O que você fez durante 23 anos[1]?

Essa seria uma boa pergunta a nos fazermos durante qualquer período de idade. O que fez até o presente momento? Seria uma espécie de balanço do que fizemos durante a nossa vida; quais foram os nossos supostos fracassos e as nossas vitórias. Após esse balanço, deveríamos equalizar o aprendizado para melhorar o futuro.

Epicuro (341a.C) dizia que a busca principal para o homem seria o princípio do prazer: o homem deveria buscar a alegria e o prazer e evitar a dor. Apesar desse pensamento hedônico, ele tem uma frase bastante instigante: "Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades".

Não devemos fugir das adversidades ou das pedras que encontramos no caminho, apenas devemos usá-las para crescer e construir muros mais fortes. Quinto Horácio Flaco, que nasceu em Roma, no ano 65 a.C., foi um dos maiores poetas de Roma e um dos primeiros homens da história da filosofia a acreditar em vida após a morte. Ele dizia que “na adversidade conhecemos os recursos de que dispomos”. Isso, certamente, pode ser dito de cada um de nós. É nos momentos de dificuldade que sobressaem os grandes líderes da história da humanidade e as grandes nações se levantam. O que seria do Japão, que foi assolado pela 2ª guerra mundial, se não acreditasse nisso?

A nossa história nunca poderá ser resumida em somente vitórias ou somente fracassos. Seria limitar por demais a beleza do movimento da humanidade. A história sempre é feita de particularidades que se juntam para formar um todo não resumido. Ou seja, ao juntarmos o todo da história, nunca esgotaremos a história propriamente dita.

Os novos historiadores ou historiadores da nova escola - Escola dos Annalles, fundada por Marc Bloch e Lucian Febvre, questionam o conceito postulado até então pelos historiadores tradicionais de uma visão unilateral dos acontecimentos dos fatos. Os fatos não possuem uma data específica que os marque, mas são conseqüências de um processo histórico que envolve tudo que pertence à vida e importa para o desenvolvimento humano. A história não seria apenas explicada como acontecimentos econômicos ou pelas lutas de classes, mas, como um conjunto de fatores que integram a vida.

Olívia Pavani Naveira, historiadora formada na USP, explica-nos, de maneira clara, o pensamento desses “novos” historiadores (teoria fundada em 1929): “Os Annales defendem que a tarefa das ciências humanas é explicar o social complexificando-o e não simplificando através de abstrações”.[2]

Ao fazermos essa retrospectiva histórica, tanto nos fundamentos como na prática, queremos nada mais, nada menos, enfatizar a importância de olharmos para a história de nossa Igreja: Igreja Presbiteriana Memorial da Barra. Quantos risos? Quantas lágrimas? Quantos detalhes que compõem o todo de nossa história? Quanto aprendizado, hein? Em cada rosto, uma história. Em cada história, uma pedra que compõe o prédio de nossa história (igreja). Quantas pessoas nos deixaram e com elas foram nossas histórias conjuntas? Contudo, sem dúvidas, ficaram histórias a serem lembradas e contadas aos nossos filhos e novos irmãos.

A história da IP Memorial não é feita apenas de lágrimas ou só de alegrias; é feita de gente: pessoas que trazem consigo medos, angústias, alegrias, frustrações e realizações, esperanças, enfermidades, vitórias e, sobretudo, confiança no SENHOR da história.

Queridos, se passamos por tantas desventuras e prazeres, nenhum desses momentos escapou das mãos do SENHOR da História! Os pequenos detalhes de nossa vida e de nossa igreja estão nas mãos soberanas do nosso Senhor.

Prossigamos para o Alvo, pois “não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai” (Mt 10.29).

É nosso aniversário e momento de alegria: “os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão” (Sl 126.5).

Parabéns, Memorial! Deus nos abençoe!

Rev. Ricardo Rios Melo








[1] Três anos de congregação e vinte anos de igreja. Mensagem de aniversário da IP Memorial da Barra
[2] Olívia Pavani Naveira, Os Annales e as suas influências com as Ciências Sociais: http://www.klepsidra.net, acesso 17/04/2009.

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