sábado, 28 de julho de 2007

Aceitando a Vontade de Deus



Você já conheceu alguém que perdeu tudo na vida? Alguém de posição social e de recursos e que perdeu tudo? Ou conheceu alguém que perdeu sua família, seus filhos? Pois bem, provavelmente você conheceu alguém que se encaixa em parte nesse quadro. Esse quadro pintado em cores acinzentadas e tristes. Mas, se essa pessoa além de perder tudo, perdesse a saúde? Que quadro de desespero! Que situação lastimável!

Eu gostaria de lhe apresentar um homem que viveu tudo isso: seu nome era Jó. Esse homem foi retratado na Bíblia como um homem temente a Deus e justo em tudo. Até que um dia, satanás, que não estava feliz com a prosperidade e comunhão de Jó com Deus, diz a Deus que Jó só era fiel porque tinha tudo. Após esse diálogo de Deus com satanás, a vida de Jó dá um giro de 180º (Jó 1.1-22). Nunca mais a vida de Jó seria a mesma. Ele perde bens, família, e a única coisa que resta para ele é uma mulher néscia que diz a ele para amaldiçoar o Deus dele e morrer. A ênfase do Livro de Jó está na reação dele a todo infortúnio de sua vida. A resposta que ele dá a sua esposa é maravilhosa! “ Então, sua mulher lhe disse: Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre. Mas ele lhe respondeu: Falas como qualquer doida; temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios” (Jó 2. 9-10). Ainda no capítulo um ele responde: “Então, Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a cabeça e lançou-se em terra e adorou; e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR! Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma (Jó 1.20-22).

Esse livro de Jó vem em minha mente em um momento em que a tragédia da TAM não sai de nossa cabeça e dos brasileiros em geral. Fiquei pensando: “se fosse um parente nosso?”, “esposa e filhos?”, ou se fosse a nossa hora de partir? Estaríamos preparados para tudo isso? Estaríamos preparados para responder como Jó?

Queridos, como é difícil aceitar a vontade de Deus em nossa vida! Às vezes nas pequenas coisas, não aceitamos. Diante de qualquer coisa que contrarie a nossa vontade, agimos como crianças malcriadas que fazem escândalos em locais públicos: choramos, emburramos e agimos com rispidez ao menor desagrado de nossa vontade. Então, como aceitar a vontade de Deus em nossa vida, se nas mínimas coisas somos mimados?

Creio que muitos de nós entraríamos em desespero se estivéssemos no lugar de Jó! E é bom salientar que Jó não sabia de seu futuro, como nós sabemos o que aconteceu com ele. Ele aceitou a vontade de Deus, porque ele tinha convicção que a vontade de Deus é perfeita, agradável. Ainda que pareça algo desastroso aos nossos olhos, Deus vê além de nossa visão embaçada pelo pecado que ainda reside mesmo nos regenerados.

Jó tinha certeza que Deus estava no controle! Que sua vida jamais saiu das mãos carinhosas de seu Pai. Por isso, ele estava pronto para receber o bem e o mal. Jó não se resignou com sua dor, não! Ele confiou que Deus é bom e faz o bem para os que confiam nEle. É na confiança de que tudo que Deus faz é bom, que Paulo pode exclamar: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28) .

Aceitar a vontade de Deus passa pela autonegação, pois é preciso negar minha vontade e dizer: “a vontade do Senhor é perfeita”; “nada foge à Sua Vontade!”. Imagine, apenas uma hipótese, que uma pessoa estivesse pronta para pegar aquele avião da TAM, mas por um motivo alheio a nossa compreensão, ela não conseguiu. Se essa pessoa aceita a vontade de Deus, ela diria: “fiz tudo o que minha responsabilidade humana poderia fazer, mas, não deu para pegar o avião, portanto foi a vontade do Senhor que eu não viajasse”. Imagine uma segunda situação, essa pessoa fizesse um escândalo enorme para viajar, esperneasse, chorasse, fizesse diversos tipos de birras e escândalos, mas, mesmo assim, não viajasse. Hoje ela diria: “foi Deus”! Mas, precisava disso tudo para ela saber que os nossos dias estão contados e que ela deve descansar no Senhor? Será que muitas pessoas precisam bater a cabeça e brigar com os outros para saberem que Deus realiza sua vontade independentemente de nós?

Creio que existe muitos crentes que querem viver como Jonas. Fugindo da vontade de Deus e tendo que ser levados de volta à vontade Deus de maneira drástica. Acredito que temos muitos mais crentes Jonas do que crentes Jó.

Seja um crente Jó, pois a vontade de Deus será realizada e é melhor você recebê-la com a certeza de que é melhor do que a sua. “Há caminho que parece direito ao homem, mas afinal são caminhos de morte” (Pv 16.25).

Quando você aprende a aceitar a vontade de Deus, você pode dizer: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem” (Jó 42:5).

Aprenda a aceitar a vontade de Deus nas mínimas coisas da vida, para que, quando chegue a grande provação, você possa dizer: ...temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal? Deus nos faça aceitar a sua vontade assim como Cristo nos ensina no Pai Nosso: “venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10).

Deus nos abençoe!

Rev. Ricardo Rios Melo




quarta-feira, 25 de julho de 2007

Como lidar com a dor?


