sábado, 21 de março de 2009

O Quanto Você é Livre?


Liberdade: segundo o Aurélio, significa a “faculdade de cada um de decidir ou agir segundo a própria determinação”. Essa possibilidade do homem de agir segundo sua maneira de pensar ou autodeterminação é um dos apanágios da humanidade. No ideário francês, Liberdade é um dos princípios ideológicos e éticos da famosa revolução, como também na constituição dos EUA.

Sartre, existencialista ateu, diz que “cada homem está condenado a ser livre”. Dentro da filosofia moderna, a razão é auto-determinante e condena liberdade ao homem. O “penso logo existo” de Renê Descartes condena a humanidade a usar o crivo da razão para determinar a realidade.

Para eles, a realidade é o que a razão compreende como real. Diz a história que a lei Áurea libertou os escravos no Brasil. Mas, até que ponto somos realmente livres? Será que a idéia de liberdade não é uma tentativa insana de maquiar a escravidão que aprisionou o homem? A escravidão do pecado (Gn 3. 1-22)?

A humanidade luta por liberdade, pois precisa dela para viver. Contudo, essa liberdade que é tão almejada pelo homem não os torna livres. O homem busca liberdade em locais, pessoas, ideais, sonhos, sua própria razão e do seu próprio jeito. Contudo, como um homem que é escravo pode conceder liberdade a ele e a outros?

A Bíblia afirma que só nos tornamos livres quando somos libertados por Cristo e por sua graça:
Romanos 6:17 Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues; Esse texto nos relata que éramos TODOS escravos do pecado. Mas, em Cristo, e por sua Palavra, nos tornamos livres. Percebam que a liberdade não é algo que vem de nós mesmos e do nosso interior, mas de fora; na justiça de Cristo, na cruz e do alto, de Deus. Não é uma conquista da nossa própria vontade ou auto-determinação, mas da determinação de Deus.

Tito 3:3 Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros.

Será que essa atitude não condiz com a realidade de uma grande maioria da humanidade? Ódio ao próximo, contendas, inveja etc. pertencem a pessoas que são escravas do pecado. Tito continua com uma afirmação importante para aqueles que receberam Cristo como Senhor e Salvador de suas vidas, ou seja, aqueles que se submeteram a justiça que vem do alto, de Deus, e não a própria justiça que só faz condenar o homem:
“Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna. Fiel é esta palavra, e quero que, no tocante a estas coisas, faças afirmação, confiadamente, para que os que têm crido em Deus sejam solícitos na prática de boas obras. Estas coisas são excelentes e proveitosas aos homens (Tt 3.4-7).

É pela benignidade de Deus que somos livres! Não há lugar para uma liberdade oriunda de um escravo. Nós fomos condenados à escravidão, mas Deus nos liberta em Cristo. Sartre não percebeu isso, pois não aceitou uma justiça que vem de outro, a saber, Deus em Cristo.

2 Coríntios 5:19 “a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação”.

Essa é a única liberdade que nos liberta. Não é a liberdade da razão ou das algemas dos algozes egoístas, insensatos e desumanos da época da escravatura que liberta, não! A liberdade verdadeira é a que Cristo nos concede. Essa liberdade é a que Ele propõe para os judeus incrédulos que ouviam sua mensagem e a rejeitavam:

João 8:36 “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”.

Querido, você que não tem Cristo como seu Senhor, tem outro senhor em sua vida, a saber, o Pecado, quer realmente ser livre? Quer experimentar a verdadeira liberdade? Só em Cristo podereis ser livres! Contudo, você pode fazer um teste para saber se realmente é livre. Veja o que Jesus fala aos Judeus que se orgulhavam de sua liberdade:
Jo 8. 31- 45: Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão e jamais fomos escravos de alguém; como dizes tu: Sereis livres? Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado. O escravo não fica sempre na casa; o filho, sim, para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. Bem sei que sois descendência de Abraão; contudo, procurais matar-me, porque a minha palavra não está em vós. Eu falo das coisas que vi junto de meu Pai; vós, porém, fazeis o que vistes em vosso pai. Então, lhe Responderam: Nosso pai é Abraão. Disse-lhes Jesus: Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão. Mas agora procurais matar-me, a mim que vos tenho falado a verdade que ouvi de Deus; assim não procedeu Abraão. Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-lhe eles: Nós não somos bastardos; temos um pai, que é Deus. Replicou-lhes Jesus: Se Deus fosse, de fato, vosso pai, certamente, me havíeis de amar; porque eu vim de Deus e aqui estou; pois não vim de mim mesmo, mas ele me enviou. Qual a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra. Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Mas, porque eu digo a verdade, não me credes.”

Querido, se você já é de Cristo, graças a Deus, pois você está livre para fazer a vontade dEle. Mas, se está preso aos prazeres da vida e à rejeição ao Senhor, cuidado, pois o seu senhor, o pecado, o levará para a morte:

Provérbios 16:25 Há caminho que parece direito ao homem, mas afinal são caminhos de morte.
Romanos 6:23 porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Deus os abençoe!

Rev. Ricardo Rios Melo

sexta-feira, 6 de março de 2009

Relativismo: uma religião intolerante



O relativismo quer passar a imagem de que tudo é relativo. Não existe verdade absoluta. Mas, ao mesmo tempo em que arroga para si a impossibilidade de obtenção da verdade, se faz juiz da mesma - o relativismo não aceita nenhum sistema de verdade que defenda que exista verdade absoluta - não aceita nenhum sistema de verificação da realidade.

