sábado, 28 de novembro de 2009

“Vidas Secas”

Cena do filme Vidas Secas (1963), dirigido por Nelson Pereira dos Santos

“Vidas Secas”

Esse nome é derivado da obra literária de Graciliano Ramos (1892-1953), romance que conta a saga de Fabiano e sua família para sobreviver em meio à seca do sertão e da desigualdade do Brasil e, principalmente, da carga sofrida pelo nordeste brasileiro.

Fabiano e sua família: Sinhá Vitória, o menino mais velho, o menino mais novo e a cachorra Baleia; esses são os personagens principais de uma história de injustiça social. Eles passam tamanha fome e miséria, que precisam sacrificar o papagaio de estimação para se alimentar.

Essa realidade romanceada tem sido contada de maneira vívida pela humanidade. Desde o início, o homem tem vivido uma vida seca. O momento que secou a fonte de água que mata a sede foi no dia em que o homem se rebelou contra seu criador. Repare o texto: “Ela produzirá também cardos (espinhos) e abrolhos (espinhos), e tu comerás a erva do campo” (Gn 3.18). Após a queda do homem, a terra sofreu também pelo pecado do homem que antes deveria cuidar dela: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra” (Gn 1.26). Esse domínio era cultivo e governo. O homem deveria cultivar a terra e dominá-la, contudo, não era um domínio despótico e irresponsável. O homem é colocado como vice-regente de toda criação. O cuidado dele estava debaixo do cuidado divino.

A harmonia desse cuidado foi quebrada pelo pecado e pela maldade que entra no homem e que se multiplica: “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração”; (Gn 6.5). Em Gênesis 9.2, o texto acrescenta as palavras: pavor (terror) e medo (terror): “Pavor e medo de vós virão sobre todos os animais da terra e sobre todas as aves dos céus; tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar nas vossas mãos serão entregues”. Vejamos que o texto fala de maneira clara que os animais terão medo do homem; ficarão aterrorizados com o homem. Apavorados e aterrados pelos seus cuidadores.

É isso que o pecado faz. Ele muda a ordem natural que Deus fez. Deus colocou o homem como Seu mordomo. Ele deveria cuidar, cultivar e reger de maneira santa toda a criação. Mas, com a entrada do pecado no coração humano, tudo é modificado para pior.

O livro de Graciliano Ramos fala de desigualdades no Brasil de 1938. De lá para cá, muita coisa mudou e até melhorou, contudo a desigualdade, não só no Brasil, ainda persiste. Pessoas, ainda hoje, passam fome em um mundo tão avançado tecnologicamente. Nesse Brasil varonil, ainda há injustiça social. No mundo todo, no ano de 2008, pelas estimativas das Nações Unidas, cerca de 963 milhões de pessoas passaram fome todos os dias.[1]

A história de Fabiano, sua família e seu cachorro está longe de ser um romance. É um retrato da seca que o homem vive. Não uma seca da terra onde pisamos, mais uma seca da terra do coração.

As injustiças sociais não são um retrato apenas de políticas públicas, pois essas políticas são elaboradas por homens. Se esses homens estiverem com seus corações secos, não produzirão frutos. Continuarão a legislarem em causa própria e a Fome Zero será apenas um bonito slogan.

“De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?” (Tg 4.1). Guerras, contendas, fomes, miséria, injustiças, desigualdades, egoísmo, avareza; tudo isso procede do coração do homem em seca.

Amado, a substância água poderá matar a sede do corpo, mas só Jesus sacia a sede da alma: “Afirmou-lhe Jesus: Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” Jo (4.13, 14).

Não tenha uma vida seca! Venha a Jesus! Pois Ele garante, “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” (Jo 7.38).

Em Cristo,

Rev. Ricardo Rios Melo

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