Mais um desastre aéreo. Desalento, tristeza, consternação e sentimento de incapacidade. Na busca de entender o que aconteceu, hipóteses são levantadas: erro humano? Fatalidade? Muita água na pista? Defeito na reforma da pista? Todas essas hipóteses são possíveis. Entretanto, nada disso poderá acalentar o coração daqueles familiares que esperavam ansiosos no aeroporto pelos seus entes queridos! Nada disso poderá consolar alguém que terá que conviver com o triste fato de não ter mais ao seu lado as pessoas que amava.

Talvez se descubra as causas do acidente e os parentes das vitimas sejam indenizados. Entretanto, nada poderá reparar a dor e a ausência. Mas, como lidar com esse vazio? Como lidar com esse sentimento que enlutou um país? Mesmo para os que confiam no Senhor, a dor não e fácil! Contudo, há um consolo inconfundível: é o conforto do Espírito Santo de Deus em nossa vida. Esse conforto só tem aqueles que estão em Cristo.

Eu sempre me impressiono com a história de Davi e seu filho: “Mas, posto que com isto deste motivo a que blasfemassem os inimigos do SENHOR, também o filho que te nasceu morrerá. Então, Natã foi para sua casa. E o SENHOR feriu a criança que a mulher de Urias dera à luz a Davi; e a criança adoeceu gravemente. Buscou Davi a Deus pela criança; jejuou Davi e, vindo, passou a noite prostrado em terra. Então, os anciãos da sua casa se achegaram a ele, para o levantar da terra; porém ele não quis e não comeu com eles. Ao sétimo dia, morreu a criança; e temiam os servos de Davi informá-lo de que a criança era morta, porque diziam: Eis que, estando a criança ainda viva, lhe falávamos, porém não dava ouvidos à nossa voz; como, pois, lhe diremos que a criança é morta? Porque mais se afligirá.Viu, porém, Davi que seus servos cochichavam uns com os outros e entendeu que a criança era morta, pelo que disse aos seus servos: É morta a criança? Eles responderam: Morreu. Então, Davi se levantou da terra; lavou-se, ungiu-se, mudou de vestes, entrou na Casa do SENHOR e adorou; depois, veio para sua casa e pediu pão; puseram-no diante dele, e ele comeu. Disseram-lhe seus servos: Que é isto que fizeste? Pela criança viva jejuaste e choraste; porém, depois que ela morreu, te levantaste e comeste pão. Respondeu ele: Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque dizia: Quem sabe se o SENHOR se compadecerá de mim, e continuará viva a criança? 23 Porém, agora que é morta, por que jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim”. A certeza de Davi de que seu filho pertencia à aliança do Senhor fez com que ele se lavasse, trocasse suas roupas, comece e se refizesse. Esse conforto só pode sentir quem tem uma convicção no coração da vida após a morte, do reencontro na eternidade e pela certeza de que seu ente amado saiu de nossos braços pequenos e frágeis para os braços fortes do nosso Pai eterno. Lá, ele está consolado! A dor não existe e o vazio não existe, pois Deus os preenche, e é um em todos.

Outro texto bíblico que me chama muita atenção é o texto de Lucas 16.25, quando Jesus diz que o tempo deve ser vivido quando se está vivo, pois o que fazemos na vida conta para eternidade: “Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos”. Isso nos leva a uma outra questão: aproveitemos os momentos, pois eles poderão não se repetir. Isso não quer dizer que você viverá em busca do prazer e sem planejar o futuro, não! Isso quer dizer que o tempo que você tem com seus queridos deve ser aproveitado, pois pode ser que seja o último aqui nessa terra! Ame mais! Perdoe mais! Viva melhor com as pessoas, pois pode ser que você não consiga dizer o que tem que dizer! Pode ser que você não consiga restaurar relacionamentos que você rompeu pelo seu orgulho ou por motivos banais. Mas, acima de tudo, restaure sua vida com Deus! Pois, depois da morte, não há mais nada a fazer! “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hb 9.27. Não existe segunda chance! A chance é agora! E Cristo reivindica sua vida para Ele! Confesse Cristo como Salvador e Senhor de toda sua vida e viva eternamente. E se você já é crente, não deixe de anunciar a salvação eterna para seus queridos, pois pode ser que seja tarde demais! Talvez você não tenha chance de falar amanhã ou mais tarde. Mas, se você cumpre o ministério que Cristo nos chama de anunciar o evangelho, você poderá pedir o consolo do Espírito, pois Ele nos confortará da saudade dizendo em nosso coração: ele foi para o Pai! Está nos braços amorosos do Pai! Nada poderá arrebatá-lo de suas mãos! O Pai o ama, cuida dele e consola! Ele está consolado! E você poderá se consolar nessa certeza!

Devemos então lidar com a dor da perda de modo preventivo. Se firmando na verdade e pregando a verdade. Devemos lidar com a saudade clamando a Deus: “É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus” (2 Co 1.4).

Tenho certeza de que a dor só sabe quem sente. Entretanto, chamo a atenção para Aquele que voluntariamente se entregou para sofrer em nosso lugar, Jesus. Ele é um homem de dores e que sabe o que é padecer: “Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso” (Is 53.3).

O país está de luto. Nós também! Mas, já passou da hora de lavarmos o rosto, comermos o nosso pão e dizer ao mundo que o Senhor habita com o contrito e que restaura a sorte dos que confiam nEle: “Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos” (Is 57.15).

Deus conforte o coração das famílias que perderam os seus queridos e nos ensine a lidar com a dor preventivamente!

Rev. Ricardo Rios Melo.





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Uma igreja relevante Há muito se fala de que a igreja precisa ser relevante. Arautos da Teologia da Missão Integral dizem que a igreja...