atentam contra as consciências e que arrastam alguns cristãos que estão fracos na fé. Representa nada mais, nada menos que o afastamento do homem de Deus. Carnaval: 100% de pecado, 0% de espiritualidade, 100% de desilusão e ilusão.

Para quem se retirou, literalmente, e pôde passar momentos com os irmãos em acampamentos e passeios, ou até em casa, o saldo é positivo, pois estreitamos a comunhão com os irmãos e fomos edificados mais com a Palavra de Deus. Aprendemos também que a “alegria” do mundo não se pode comparar com a alegria que vem de Deus, pois a alegria de Cristo é indizível.

Se você quer saber o que incomoda muita gente é o fato de que os crentes não precisam de bebida para ficarem alegres, não precisam “ficar” para se satisfazerem, pois a castidade pré-nupcial e o casamento já satisfazem o crente. A fidelidade ao namoro e ao casamento também, pois assim os cristãos estão sendo fieis ao próprio Deus e amando ao irmão e também não provoca ninguém com a sensualidade para não defraudarem o irmão.

Queridos, o balanço do Carnaval pela igreja deve ser esse: se você se comprometer mais com Deus nesse período e avaliar o Carnaval como abominação a Deus, você estará com seu saldo positivo, mas se você cair na bacchanália, certamente você agradará o deus Baco, ou melhor você agradará a satanás.

Essa pastoral tem o intuito de lhe dizer que não precisamos da festa da carne: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer” (Gl 5.16,17) e mais à frente o texto diz: “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5.19-21), pois somos espirituais e a nossa alegria não se resume a poucos dias e não precisa ser movida a música e a bebida e outras coisas, pois temos a paz e alegria que excede todo entendimento (Jo 14.27): “e os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna (Gl 5.24 – 6.1).

Deus nos livre da carne e nos liberte cada vez mais de seus efeitos!

Rev. Ricardo Rios Melo

Uma igreja relevante

Uma igreja relevante Há muito se fala de que a igreja precisa ser relevante. Arautos da Teologia da Missão Integral dizem que a igreja...