Entretanto, ao mesmo tempo em que o relativismo diz aceitar, ou tolerar, todo tipo de verdade, ele não aceita nenhuma corrente que diz ser ou ter a verdade absoluta: ele não tolera outra corrente que não seja a dele mesmo – constituindo-se assim, como uma verdade absoluta.

Esse movimento é recebido pela sociedade contemporânea como um movimento intelectual. “Identificados como pensadores ‘pós modernos’, pois pretendem questionar, não somente as noções clássicas de verdade, razão, identidade e objetividade, mas a idéia de progresso ou emancipação universal, os sistemas únicos, os megarrelatos ou fundamentos definitivos de explicação, os relativistas atuais formam um movimento ‘radical’ negando a unidade (isto é, a universalidade) da verdade, da razão, da realidade e da ciência”.[1]

Para esse sistema supostamente relativo e “tolerante”, “todas as crenças são igualmente justificadas pelo consenso da comunidade, não havendo nenhuma verdade objetiva sobre o mundo real o capaz de transcender o contexto local”.[2]

Dentro desse sistema, dizer que ele é incoerente não significa nada, pois coerência é relativa: a incoerência pode ser coerente para você e para mim pode ser incoerente. Desse modo, é difícil se estabelecer parâmetros e de objetar quaisquer teses relativistas, pois, para eles, as palavras, sistemas e teses são relativas e condicionadas pela sociedade local e pelo individuo.

Esse sistema tão antigo que já foi abordado “na obra do falecido filósofo Protágoras, que foi o primeiro autor conhecido, entre muitos outros que escreveram”[3] a respeito da Verdade em seu livro intitulado com o mesmo nome. “A máxima que servia de diretriz a Protágoras era a de que o homem é ‘a medida de todas as coisas, da existência das coisas que são e da não-existência das coisas que não são’.”[4]

O reaparecimento de Protágoras é de forma renovada e ampliada: “Hoje, quando Protágoras reaparece na sala de aula ou entre as linhas de um texto, não está menos destrutivo por ser velho.”[5] “Os relativistas modernos (alguns gostam de ser chamados de ‘pós-modernos’) em geral diferem de Protágoras por defenderem a igualdade não apenas dos valores individuais de verdade, mas também dos valores próprios dos povos, grupos étnicos, religiões, classes sociais e outras comunidades. Polido com este lustro, Protágoras é bem-vindo em um mundo que precisa desesperadamente legitimar sociedades multiculturais: o relativismo, por exemplo, dispensa os membros de seitas e cultos rivais - forçados a viverem juntos em comunidades vizinhas – de questionarem perigosamente direitos uns dos outros. Protágoras adapta-se confortavelmente a um mundo de ortodoxias demolidas em que nada cabe. Ele é claramente audível acima da explosão de informações, que impede o desacordo por impossibilitar qualquer pessoa de estar inteiramente segura de sua tese”.[6]

Seguindo o parâmetro de não ter parâmetro, o relativismo continua a trilhar e galgar cada vez mais espaço em uma sociedade desprovida de objetividade e sentido. “No campo da razão, o homem está morto e a sua única esperança é por alguma espécie de salto, que não está disponível para análise racional”.[7]

Um novo movimento surge dentro do relativismo que é o movimento do Descontrutivismo. “Para os desconstrutivistas, todas as reivindicações da verdade são suspeitas e tratadas como disfarce para jogos de poder”.[8]Esse movimento é notório em todas as áreas da nossa sociedade. Se percebermos os pensadores modernos, veremos que aderiram completamente a esse sistema delirante e destrutivo – até na moda se percebe a tendência moderna em descaracterizar os padrões.

Podemos ver que o relativismo constrói uma unidade unificada na fragmentação e diversidade do conceito de verdade. Para eles, o mais importante é a indefinição - é a lei da boa vizinha: “você não mexe comigo que eu não mexo com você!”.

Para os relativistas não existem provas objetivas, pois as mesmas são interpretadas, ou reinterpretadas pelo sistema imposto por eles. “O que é uma prova, senão aquilo que o grupo reconhece como tal? Por isso, os critérios de sua aceitação dependem dos grupos e de uma explicação sociológica”.[9]

Queridos, na Bíblia não há lugar para caminhos diferentes ou verdades que não são verdades. Ou a verdade é verdade, ou não é. Ou é objetiva, ou não é verdade. Jesus não deixou a cultura de sua época definir o caminho e a verdade, Ele disse:

Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. João 14:6

Respeitemos as pessoas e suas crenças, mas, não confundamos aquilo que é essencial na Bíblia. Cuidado com a religião dogmática do relativismo! Pois eles são devotos fervorosos e, em alguns casos, fanáticos!

Rev. Ricardo Rios Melo.

[1] Hilton Japiassu, Nem Tudo é Relativo – A Questão da Verdade, São Paulo, Letras & Letras, 2001, p. 23.
[2] Ibidem., p. 23.

[3] Felipe Fernandez Armesto, Verdade – Uma História, Rio de Janeiro, Record, 2000, p. 236.
[4] Ibidem., p. 236.
[5] Ibidem., p. 237.
[6] Ibidem., p. 237.
[7] Francis Schaeffer, A Morte da Razão, São Paulo, Cultura Cristã, 2002, p. 76.
[8] Gene Edward Veith, Jr. – Tempos Pós-Modernos, São Paulo, Editora Cultura Cristã , 1999, p. 50.
[9] Hilton Japiassu, Nem Tudo é Relativo – A Questão da Verdade, São Paulo, Letras & Letras, 2001, p. 27.

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